ALFA ROMEO GIULIA SPRINT 1600 GTA
2026-02-06 22:05:11

APRESENTADO EM 1965 PARA DOMINAR AS CORRIDAS NA CLASSE DE TURISMO, ANTIGO GRUPO 2, O ALFA ROMEO GIULIA GTA VIRIA A TORNAR-SE UM DOS CARROS MAIS ICÓNICOS DA MARCA E A PROVAR UMA COISA QUE O MUNDO AUTOMÓVEL ATUAL PRECISA DE SER RELEMBRADO: MAIS VALE PESO A MENOS (ALLEGGERITA) DO QUE CAVALOS A MAIS... Fotos Luís Duarte (GTA original) & André Reis O Alfa Romeo Giulia 1600 Sprint GTA apresentado em 1965, do qual foram construídas 500 unidades, teve como objetivo a homologação em grupo 2 para as provas de Turismo, mas permitiu também aos mais entusiastas terem acesso a um coupé desportivo com performances apenas ao alcance de carros de maior cilindrada, graças ao seu peso Alleggerita: o baixo peso ajuda em todo o lado, os cavalos só nas retas! Assim, o GTA é a versão de características mais desportivas da extensa série Alfa Romeo Giulia coupé, tendo sido desenvolvido a partir do Giulia 1600 Sprint GT de 1963 desenhado por Bertone, conservando a sua forma aerodinâmica; curiosamente, ainda assim menos deslizante do que a carroçaria familiar de 4 portas. O peso foi aligeirado através da utilização de painéis de carroçaria em Peraluman 25, uma liga de alumínio, o que, em conjunto com a eliminação dos materiais de insonorização do interior, resultou num peso final de 745 kg, significando isso uns significativos 200 kg a menos do que o modelo que lhe serviu de base. Este aligeirar do conjunto também deu origem à denominação que veio a tornar-se quase mítica, GTA , Grand Turismo Alleggerita. Um GTA original, do lote de 500 construídos, é hoje uma peça extramente rara e valiosa, um daqueles automóveis que quando aparecem nos leilões internacionais são fervorosamente disputados pelos maiores colecionadores mundiais. Falamos de valores que rondam os 200 mil euros, ou até mais, caso tenham um palmarés importante ou tenham sido conduzidos por pilotos famosos na época. Há também alguns (dos verdadeiros..) que continuam a fazer o seu percurso nas provas de clássicos atuais, o que é verdadeiramente meritório! A versão stradale do GTA foi apresentada ao público a 18 de Fevereiro de 1965, no Salão de Amesterdão, com uma mecânica substancialmente alterada, a partir do motor de 4 cilindros bialbero de 1570 CC: alimentação a cargo de 2 carburadores duplo-corpo Weber de maiores dimensões 45 DCOE 14, substituindo os 40 DCOE 4 da versão normal; cabeça com duas velas por cilindro (twin spark) que assegurava uma melhor combustão; taxa de compressão aumentada de 9:1 para 9,7:1, possível pela combustão mais rápida; substituição do coletor de escape tradicional por um do tipo “spaghetti” 4-2-1. Destas alterações derivou o aumento da potência para 115 CV DIN às 6.000 rpm (mais 9 cv que no 1600 Sprint GT), fazendo do GTA um automóvel muito rápido para a época e de características marcadamente desportivas, pois apesar de à primeira vista o ganho de 5 km/h em velocidade máxima não ser muito significativo (185 km/h), o reduzido peso permitia-lhe acelerações e recuperações bastante mais vigorosas; mas o mais importante era mesmo o potencial aberto para a evolução da potência em versão competição. Exteriormente, o GTA apresenta um conjunto de alterações que resultaram numa aparência bem mais desportiva: grelha original do Sprint GT substituída por uma simples rede metálica; scudeto da Alfa de dimensões mais reduzidas; duas novas entradas de ar frontais logo abaixo da grelha; jantes Campagnolo em magnésio de desenho específico; puxadores das portas de tamanho reduzido, semelhantes aos do modelo TZ; autocolantes triangulares com o quadrifoglio colocados 1os guarda-lamas dianteiros e, finalmente, a sigla de identificação Giulia Sprint GTA na tampa da porta bagagens. No interior, as alterações mais significativas são a adoção de bancos dianteiros com maior apoio lateral e um volante de três braços Hellebore, em madeira. Tudo isto num automóvel que estava apenas disponível em duas cores de carroçaria, vermelho (rosso Alfa 501) ou branco (bianco spino 013). Em 1968 a Alfa Romeo viria ainda a apresentar a ver-são 1300 GTA Júnior, desenvolvida a partir do 1300 GT Junior, e fabricada até 1975 num total de 492 unidades.com uma potência de 96 CV DIN às 6.000 rpm (mais 7 cv que a versão normal) e 760 kg de peso, alcançava 175 km/h de velocidade máxima, valores impressionantes para um 1300 cc em 1968! Desta forma, as versões Stradale do GTA eram automóveis que maximizavam o prazer de condução, prontos a serem explorados por condutores exigentes que gostavam de conduzir na estrada um veículo com características que o aproximava de um automóvel de corrida. Mas o GTA era também uma excelente base de preparação, com enorme potencial de desenvolvimento para competição, nomeadamente através da Autodelta, o departamento de competição da marca sob o comando de Carlo Chiti. Foi, efetiva-mente, esse o ambiente onde mais frequentemente podia ser observado nos anos 60 e 70 do século passado, pois a maior parte dos exemplares produzidos teve as pistas como destino. Mas não todos... A RéPLICA NACIONAL GTA Entretanto, como os originais são tão raros, caros e até preciosos, uma das formas de podermos experimentar as delícias de um Alfa Romeo Giulia Sprint GTA passa por construir uma (boa) réplica, como é o caso do Alfa Romeo GTA que conduzimos; esta foi mesmo realizada em Portugal com base num 1300 GT Junior de 1968. O objetivo era “fazer” um carro que exteriormente se apresentasse totalmente fiel às características que diferenciavam O GTA 1600, mas que a nível mecânico seguisse uma via diferente, ainda que mais “apimentada” que o original Alleggerita, mais próxima dos mais de 170 cv de potência da versão de competição, até para compensar (vá, pelos menos nas retas) o peso da carroçaria que se manteve em aço. Através de moldes medidos e realizados com base num GTA original que se encontra em Portugal, foram desenhadas e abertas as duas entradas de ar suplementares na frente do carro e colocadas as respetivas pequenas grelhas. A grelha do Junior foi substituída pela rede metálica específica, bem como colocado o scudeto GTA. Os puxadores de porta foram substituídos pelos do GTA, também com posicionamento corretamente efetuado através de molde copiado do original. Foram colocadas as jantes Campagnolo, OS autocolantes Quadrifoglio nos guarda-lamas e a sigla Giulia Sprint GTA na traseira, a dar o toque final na carroçaria pintada na Cor bianco spino 013. Ao nível dos interiores, foram colocados os bancos com maior apoio semelhantes aos do GTA, as luzes de interior específicas e o belíssimo volante Hellebore. Desta forma, obteve-se uma réplica fiel no que se refere ao exterior (foi naturalmente mantida a carroçaria em aço) e aos seus elementos específicos, bem como 10 que respeita aos componentes interiores que caracterizavam aquela versão especial. Relativamente à mecânica, optou-se pela colocação do motor bialbero de 1962 cc, obtendo-se assim uma relação peso/potência idêntica ao GTA 1600 original. E à mecânica 2 litros ainda foram efetuadas as seguintes alterações: jogo de pistons e camisas de alta compressão; ignição eletrónica; bomba de gasolina elétrica; filtros de ar KN; sistema de escape completo específiCO GTA, desde os coletores à panela final. As alterações permitiram aumentar a potência para a casa dos 150 CV DIN, com uma taxa de compressão de 11:1. O ambiente a bordo transmite-nos aquela agradável sensação de viajar no tempo, com todos os comandos e acessórios bem à mão do condutor: os bancos simples, mas envolventes e com excelente apoio late-ral para a época; o comando da caixa de velocidades numa posição elevada (típica dos coupé Bertone), que proporciona um manuseamento perfeito; e o belo volante desportivo em madeira e alumínio exclusivo dos GTA. Ao rodar a chave de ignição (do lado esquerdo do volante..como OS Porsche bons), percebemos de imediato a vontade do motor em subir de rotação, acompanhada por aquele cantar tão característico do bialbero Alfa Romeo. Fazemos a vontade ao GTA e, depois dos fluídos estarem na temperatura ideal, começamos a explorar as sensações e as suas qualidades dinâmicas. A primeira coisa que percebemos, e em comparação com outros coupé Bertone que já conduzidos, é a facilidade com que o carro ganha andamento, demonstrando a mais valia das alterações introduzidas no motor 2 litros. Subindo o ritmo, o GTA corresponde, e começamos a perceber que as curvas chegam mais rápido do que indica a nossa habitual formatação mental na condução de um clássico dos anos 60! O ritmo vivo é correspondido (e permitido) pelo equilíbrio do conjunto, onde se destaca a capacidade de curvar com confiança, acompanhada por uma direção comunicativa, que reage impecavelmente ao nosso comando. A caixa de velocidades de manuseamento rápido, dá o contributo essencial para uma condução divertida, ao ser um elemento que está sempre ali para nos ajudar a explorar a rotação sem hesitações. O excelente manu-seamento da caixa é, aliás, uma característica comum a toda a família Giulia 105 da Alfa Romeo. ê mesmo algo que todo o petrolhead tem de experimentar! Por fim, fica aqui um agradecimento ao Fernando Taborda pela experiência, proprietário desta magnífica réplica GTA. 0 GTA ORIGINAL PORTUGUS Mas também temos um GTA original entre nós.com base no atual conhecimento, existe apenas um GTA original em Portugal, trata-se do carro da coleção particular de Manuel Ferrão , O Alfa Romeo Giulia GTA chassis #613338, do qual deixamos aqui a história para memória futura. Através da rigorosa pesquisa e sistematização de toda a informação histórica disponível, realizada pelo nosso amigo jornalista Adelino Dinis, o atribulado passado deste automóvel está hoje muito bem documentado; sendo uma Diva italiana nem podia faltar alguma ópera. Produzido em 1966 na fábrica Alfa Romeo de Portello, em Milão, veio para Lisboa para o concessionário Mocar, onde foi registado a 2 de março de 1966 em nome do importador, com a matrícula FG-35-68. A 1 de julho a propriedade do GTA passou para Luiz Passanha, com ligações familiares à Mocar na época, que manteve o carro durante pouco mais de um ano. O próximo proprietário, Jorge Soares Mendes, já tinha experiência em provas de automobilismo. Começou a competir em 1964 com o seu carro do dia-a-dia, um Alfa Romeo Giulietta Spider, participando, por exemplo, em Montes Claros, nas provas de Grande Turismo. Após cada corrida, Soares Mendes recolocava os pára-choques, retirava os autocolantes e o seu Giulietta Spider estava pronto para o levar até ao Instituto Superior Técnico, onde estudava engenharia mecânica. Em 1966, o piloto português Carlos Gaspar estreou um novo Giulia GTA de competição, ano em que venceria o campeonato nacional de viaturas de turismo com esse carro. O sucesso de Carlos Gaspar levou a que Jorge Soares Mendes, um entusiasta da Alfa Ro-meo, desejasse também ele competir ao volante de um GTA, a nova estrela da marca italiana para as provas de circuito. Esse sonho foi concretizado em 1967 ao comprar O FG-35-68 a Luiz Passanha. Como fizera com o Giulietta Spider, Soares Mendes passou então a conduzir o Giulia GTA no dia-a-dia, participando com o carro em ralis de nível amador. Em 1968, surgiu a oportunidade de experimentar corridas em circuito com O GTA. O circuito da Granja do Marquês era uma pista ideal para novos pilotos, e o programa tinha corridas para estreantes, pilotos experientes e veteranos. Dada a sua experiência anterior com o Giulietta Spider, Soares Mendes inscreveu-se na corrida de carros de turismo. Esta prova fazia parte do campeonato nacional, e o GTA competia contra carros como OS Ford Cortina Lotus, Escort Twin Cam muito bem preparados e vários Mini Cooper S. Nesta estreia, Soares Mendes realizou uma corrida muito consistente, terminando na 8a posição. Regressou a casa feliz e realizado, com um carro pronto a cumprir a sua rotina diária à segunda-feira. Soares Mendes sabia que o seu GTA poderia ser preparado para ser um carro de competição completo e, inspirado pelo GTA de Carlos Gaspar, pintou as jantes de branco, para uma maior semelhança com um carro de corrida, mas modificá-lo mais não estava nos seus planos, pois pretendia continuar a usá-lo como carro do dia-a-dia. A cor particular das jantes deu origem a um episódio muito interessante, quando no final da década de 60 um amigo de Soares Mendes lhe enviou um postal turístico de Lisboa, com a nota “Passeando pela Praça do Saldanha, não é?..”, onde graças às jantes brancas é possível identificar o GTA no belo cenário da foto-grafia apanhada para tal momento lisboeta! Soares Mendes vendeu o seu GTA em 1971 ao stand de automóveis de António Ferreira de Almeida, que por sua vez o vendeu a um piloto da TAP, Vasco André Lopes, que apenas o passou para seu nome em 1976, dado que na época não era obrigatório registar um carro logo após a compra. Em 1984 foi comprado por Xavier Moreira, conhecido preparador e piloto Alfa Romeo, que o manteve até ser vendido a Manuel Ferrão, em 1994, novamente com a intermediação do comerciante António Ferreira de Almeida. Na altura, embora o carro estivesse muito completo, já necessitava de um restauro integral. Manuel Ferrão encomendou esse serviço a vários especialistas, que com o seu trabalho devolveram O Giulia GTA à sua condição original. Em 2008, Manuel Ferrão vendeu O GTA a José Carlos Abreu Barros, outro entusiasta Alfa Romeo, que o manteve durante cinco anos, até ser de 1ovo comprado para a coleção particular de Manuel Ferrão, onde se mantém atualmente. Este especial e original Alfa Romeo Giulia GTA, chassis #613338 “matching numbers”, permanece hoje como testemunho de toda a atenção e cuidados que recebeu ao longo da sua vida. As jantes continuam pintadas de branco, como homenagem a0 segundo proprietário, Jorge Soares Mendes, e às aventuras nas corridas. // NESTAS PàGINAS APRESENTAMOS DUAS FORMAS DE VIVER UM GIULIA GTA, A EXCELENTE RêPLICA DE FERNANDO TABORDA E 0 ORIGINAL #613338 COM HISTORIAL DE COMPETIçàO NACIONAL DA COLEçàO DE MANUEL FERRàO O ALFA ROMEO GIULIA GTA ORIGINAL é HOJE TãO RARO E PRECIOSO QUE A MElHOR FORMA DE SENTIRMOS A EXPERIÊNCIA DE CONDUZIR UM COM ABANDONO é ATRAVÉS DE UMA RÉPLICA, SEJA ELA MAIS NORMAL (EM AçO) OU MAIS FIEL (CARROçARIA EM ALUMiNIO) TODOS OS CONSTRUTORES DE AUTOMiVEIS SABEM QUE A MELHOR FORMA DE AUMENTAR A PERFORMANCE DINÂMICA E A EFICI?NCIA DE UM VEiCULO é TIRAR PESO. BEM.. HOJE EM DIA, ALGUNS DESTES ESTãO UM PoucO ESQUECIDOS. MAS SIM, 0 SEGREDO DO GTA ESTÁ NO "A" DE "AlLEGGERITA" (ALIGEIRADA) O MOTOR DO GTA USA O MESMO BLOCO DE 1570 CC E QUATRO CILINDROS D0 GIULIA SPRINT 1600, MAS COM VâRIAS ALETERAçOES. A CABEçA DE DUPLA IGNIçâO TEM DUAS VELAS POR CILINDRO, COMPRESSâO ELEVADA DE 9,0.1A9,71, CARBURADORES WEBER 45 DCOE E ESCAPE TIPO 4-2-1 A CARROçARIA EM FOLHA DE ALUMINIO (DE ESPESSURA FINA) E UMA ATITUDE MINIMALISTA CONSEGUIRAM RETIRAR UNS MASSIVOS 200 KG AO PESO DO ALFA ROMEO GIULIA SPRINT GTA 1600, UMA REDUçáO SUPERIOR A 22%! E ISSO Vá QUE DHOMEM! NOS ANOS BO E 70 PILOTAR UM GIULIA GTA DE COMPETIçãO NUMA CORRIDA DE CARROS DE TURISMO ERA QUASE SINONIMO DE VITORIA, EXCETO SE EXISTISSEM MAIS UNIDADES NA GRELHA E/OU FOSSEMOS PILOTOS ASSIM PARA 0 TOSCO (TANSOS MESMO) | ALFA ROMEO GIULIA GTA (REP.) MOTOR Tipo 44 cilindros em linha, dupla árvore de cames à cabeça, 2xWeber 45 DCOE, 1962 cc, compressão 11:1, ignição eletrónica Potência 150 CV às 6000 rpm Binário 200 Nm às 3500 rpm transmissão Tração traseira, autoblocante; cx. man. 5 vels. CARROçARIA/CHASSIS Aço estampado DIREçaO Caixa de direção tipo sem-fm TRAVAGEM Discos ventilados de 272 mm à frente Discos ventilados de 267 mm atrás DIMENSoES Comp. 4089 mm Larg. 1575 mm Alt. 1321 mm Distância entre eixos 2350 mm Peso ~1000 kg (DIN) Depósito de combustível 52 litros Pneus 185/70 R14 PRESTAçoES Velocidade 200 km/h 0-100 km/h 8 seg. CONSUMOS 10 a 22 I/100 km PREçO/COTAçaO De 30 000 a 100 000 euros (réplica) AVALIAçaO AUTO DRIVE KhNRZ Orlando Ferreira