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FORNECEDORA DE MOLDES DA BMW, PORSCHE E MERCEDES-BENZ "SALVA" ENTREGAS COM MÃO AMIGA DA CONCORRÊNCIA

Negócios Online

2026-02-13 22:08:58

O Grupo TJ Moldes perdeu duas das cinco fábricas, e 15 dias volvidos desde a tempestade operava a menos de 30% e somava visitas de clientes da indústria automóvel. As entregas têm sido possíveis muito graças a parcerias com concorrentes, mas há receio sobre as futuras encomendas. À entrada da Marinha Grande, a placa que a anuncia ainda está no chão, duas semanas depois de a tempestade Kristin a ter derrubado. Um prelúdio visual do que se vê a seguir numa zona industrial. Duas das cinco fábricas da TJ Moldes praticamente desapareceram, deixando um cenário comparável ao de uma guerra. Esse foi o paralelismo feito por uma empresa que fabrica na Ucrânia componentes para as máquinas da Nespresso depois de ver as imagens da TJ Moldes, que descreveu como semelhantes às das suas instalações, atingidas por mísseis russos no verão passado, conta Diana Duarte, responsável operacional da TJ Moldes. Esse contacto deu-se porque a Flex, na sequência do ataque, em agosto, pediu-lhes ajuda no fornecimento de moldes que, "por sorte", seguiram rumo à Chéquia, para onde a empresa americana deslocalizou a produção, horas antes de a natureza ter mostrado a sua força na Marinha Grande. O grupo tem quatro unidades - a TJ Moldes, a TJ Aços, a iTJ e a RTJ, as primeiras três dedicadas aos moldes, respetivamente, de pequena, média e grande dimensão, e a quarta aos plásticos, a única com a parte da injeção que permitia testá-los. Duas das cinco fábricas ficaram destruídas, mas nenhuma das restantes foi poupada pela tempestade. Com a exigente indústria automóvel como um dos principais clientes , da BMW à Mercedes-Benz até à Porsche , a TJ Moldes tinha o risco real de falhar a entregas, o que teria um efeito dominó nas cadeias de produção automóvel. E sofreu "pressão" à conta disso: em menos de duas semanas teve pelo menos três visitas de fabricantes, incluindo uma "surpresa" de um enviado da BMW. Mas deu a volta, apesar de todos os constrangimentos. Estava sem eletricidade , a operar abaixo de 30% com recurso a geradores que dão estabilidade para se ligarem as máquinas de alta precisão e em contínuos "remendos" , garantiu água graças a um furo próprio e também assegurou as telecomunicações após ter ido comprar uma antena Starlink a Espanha. "Estamos a conseguir dar resposta às encomendas que já tínhamos graças a parcerias que tivemos de criar" e que se traduzem na entreajuda de empresas vizinhas e que, na prática, até são concorrentes. "A Mariteste e Tecnimoplás são duas das empresas que nos cederam espaço e máquinas e uma disponibilidade quase de urgência, porque sabiam que tínhamos os moldes para fazer injeção", exemplifica. Os clientes acabaram por aceitar "pequenos atrasos" na entrega das encomendas, em face da dimensão da tragédia, mas são as futuras que agora suscitam preocupações. "Vamos ver se o mercado vai aguardar por nós. Como é que podemos garantir que o molde x vai demorar apenas 10/12 semanas, que é o nosso tempo médio, a chegar? Se calhar o cliente vai pensar um pouco antes de decidir entregar à TJ Moldes, mas quero acreditar que não e que tudo se vai resolver", diz Diana Duarte. Como é que podemos garantir que o molde x vai demorar apenas 10/12 semanas, que é o nosso tempo médio, a chegar? Diana Duarte Responsável operacional da TJMoldes Os prejuízos ainda estão a ser apurados, mas são na "casa" dos milhões, desde logo a olhar pelas fábricas que vieram abaixo e que precisam "no mínimo de um ano" para serem levantadas, porque trata-se de "começar do zero", sublinha a responsável da empresa fundada há 40 anos, que emprega 110 trabalhadores e tem uma faturação anual na ordem dos sete milhões de euros. A TJ Moldes já teve os primeiros contactos com os seguros, planeia recorrer a linhas de financiamento e vai avaliar a possibilidade de "lay-off", mas "ainda não fez nada nesse sentido porque não houve tempo. As prioridades têm sido outras", realça Diana Duarte. "Acho que não houve uma única pessoa que não tivesse chorado. Sobretudo para pessoas que estão cá há muitos anos é quase como se fosse a sua casa" . Mas, como em tudo na vida, há um lado positivo: "Se isto tivesse sido de dia provavelmente não estávamos cá". Olhando à volta, para as empresas da zona, Diana Duarte diz que o "pacote" de medidas provavelmente não será suficiente, embora reconheça a ajuda numa fase inicial e questiona: "Os apoios não são a fundo perdido. É uma dívida. Se o mercado não confiar em nós , e já havia instabilidade , como vamos pagar tudo isto mais à frente?" Os apoios não são a fundo perdido. É uma dívida. Diana Duarte Responsável operacional da TJMoldes     Diana do Mar dianamar@negocios.pt [Additional Text]: Fábrica do Grupo TJ Moldes afetada pela tempestade Diana do Mar