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TEACH FOR PORTUGAL EM MONCHIQUE: QUANDO NUMA SALA SE UNEM APRENDIZAGEM, INOVAÇÃO E ODS

Jornal de Monchique

2026-02-06 22:05:10

A turma do 6.0 B da Escola Básica Manuel do Nascimento teve uma aula especial no dia 28 de janeiro. No âmbito no programa do Teach for Portugal e com a presença de Paulo Alves, presidente da Câmara Municipal de Monchique, OS 16 alunos foram divididos em quatro grupos, numa iniciativa que permitiu refletir sobre quatro ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A aula começou com a apresentação dos presentes e com uma breve partilha de memórias de infância e de como foram enquanto alunos Paulo Alves, a professora Débora Boto e a mentora Viviana Costa. Após este momento, foi mostrado o vídeo “A maior lição do mundo”, foi explicado os objetivos dos ODS e foram sorteados quatro pelos grupos, nomeadamente o n.o 1 , “Erradicar a pobreza”; n.o 2 “Erradicar a fome”; n.o 3 “Saúde de qualidade” e n.o 15 , “Proteger a vida terrestre”. Num momento de partilha cada grupo apontou soluções para a concretização de cada um deles. Para Paulo Alves “foi ótimo, voltar à escola”, sublinhando que esta experiência o fez “reviver os tempos da infância e de estudante”, ao despertar “memórias”, permitindo “ganhar uma nova perspetiva sobre a profissão docente”. O autarca destacou “a dificuldade de gerir o tempo de uma aula, para que tudo seja transmitido em 50 minutos”. Um dos aspetos que mais o surpreendeu foi “a capacidade de raciocínio dos alunos e o conhecimento que eles têm do mundo de hoje”. Para o presidente, este contacto direto confirmou “a importância de projetos educativos que promovem o pensamento crítico e a consciência do mundo contemporâneo”. O Teach for Portugal pretende diminuir a desigualdade educativa e proporcionar às crianças e jovens, de meios mais desfavorecidos, a oportunidade de atingirem o seu máximo potencial, colocando-os num caminho de oportunidades que trará impacto nas suas vidas a curto prazo e nas escolhas que farão para o futuro. O programa é apoiado pelo município "através de um protocolo financeiro, complementado por apoio logístico sempre que necessário", explicou ao JORNAL DE MONCHIQUE, Paulo Alves. “Trata-se de um projeto tripartido, envolvendo O Município de Monchique, o Agrupamento de Escolas de Monchique e O Teach for Portugal. Está implementado no concelho desde 2023, e o edil garante que existe “toda a vontade e disponibilidade para continuar a apoiar o programa, desde que o agrupamento de escolas também considere importante a sua continuidade” Para Paulo Alves, o programa ajuda a fomentar “o espírito de grupo, a criação de hábitos de raciocínio. próprio, o olhar para as pessoas e a procura da igualdade”, contribuindo para a prática da cidadania, do civismo e do sentido crítico. Já a mentora do programa Teach for Portugal, Viviana Costa, que foi a impulsionadora desta aula, e que se encontra no seu segundo ano de projeto em Monchique, afirma que a experiência tem sido “muito gratificante”, tanto a nível pessoal como profissional. Como cresceu num ambiente escolar, por ser filha de professora, refere que “sempre teve uma ligação natural à escola e que encontra grande sentido em poder ter impacto nas crianças desde cedo, ajudando a desenvolver competências como a empatia, a capacidade de relacionamento e a autoestima”. “o programa baseia-se, diariamente, num trabalho de colaboração com os professores e com a comunidade escolar. O objetivo passa por observar cada turma, perceber as suas necessidades específicas e, em conjunto com os docentes, definir estratégias que respeitem os conteúdos, mas que sejam diferentes”, explica a mentora. Atualmente, trabalha com turmas de Matemática do 8.0 ano e de História e Geografia de Portugal do 6.0 ano, depois de no ano anterior ter estado em Português e Matemática. No caso concreto de Monchique, identificou como principais desafios “a falta motivação para a escola, a dificuldade em trabalhar em pares e a fragilidade no pensamento crítico e na capacidade de argumentar ideias”. “Foi a partir deste diagnóstico que criou, neste ano letivo, “O Clube VOZ Ativa, um projeto que nasceu da recolha de informação feita no primeiro ano e do relatório de contexto elaborado com base em conversas com alunos e membros da comunidade escolar”) “o Clube Voz Ativa funciona como um grupo de estudantes que pretende contribuir para a melhoria da escola, promovendo iniciativas e atividades de alunos para alunos”, esclarece Viviana. Para a mentora, “é fundamental que os jovens se sintam capazes de pensar, decidir e agir sobre o espaço que habitam” Defendeu ainda “que o facto de os alunos viverem na serra não deve ser visto como um obstáculo, mas como um privilégio, pois têm contacto com a natureza, proximidade entre as pessoas e forte sentido de comunidade, que são enormes vantagens”, acrescenta. ~ Já para a professora Débora Boto O Teach for Portugal é uma mais-valia pois aplica “metodologias centradas no aluno” e dá “a possibilidade de tornar a aprendizagem mais significativa através de práticas diferentes daquelas a que os alunos estão habituados”. Sublinhou que os professores já aplicam estratégias deste tipo, mas que o projeto “vem trazer um pouco mais” e que “novas ideias são sempre bem-vindas”. A docente considera ainda que a presença de mentores “é especialmente importante no apoio a alunos com dificuldades específicas, uma vez que permite um acompanhamento mais próximo e ajustado às necessidades de cada um”. Por isso, defende a continuidade do projeto e afirma, sem hesitar, que “gostaria de ter mentores na sua sala de aula”, aliás, “se cada professor tivesse uma mentora, era espetacular”, garantiu. Sobre o término do projeto, para Viviana, que acontecerá no final deste ano letivo, pois cada mentor só está presente em cada estabelecimento de ensino durante dois anos, afirmou que “tem dificuldade em lidar com despedidas, sobretudo de lugares onde é feliz” e gostaria de ser recordada “como alguém que trouxe alegria, dinamismo e vontade de fazer parte da mudança em Monchique, tanto pelos alunos como pelos professores e funcionários”. No futuro, tendo formação em Psicologia, “gostaria de estar ligada a projetos que unam a escola e a Psicologia, mantendo sempre uma ligação ao contexto educativo”.O LÚCIA COSTA