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NÃO É SÓ ELÉTRICO. CONDUZIMOS O NOVO MERCEDES-BENZ CLA A GASOLINA

Razão Automóvel Online

2026-02-09 22:05:40

O novo CLA ia ser só elétrico, mas a Mercedes-Benz mudou de planos e acrescentou motores a gasolina com apoio elétrico. Mercedes-Benz CLA 200 4Matic Primeiras impressões 8/10 Não há ansiedade de autonomia no Mercedes-Benz CLA a gasolina, mas o elétrico é mais refinado. Prós Design desportivoInfoentretenimento evoluídoCapacidade de rodar em modo 100% elétricoComportamento competenteConsumos Contras Habitabilidade traseiraBagageiraMotor ruidoso em cargas elevadasSeletor de passagem de caixa no volante Foi utopia de muitos e a Mercedes-Benz não foi exceção: morte aos motores de combustão e aposta exclusiva na propulsão elétrica, mais limpa e mais silenciosa. Mas, tal como quase todos os fabricantes, também a marca da estrela se estatelou ao comprido com essas intenções e teve de refazer as contas. Foram adiadas gamas totalmente elétricas e voltaram a avançar as versões com motores a gasolina, obrigando os talentosos engenheiros da Mercedes-Benz a empenhar-se na inversão do seu trabalho dos anos anteriores. © Mercedes-Benz Ao contrário dos CLA elétricos, o CLA a gasolina mild-hybrid não tem uma grelha totalmente fechada, por necessidade de refrigeração do motor a gasolina. E, claro, tem uma saída de escape, ainda que esta esteja dissimulada. Se no início desta década tinham pegado nas plataformas de veículos a combustão e as prepararam para serem a base de carros elétricos (mesmo com compromissos), agora trabalharam na nova plataforma MMA (originalmente concebida apenas para elétricos) para que pudesse integrar um motor de combustão. O resultado é bem conseguido - tanto a nível visual como técnico -, porque o Mercedes-Benz CLA com motor de combustão é praticamente igual ao irmão elétrico. Mas debaixo do capô do CLA, em vez de uma pequena bagageira, há um motor a gasolina turbo de quatro cilindros e 1,5 litros. Motor que é produzido pela Horse (joint venture do Grupo Renault e Geely). Tecnicamente muito diferente O CLA elétrico é um modelo de tração traseira (à exceção do 350 4MATIC, que acrescenta um motor sobre o eixo dianteiro), e coloca a bateria de 58 kWh ou 85 kWh entre os dois eixos. O Mercedes-Benz CLA a gasolina mild-hybrid difere bastante: é de tração dianteira, mas também pode ter tração integral. Em Portugal estão disponíveis apenas as versões de tração dianteira, CLA 180 (156 cv e 280 Nm) e CLA 220 (211 cv e 380 Nm). Não conduzi nenhum dos dois, mas apenas p CLA 200 4MATIC, de tração às quatro rodas, com 184 cv e 330 Nm. Sem dúvida, a versão mais adequada para o local deste primeiro contacto, nos Alpes austríacos, cobertos de neve. Sendo mild-hybrid, este CLA equipa um sistema elétrico de 48 V que inclui um motor com 22 kW (30 cv) e um módulo de bateria com uma capacidade de apenas 1,3 kWh. Tal como no elétrico, também o Mercedes-Benz CLA a gasolina tem uma aerodinâmica apurada. Tem soluções como as extremidades rebaixadas, proteções inferiores da carroçaria, pequeno aileron sob a tampa da bagageira e os puxadores das portas à face da carroçaria contribuem para um coeficiente aerodinâmico (Cx) de referência - deverá rondar os 0,23-0,24, um pouco acima dos 0,21 do CLA elétrico). O que é muito importante para baixar consumos, como mostram os números oficiais dessa versão: 5,7 l/100 km e uma autonomia a rondar os 900 km, graças também a um depósito de 51 litros montado na traseira. Fica por confirmar em Portugal estes consumos baixos. Na estrada coberta de neve Abrir a porta, entrar, ligar o motor quase como o CLA elétrico. Com um simples toque no botão de arranque, o motor de combustão de 1,5 litros dá sinais de vida, mostrando-se pronto a entregar 163 cv nesta versão 200 intermédia. O motor elétrico Considerando as temperaturas invernais nas quais decorreu esta experiência dinâmica e as condições da estrada (cobertas de neve, normal no inverno nos picos da Europa), o facto de a potência do motor ser transmitida aos dois eixos através de uma (suave e decidida) caixa de dupla embraiagem de oito velocidades é uma importante vantagem. Na descida da montanha de Hochgurgl - dos 2150 m para os 1700 m de altitude -, quase na fronteira da Áustria com a Itália, a tração integral (envia até 40% da potência para as rodas traseiras) e os pneus de inverno dão aquele importante acréscimo de tração (e de confiança) para quem está menos familiarizado na condução destes pisos mais escorregadios. A suspensão revela um acerto criterioso, equilibrado entre conforto e estabilidade, com a reduzida altura da carroçaria a dar uma ajuda neste último caso. É claro que fazer curvas a altas velocidades não é algo que se possa fazer nestas condições climatéricas - tão ou mais contra-indicado do que fazer uma corrida de 100 metros barreiras de saltos altos -, mas os sinais de competência dinâmica estão cá. Tanto na direção, suficientemente direta e precisa, como na travagem, sem pedal esponjoso no tato, como noutros modelos no passado recente da Mercedes. © Mercedes-Benz Perde-se a frunk do elétrico, ganha-se um motor a gasolina turbo e uma caixa de dupla embraiagem de oito velocidades. A resposta do motor convence logo desde os regimes iniciais. Apesar das quase 1,8 toneladas de peso do Mercedes-Benz CLA 200 4Matic - não são apenas os elétricos que são muito pesados -, o 1.5 turbo é capaz de movê-las com agilidade. Ainda que não tenhamos guiado a versão de entrada CLA 180 - com apenas 156 cv - fica a ideia de que o 200 devia ser considerado o ponto de acesso mais adequado ao mundo CLA, com o seu rendimento aceitável de 184 cv (combinação de 163 cv a gasolina com 30 cv elétricos). Demora 7,9s de 0 a 100 km/h, atinge os 228 km/h de velocidade máxima e acelerações intermédias ajudadas pelo empurrão elétrico. Descubra o seu próximo automóvel: Motorização tem margem de progresso Mas, muitas vezes, o que é menos fácil de aceitar não é o quanto mas o como. Mesmo com uma resposta interessante, o ruído pouco refinado do motor do Mercedes-Benz CLA a gasolina perturba. Principalmente se nos lembrarmos que há uma orgulhosa estrela a brilhar no capô. Em cargas de acelerador mais altas o motor entra demasiado no habitáculo com uma sonoridade que pode ferir tímpanos mal habituados ao que se costuma ouvir dentro de um modelo da marca alemã -que continua a ser sinónimo de premium em todo o mundo. © Mercedes-Benz A paisagem é espetacular, mas as condições estavam longe de ser as ideais para testar os limites dinâmicos do CLA. Tentando olhar para “o copo meio cheio”, usar um motor de 1,5 litros é bom para a economia de combustível em cargas parciais e este motor não é mais ruidoso do que as unidades de três cilindros de 1,5 litros da BMW. Mas estava à espera de um refinamento acústico superior num carro que custa mais de 50 mil euros e que encontramos no CLA elétrico. Para além do som, a coordenação entre as fontes de energia (gasolina e elétrica) deixa, por vezes, a desejar. A transição nem sempre é suave, notando-se pequenas hesitações. Isto porque o sistema de propulsão aciona primeiro o motor elétrico, fazendo com que o carro se mova suavemente antes do motor de combustão arrancar. Só que este precisa de tempo para ganhar velocidade suficiente para superar o atraso do turbo. O ideal seria o oposto ou, quanto muito, arrancar com o motor de combustão e o elétrico em simultâneo. O condutor pode resolver a questão se selecionar o modo de condução Sport, o que faz com que o motor a gasolina esteja sempre ligado. Ganha em rapidez de resposta o que perde em economia de consumo. Mas, ao contrário do que acontece com a generalidade dos sistemas mild-hybrid, neste caso é possível um sailing elétrico, ou seja, o deslizar com o motor de gasolina desligado (graças a uma terceira embraiagem) desde que a potência requerida não supere os 30 cv e a velocidade não superior a 100 km/h. Bom para a cidade. Além disso, o sistema permite recuperar até 25 kW de energia nas oito velocidades. Por último, há que deixar uma crítica à decisão de trocar o sistema de patilhas atrás do volante para passagens de caixa por um seletor, também atrás do volante, que se empurra e puxa, muito menos intuitivo. Mas também deixo um elogio, porque a própria Mercedes-Benz já admitiu que irá voltar ao sistema anterior com a maior brevidade possível. Já disponível em Portugal Como mencionado acima, em Portugal não está disponível a versão 200 4Matic que conduzimos. Com motor a gasolina, só estão disponíveis os Mercedes-Benz CLA de tração dianteira, nas versões CLA 180 e CLA 220, com preços a partir de 48 150 euros e 51 200 euros, respetivamente. Tração integral só mesmo no CLA elétrico, na versão 350+ 4Matic, com 260 kW (354 cv) de potência e preços a começar nos 60 050 euros. Ainda sobre os preços, na versão elétrica mais barata, o CLA 200 com tecnologia EQ, fica apenas a 600 euros de distância (48 750 euros) do CLA 180 a gasolina. E é mais potente e rápido - 165 kW (218 cv) -, só não conseguindo acompanhar na autonomia, que é de 541 km. Veredito Mercedes-Benz CLA 200 4Matic Primeiras impressões 8/10 Apesar de tecnologicamente distinto, o elegante Mercedes-Benz CLA com motor a gasolina mantém muitas das qualidades do CLA elétrico: interior bem acabado e tecnologicamente sofisticado, mas também algo acanhado na segunda fila e bagageira a condizer (e sem frunk). Mas o comportamento é eficaz, as performances suficientes e os consumos são bastante comedidos. Só falta limar umas arestas ao nível do ruído do motor e das hesitações entre as transições da fonte de energia (combustão e elétrico). Prós Design desportivoInfoentretenimento evoluídoCapacidade de rodar em modo 100% elétricoComportamento competenteConsumos Contras Habitabilidade traseiraBagageiraMotor ruidoso em cargas elevadasSeletor de passagem de caixa no volante Especificações técnicas Mercedes-Benz CLA 200 4MaticMotor (combustão)Arquitetura4 cilindros em linhaPosicionamentoDianteiro transversalCapacidade1499 cm3DistribuiçãoDOHC / 16 válvulasAlimentaçãoInjeção direta, turboPotência163 cv às 5500 rpmBinário250 Nm entre as 1750-4000 rpmMotor (elétrico)Potência22 kW (30 cv)Binário200 NmCapacidade da bateria1,3 kWhRendimento total sistema130 kW (184 cv) TransmissãoTração4×4Caixa de velocidadesAutomática (8 vel.), dupla embraiagemChassisSuspensãoFR: Independente, MacPherson TR: Independente multibraçosTravõesFR: Discos ventilados TR: DiscosDireçãoAssistência eletricamenteDimensões e CapacidadesComp. x Larg. x Alt.4723 mm x 1855 mm x 1450 mmDistância entre eixos2790 mmCapacidade da mala405 lCapacidade do depósito51 lPneus205/55 R17Peso1770 kgDiâmetro de viragem11,2 mPrestações e consumosVelocidade máxima228 km/hVelocidade máxima elétrica100 km/h0-100 km/h7,9sConsumo misto5,2-5,7 l/100 kmEmissões de CO2119-130 g/km Joaquim Oliveira