CARROS ELÉCTRICOS SERÃO MAIS BARATOS QUE A COMBUSTÃO DENTRO DE 5 ANOS, DIZ CEO DA VOLVO
2026-02-09 22:05:35

Os automóveis eléctricos ainda são mais caros do que os equipados com motores a combustão, mas o CEO da Volvo prevê que, dentro de 5 anos, os modelos a bateria sejam mais baratos. E explica porquê. A Volvo foi um dos primeiros construtores a apostar numa viragem completa rumo aos veículos eléctricos, comprometendo-se a comercializar exclusivamente modelos a bateria a partir de 2030, objectivo que se viu obrigada a reformular com a “marcha-atrás” que a Comissão Europeia realizou sob pressão da Alemanha, em defesa dos fabricantes locais. Apesar das mudanças impostas, o construtor nórdico continua apostado nos veículos zero emissões e, àqueles que os acusam de serem mais caros do que os modelos a gasolina, o fabricante sueco responde que isso vai mudar e muito em breve. O CEO da Volvo, Hakan Samuelsson, avançou à publicação The Drive que, dentro de cinco anos, os veículos eléctricos serão muito provavelmente mais baratos do que os modelos equivalentes animados por combustíveis fósseis. E, como que para dissipar dúvidas, Samuelsson afirmou mesmo que, neste momento, os Volvo eléctricos já são uma fonte de lucro e que o construtor sueco do grupo chinês Geely seria menos lucrativo sem os modelos a bateria. Samuelsson avançou ainda que não é que os eléctricos sejam já tão lucrativos como que as modelos a combustão, mas de facto já dão lucro à marca e tudo aponta para que se tornem cada vez mais rentáveis. Para isto a Volvo contará em parte com a redução do custo das baterias , prevê-se a chegada para breve ao mercado de tecnologias que vão tornar os acumuladores mais seguros e baratos -, bem como de formas mais rápidas e acessíveis de fabricar automóveis, recorrendo por exemplo ao gigacasting, um tipo de prensas que a Tesla já utiliza. O CEO da Volvo admitiu que, apesar dos grandes prejuízos infligidos pela Polestar, também controlada pelo grupo Geely, o que influenciou negativamente os resultados da Volvo e levou a marca a vender à Geely grande parte dos 62,7% que detinha do jovem construtor (reduzindo-os para somente 18%), o construtor sueco não se desviou do objectivo de se tornar uma marca exclusivamente eléctrica. E a decisão da Europa em atrasar a morte dos veículos a combustão apenas fez derrapar ligeiramente os planos de Samuelsson, que fez deslocar de 2030 para uns (poucos) anos mais tarde a meta, já anunciada, de produzir apenas carros a bateria. O gestor à frente da Volvo congratula-se por conseguir comercializar todos os modelos eléctricos que fabrica sem ter de recorrer a descontos exagerados que reduzem a margem de lucro, ao contrário do que acontece com outros concorrentes. De recordar que a Volvo oferece hoje, na Europa, uma gama composta por sete modelos eléctricos e outros tantos com mecânicas a combustão, sendo que nenhum destes últimos é tão avançado ou figura entre as referências do mercado. De acordo com a Agência Internacional de Energia, sediada em Paris, os veículos eléctricos têm de momento um preço 45% a 50% superior quando comparados com modelos equivalentes a combustão, admitindo contudo que isto varia consoante as ajudas estatais e incentivos. A realidade é que na China, por exemplo, a paridade entre veículos a combustão e eléctricos já foi conseguida - pelo menos entre os modelos de menores dimensões, com menos potência e menor capacidade de bateria -, à custa do poder local ter iniciado mais cedo a aposta nesta tecnologia, financiando todo o esforço de investimento inicial destinado a democratizar a tecnologia entre os construtores chineses e proporcionando-lhes, ainda, o acesso (com custos reduzidos) a baterias cada vez melhores e acessíveis, entre outros trunfos. Muitos concorrentes da Volvo apostam relativamente pouco nos modelos exclusivamente eléctricos e preferem colocar todas as fichas nos híbridos plug-in, uma vez que isto lhes permite recorrer às velhas fábricas e velhos chassis, para continuar a vender essencialmente os mesmos veículos, com maiores margens de lucro. Já a Volvo conseguiu propor um EX60 que rivaliza com o Model Y, o SUV eléctrico mais vendido globalmente neste segmento, e dotá-lo com um preço competitivo e uma autonomia recorde de 810 km em WLTP. E o facto de a Volvo poder associar os seus trunfos tradicionais (luxo, qualidade de construção e segurança) ao grande potencial da Geely na tecnologia eléctrica, em matéria de plataformas, baterias e sistemas de gestão, permite que os modelos eléctricos do construtor sueco figurem entre os mais avançados do mercado, especialmente na rapidez de carregamento e, como referido, na distância que é possível percorrer entre recargas. [Additional Text]: Hakan Samuelsson regressou à liderança da Volvo para desacelerar a transformação da marca num construtor exclusivamente de veículos eléctricos, que esteve agendada para 2030. Afirma que, muito em breve, os veículos eléctricos serão mais baratos do que os equipados com motores a combustão Alfredo Lavrador