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CARRO DO ANO - PORTUGAL, UM MERCADO AUTOMÓVEL EM TRANSFORMAÇÃO

Expresso

2026-02-06 22:05:11

Híbrido recarregável cresce, mesmo sem apoios Antigamente, o mercado automóvel português era simples: 200 mil ligeiros vendidos por ano, a maior parte dos quais a diesel. Em meia dúzia de anos o panorama mudou: queda do gasóleo, subida das motorizações híbridas, superando a gasolina, consolidação dos elétricos e subida da bicarburação (GPL+gasolina). Num recente encontro com os jornalistas, Luís Mateus, diretor-geral da Skoda Portugal, apresentou uma previsão relativa ao ano em curso, para a qual vale a pena olhar. Os carros mais vendidos deverão ser a gasolina (31,5%), mas para este resultado deverão contribuir as viaturas das empresas de aluguer (rent-a-car). Seguir-se-ão os híbridos recarregáveis em andamento (18%). Ainda que gastem e poluam menos, não têm benefício fiscal. Contudo, parecem ser os preferidos dos particulares. Pouco abaixo, os híbridos car-regáveis na tomada (PHEV), mais caros mas beneficiados fiscalmente e preferidos pelas empresas como carros de serviço. São ainda mais frugais e ecológicos, contanto que os seus condutores os voltem a carregar quando a bateria se aproximar do zero. Os 100% elétricos poderão representar 22,1% das vendas em 2026. Parte importante deste contingente pertencerá às empresas e serviços públicos, as primeiras para melhorarem a sua notação de sustentabilidade e os segundos cumprindo diretivas governamentais. E, claro, um ou outro cliente particular que faça esta opção. Significativa é a parte que poderá ser ocupada pela bicarburação (motores podendo gastar GPL ou gasolina), solução interessante para quem faça muitos quilómetros e queira fugir do diesel. A oferta restringe-se a três marcas: Renault, Dacia e Mitsubishi (neste caso, usando modelos derivados dos do construtor francês). Finalmente, o gasóleo, provavelmente reduzido a 5,8% do mercado. ardoso.expresso@gmail.con BYD Atto 2 Confort Compacto e com fôlego Sendo certo que a BYD tem produtos de maiores dimensões e apontando ao topo de gama, é nos segmentos baixos e intermédios que pode vir a marcar pontos decisivos. Como oferta citadina tem o Dolphin de que vos falei na edição anterior. E no que respeita aos SUV compactos tem o Atto 2, bastante renovado relativamente à versão de há dois anos. Prova de que a aposta da marca chinesa passa muito por aqui, o recente lançamento de uma nova versão híbrida recarregável à corrente (PHEV). De facto, quando nos sentamos neste carro e o começamos a conduzir, uma das primeiras coisas que vem à cabeça é algo como: “Esta carroçaria em versão híbrida é que era.” ê caso para dizer, meu dito, meu feito. E, se a aversão elétrica parece ter sido concebida para agradar aos europeus (a que cresce um preço começando nos EUR31.000), mais agradará a híbrida, que só dependerá de um preço atrativo para se conseguir impor. Para já contentemo-nos com a motorização 100% elétrica, capaz de percorrer até 430 km. Jeep Compass F. Edition Uma linhagem ilustre Como disse o general Eisenhower, comandante das forças aliadas na Europa (1943/45) e depois Presidente dos EUA (1953/61), se os americanos ganharam a II Guerra Mundial devem-no ao cargueiro Liberty Ship, ao avião de transporte c-47 (ou DC-3 Dakota) e aojipe Willys. Este último, um prodígio da engenharia de Detroit, tinha uma lendária fiabilidade e capacidade de chegar a (quase) todo o lado, cumprindo as mais diversas missões: reconhecimento, acompanhamento da infantaria mecanizada, transporte de feridos (o capô podia acomodar uma maca), etc. O nome Jeep tornou-se lendário e, até aos nossos dias, sinónimo de aptidão todo o terreno. Depois de muitas voltas, a marca acabou por ser integrada no construtor eu-ropeu Stellantis, o que, se do ponto de vista do aspeto exterior dos carros não lhes tirou alguma originalidade, fê-los beneficiar das economias de escala possibilitadas pelo uso das mesmas plataformas que Peugeot, Citroên, etc. e diferentes motorizações: híbrida, PHEV e 100% elétrica. Toyota BZ4X Lounge Eletrificar em força Quando olhamos para o novo Toyota BZ4X sentimo-nos a viajar no tempo e a reviver o filme de 1989, realizado por Joe Johnston: “Querida, desta vez não encolhi os miúdos, eletrifiquei o RAV 4.” De facto, este 100% elétrico da marca japonesa remete, tanto pelo gabarito como pelas formas gerais, para o mais conhecido SUV da Toyota, O RAV 4. A única diferença sensível é o volante, significativamente mais pequeno, quase como o de um carro de competição. Tendo motor elétrico, não destoa em termos de desempenho do RAV 4 com motorização híbrida. A principal diferença reside na autonomia, já que este último pode percorrer perto de mil quilómetros sem reabastecer, enquanto O BZ4X se queda, na melhor das hipóteses, pelos 560 km, na versão com a bateria mais potente (73,1 kWh). A grelha de preços fala por si. Começa nos EUR44.990 (bateria de menor capacidade 57,7 kWh) e acaba, na versão Lounge, a que concorre a Grande SUV do Ano, nos EUR54.590. Pisca o olho ao condutor europeu Aqui está um carro chinês que quase parece ter sido projetado na Europa. Poucas fantasias tecnológicas: o motor pega de botão e as portas abrem com o comando (ou com um pequeno botão na porta do condutor se tivermos o dito comando no bolso). Um bem pensado ecrã central pequeno na linha de visão do condutor, ainda que com algarismos demasiado pequenos. E, sobretudo, um consumo elétrico notável: se na estrada e autoestrada nos ativermos aos limites legais de velocidade, os anunciados 430 km de autonomia (bateria de 64,5 kWh) revelam-se absolutamente credíveis. Cada motorização, seu paladar Com o novo Jeep Compass o embaraço está na escolha. Para a mesma carroçaria o cliente pode escolher: 100% elétrico, mínihíbrido e híbrido carregável na tomada (PHEV). E se quiser fazer TT (senão porque compraria um jipe e não uma berlina ou um monovolume?) há uma versão (curiosamente elétrica, sendo a tração integral proporcionada por um motor em cada eixo) preparada para o efeito, designada como 4xe com maior altura ao solo e proteção inferior reforçada.com respeito a preços, varia dos 39 aos 51 mil euros, respetivamente para a versão míni-híbrida ou para a 4x4 de motorização elétrica. Abaixo do SUV elétrico, o quê? A filosofia da Toyota é conhecida: não há uma única solução, mas várias. Aposta nas motorizações híbridas, sobretudo as recarregáveis em andamento. Tem também desenvolvido 100% elétricos, seja nas pick-ups seja nos SUV. Exemplo disso O JBZ4X, um carro que dá gosto guiar, mas que pouco ou nada contribui para a democratização do automóvel não poluente. Para os citadinos, a Toyota aposta numa motorização híbrida de baixas emissões, que só não será um campeão de vendas em Portugal porque o fisco penaliza este motor, não por poluir, mas por ter 1500 cm3 de cilindrada... BYD ATTO 2 COMFORT Forma SUV, 5 portas, 5 lugares Preço-base EUR30.886 PVP EUR37.990 Motor Elétrico síncrono de ímanes, blade battery LFP 64,8 kWh Potência 204 cv Binário 310 Nm Velocidade máxima 160 km/h Aceleração 7,9 seg. (0-100 km/h) Bagageira 450 1 mprimento/largura/altura 4,31/1,83/1,68 m Autonomia 430 km Carregamento 7 h (corrente alterna trifásica, 11 kW); 25 min. (corrente contínua, até 155 kw, de1 10 a 80%) JEEP COMPASS FIRST EDITION MHEV Forma SUV, 5 portas, 5 lugares Preço-base EUR32.707 PVP EUR41.000 Motor Gasolina de 1,2 litros+motor elétrico de 28 cv+ bateria 0,9 kWh Potência 145 cv Binário 240 O Nm Velocidade máxima 200 km/h Aceleração 9,2 seg. (0-100 km/h) Bagageira 550 omprimento/largura/altur 4,55/1,90/1,70m Consumo combinado 5,7 (1/100 km) Emissões comb. de co2 129 (g/km) TOYOTA BZ4X LOUNGE Forma Suv, 5 portas, 5 lugares Preço-base EUR44.382 PVP EUR54.590 Motor Elétrico síncrono de magneto permanente, bateria iões lítio, 73,1 kWh Potência 2246 ! cv Binário 269 Nm Velocidade máxima 160 km/h Aceleração 7,4 seg. (0-100 km/h) Bagageira 452 1 omprimento/largura/altura 4,69/1,86/1,65 m Autonomia combinada 511 km Carregamento 3h30 (corrente alterna, 22 kW); 28 minutos (de 10 a 80% em corrente contínua) RUI CARDOSO