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JOÃO RODRIGUES: “FINANCIAMENTO DA CIRCULAR RODOVIÁRIA EXTERNA DE BRAGA É A GRANDE CONQUISTA”

Correio do Minho Online

2026-02-15 22:05:58

Presidente da Câmara Municipal de Braga faz balanço dos primeiros 100 dias de mandato. PDM, maior Orçamento de sempre e Circular Rodoviária Externa são as grandes bandeiras É um novo ciclo que se abriu, de olhos postos, claramente, “em melhorar a vida dos bracarenses” e “da cidade”. Cumpridos os primeiros três meses de governação - de um executivo municipal sem maioria absoluta -, o sentimento é já de vitória por tamanhas conquistas em tão curto espaço temporal. Em jeito de balanço dos primeiros 100 dias à frente da Câmara Municipal de Braga, o autarca João Rodrigues não esconde a satisfação pela aprovação de dossiers determinantes como o Plano Director Municipal (PDM) e o Plano de Actividades e Orçamento para 2026, o “maior de sempre” da história, com um bolo de 285 milhões de euros. “Estou a trabalhar para que haja mais obras e para que haja melhores condições de vida para as pessoas. Não significa que vamos descurar outras áreas da actuação do município. Mas temos que intervir na cidade e acho que, nestes primeiros 100 dias, demos uma prova bem provada de que estamos a trabalhar para isso, de que abrimos, claramente, um novo ciclo na cidade, que a minha forma de trabalhar e as minhas prioridades são prioridades muito diferentes dos mandatos anteriores. É sobre isso que quero trabalhar e, sobretudo, quero que as pessoas tenham a oportunidade de perceber que este trabalho que estamos a ter ainda não se evidencia, porque em 100 dias não se começam obras, não se começam variantes, metros ou parques urbanos, mas vão estar o mais rapidamente possível à disposição das pessoas e é isso que mais me importa”, con- fessou João Rodrigues, em entrevista ao Correio do Minho, Rádio Antena Minho e CMinhoTV, conduzida pelos jornalistas Rui Alberto Sequeira e Paulo Monteiro. Lembrando que com maioria relativa “é mais difícil aprovar coisas em reunião de câmara”, contudo, “a verdade é que nestes 100 dias devemos ter aprovado mais pontos em reunião de câmara do que no mandato anterior”, Rodrigues lamenta apenas “dois percalços pelo caminho”: um relativamente às obras de conservação do espaço público da Zona do Pópulo e outro relativamente ao Plano Director Municipal. “Duas propostas que foram apresentadas na reunião seguinte e, sem serem alteradas, nem uma, nem outra, numa vírgula sequer, foram aprovadas pela oposição”, frisou. Para além dos dossiers relativos ao PDM e Orçamento para 2026, a grande bandeira conquistada por João Rodrigues neste início de mandato foi a Circular Rodoviária Externa de Braga: “foi a aprovação do Plano Director Municipal, do Plano e do Orçamento, que é o maior orça- mento de sempre e que é o maior investimento sempre previsto, mas para mim, a grande conquista, embora seja uma conquista que ainda não esteja formalizada, mas politicamente temos já o aval e compromisso por parte do Governo, é o financiamento da Circular Rodoviária Externa de Braga. Confesso que não esperava, num tão curto espaço de tempo, conseguir o financiamento para a circular”, sublinhou o presidente, recordando que “há três, quatro meses” aquilo que se discutia “era o hipotético financiamento à Variante do Cávado, que é metade da Circular Rodoviária Externa”. “E aquilo que eu consegui foi o financiamento de toda a Circular Rodoviária Externa”, acrescentou. “A par do PDM, este sim, é para mim o elemento principal e, se calhar, foi a maior conquista destes 100 dias. Sem maioria absoluta, conseguir aprovar um Plano Director Municipal, um Plano de Actividades maior de sempre, lançar mais de 20 milhões de euros de obras de empreitadas, conseguir a garantia do Estado Central do maior investimento de sempre na área da mobilidade no concelho de Braga, suspender a intervenção do BRT no centro da cidade, garantir a ligação de Braga a Guimarães por BRT e a ligação de Braga a alta velocidade por BRT, se alguém achava que era possível fazer muito mais do que isto, que me diga como, que eu não sei”, revelou. Mobilidade é a prioridade da cidade e do executivo A grande conquista dos primeiros meses do mandato de João Rodrigues foi o financiamento de 80 milhões de euros, por parte do Estado Central, para a concretização do projecto da Circular Rodoviária Externa de Braga, que permitirá retirar cerca de 60% do trânsito no atravessamento do centro da cidade. Autarca garantiu total empenhamento para a execução da empreitada, que espera ver finalizada durante este mandato. “Quero terminar esta primeira fase, conhecida por Variante do Cávado, que é a ligação que já existe de Palmeira até Frossos e eu quero ligar de Frossos até Ferreiros, quero terminá-la em quatro anos. Vou fazer tudo para que isso seja possível, inclusive já nomeei uma equipa de missão dentro da própria câmara municipal, liderada por um dirigente bastante experiente, que compôs uma equipa composta por várias pessoas de várias áreas dentro do município, que tem prioridade na própria execução do projecto”, explicou o autarca, revelando que esta equipa de missão, dentro da câmara, tem “um aval do presidente de que deve ser dada prioridade a toda e qualquer instrução que seja dada pelo líder dessa equipa”. “É mesmo a nossa prioridade, porque temos noção que a grande prioridade, neste momento, da cidade, são as questões da mobilidade, são a grande preocupação que a cidade tem e, consequentemente, são a grande preocupação que eu e o executivo temos”, garantiu, lembrando que, numa segunda fase, a circular vai ligar o Nova Arcada à Serra do Carvalho, passando pelos Parques Industriais de Pitancinhos, Adaúfe e Navarra, “proposta nova que foi incluída neste PDM” e cujo “financiamento foi garantido agora”. 20 milhões para reparar vias e passeios Olhando à questão da mobilidade, qualquer condutor bracarense já se questionou sobre o mau estado das estradas, situação que tem merecido especial atenção do município, que já anunciou 20 milhões de euros para reparar vias e passeios. Perante as críticas dos buracos nas estradas, João Rodrigues faz uma cronologia da situação, que, diz, não surgiu repentinamente. “Primeiro, é importante perceber como é que chegamos a este ponto e há várias razões. Uma, e óbvia, tem a ver com as condições meteorológicas e aqui não há como escamotear, é no país e basta andarmos noutros concelhos para perceber. Ainda hoje [terça-feira], por exemplo, uma via da circular da cidade da responsabilidade da Infra-estruturas de Portugal alagou [Avenida António Macedo] e, de repente, a responsabilidade era da câmara, numa estrada que nem sequer é da câmara”, referiu, concordando que houve uma “sobreutilização das infra-estruturas existentes e um subdimensionamento”. “Houve mais gente a andar nas estradas em Braga, as estradas não sofreram intervenção, nem se criaram mais estradas nem alternativas e houve, manifestamente, um desinvestimento, ou um investimento que não foi condizente com as necessidades”, disse. Admitindo que o município vai ter “que intervir em muitas vias” e “umas de forma mais profunda”, dá conta de que “serão obras de muitos milhões de euros e com muitos meses de empreitada”, assim como outras “de forma mais rápida e mais de conservação imediata”. “Não tenho dúvidas, nem num ano vamos conseguir fazer tudo aquilo que queremos. Estamos a estudar um plano de intervenção com técnicos, inclusive a própria academia e a criar um grande grupo de trabalho. Mesmo dentro da câmara municipal, vamos reestruturar os serviços no seu todo, cuja proposta vai à próxima reunião de câmara. Neste momento, esse plano está a ser trabalhado, estudado, concretizado, mas só pode operar quando acabar de chover”. Um dos casos é no Pópulo, junto ao futuro museu da dst, obra que obriga à entrada e saída de camiões pesados todos os dias: “chove copiosamente, nós tapamos um buraco e não é passado um dia, nem passado 12 horas, é passado uma hora todo o material que colocámos para tapar o buraco já saiu. A única coisa que se podia fazer, neste momento, era encerrar a estrada, mas acho que essa também não é a solução”, sublinhou. João Rodrigues relevou ainda que através das plataformas GPS foram reportados, em Dezembro, mais de 2 mil buracos no concelho, número de reportes que quase triplicou e passou os “5 mil, no mês de Janeiro”: “Desses 5 mil reportes, praticamente 70% eram em vias da Infra-estruturas de Portugal, ou seja, em vias que não são da responsabilidade da câmara municipal e onde a câmara não pode operar. Já reunimos com a IP e há boa vontade. Nos próximos meses, entre Março e Abril, a IP conta repavimentar toda a Avenida António Macedo e depois, obviamente, salvaguardar outras áreas”, anunciou o presidente. “Não desisti do BRT, apenas puxei para a ligação a Guimarães e estação de TGV” A mobilidade já tinha sido o tema dominante da campanha eleitoral em Braga e João Rodrigues, agora no papel de autarca, volta a reforçar a prioridade neste dossier, aquele que considera mais urgente tendo em linha de conta a melhoria da qualidade de vida dos bracarenses, considerando que um município tem que “tratar dos problemas das pessoas” e “hoje o problema das pessoas passa muito pelo estado de espaço público”. Neste ponto, outra das decisões tomadas nestes primeiros meses de mandato foi a suspensão da linha vermelha do BRT, que não é prioridade do autarca perante os problemas de trânsito que se vivem em Braga: “essa linha mantém-se no Plano Director Municipal e na programação. Agora, para avançarmos com essa linha, precisamos de tirar automóveis do centro da cidade. E conseguimos isso através da Nova Circular Rodoviária Externa. Portanto, troquei foi as prioridades”. Defendendo a solução do BRT em zonas específicas do concelho e do território - “é natural que o BRT funcione em grandes rodovias e para grandes distâncias, geralmente para linhas rectas -” ao contrário “do que acontece no centro da cidade”, Rodrigues considera não ser “tão positivo num casco urbano com mais de 2 mil anos, como é o nosso caso e daí a minha decisão de suspender a linha vermelha do BRT, neste momento”. Questionado se esta mudança de paradigma dá razão à oposição, que criticava, na altura da campanha, o BRT, o edil foi peremptório: “a oposição, que agora está muito preocupada porque suspendi o BRT, não criticava a linha vermelha do BRT. Criticava toda e qualquer solução do BRT. Eu não abdiquei do BRT. Eu, pura e simplesmente, mudei o BRT de sítio, que é muito diferente. Aliás, consegui um investimento ainda maior do que tínhamos conseguido até agora”. E prosseguiu. “A minha prioridade é esta e acho que a população, em geral, percebeu de forma muito límpida aquilo que propus e aquilo que consegui que é não prejudicar de forma tão violenta o trânsito automóvel, neste momento, no centro da cidade, enquanto não temos uma alternativa, por exemplo, que impeça esses tais 60% de veículos de entrarem no centro da cidade. Depois, desses 60% dos veículos, 50% são só para atravessamento e, portanto, nós vamos evitar a entrada desses automóveis no centro da cidade. E aí sim, quando tivermos alternativas para o automóvel, conseguimos condicionar a circulação automóvel no centro da cidade, para favorecer a pedonalidade e os transportes públicos”, explicou. Revelando que não deitaram “75 milhões pela borda fora” com esta mudança, o presidente assumiu ter conseguido ir buscar “mais investimento, quer para a circular, quer para o próprio BRT na ligação a Guimarães”, que “nunca esteve em cima da mesa e nunca ninguém falou”. “Consegui garanti-la agora, assim como a ligação à estação de Alta Velocidade TGV e a circular. Comecei a entrevista por dizer que não esperava conseguir tão cedo a garantia de financiamento. Sobre aquilo que a oposição diz acerca dos meus actos, há coisas que eu tenho como certas: consegui o maior investimento de sempre de mobilidade do Estado Central, em Braga, consegui aprovar um Plano Director Municipal, consegui financiamento para uma Circular Rodoviária Externa, consegui alterar o BRT, porque são essas as minhas prioridades, não desisti do BRT, mas, simplesmente, puxei o BRT para a ligação a Guimarães para não andar no centro da cidade a perturbar a vida das pessoas. Consegui aprovar mais de 7 milhões de euros de empreitadas só em vias e, nas escolas, aprovei mais de 12 milhões de euros de empreitadas de renovação do parque escolar. Tudo em menos de 100 dias e com uma maioria relativa”. “Protecção Civil de Braga responde de forma plena e eficaz” Perante as intempéries que têm assolado o país e os efeitos devastadores em vários concelhos, João Rodrigues deixou uma palavra de tranquilidade e confiança aos bracarenses, deixando claro que “as pessoas não têm que estar preocupadas”, uma vez que a coordenação da Protecção Civil de Braga permite uma resposta “plena” em situação de emergência. “Uma catástrofe, por definição, é uma coisa fortuita que não se controla e que não se prevê. Mas eu não tenho dúvidas nenhumas que a nossa estrutura de Protecção Civil Municipal, com todas as entidades que a compõem, responde de forma plena e absolutamente eficaz àquilo que é suposto uma estrutura de Protecção Civil responder num território como é o nosso. Agora, há coisas que não conseguimos evitar, mas acho que isto basta olhar para o que se passa no país”, sublinhou o autarca, aproveitando para deixar uma mensagem de agradecimento às centenas de pessoas que trabalham nessas áreas e que, “todos os dias, estão no terreno a trabalhar para que as consequências deste mau tempo não sejam outras em Braga”. “Lembro que, em anos anteriores com muito menos chuva do que aquela que se está a verificar agora, tínhamos inundações nos túneis a toda a hora, tínhamos inundações na variante a toda a hora e este ano, conta-se pelos dedos das mãos as inundações que temos”, referiu. João Rodrigues deu conta de um “trabalho silencioso que ninguém vê, de limpeza das bermas das estradas, de limpeza junto das árvores, de limpeza das próprias vias, dos passeios, de desobstrução de canalizações, das águas pluviais, de previsão, de accionamento de meios do próprio município, dos serviços municipais e dos próprios bombeiros”, que “têm evitado muitas das más consequências que se têm verificado em territórios aqui à nossa volta”. E em caso de uma situação extrema atingir o concelho? “A nossa resposta, neste momento, dentro daquilo que é um grau de previsibilidade humano possa ser exigível a uma câmara municipal, é pleno, repito. As pessoas não têm que estar preocupadas. Agora, é óbvio que há situações e aqui não me refiro apenas só às questões meteorológicas, por exemplo, a questão do apagão em Julho passado. De repente, em meia hora, ficamos todos sem comunicações. Mas até nisso estamos a trabalhar”, revelou o autarca, anunciando que ter estado presente “uma reunião onde se discutiu a possibilidade de se atribuir um meio de comunicação por satélite a cada junta de freguesia de Braga. “Por exemplo, se houver um problema como o que houve agora na região centro, ou o apagão, que aconteceu em Julho, temos pelo menos a possibilidade de contactar uns com os outros. Algo que não aconteceu há seis meses e que não está a acontecer no centro do país, onde ao fim de mais de 15 dias há pessoas que ainda não têm comunicações nem energia”. “Há muito trabalho que está a ser feito e acompanhamento e as pessoas podem, obviamente, estar descansadas dentro daquilo que é um grau normal da previsibilidade”, garantiu. Escolas e Saúde no topo das prioridades Dos 285 milhões de euros do Orçamento para 2026, há investimentos significativos, nomeadamente, 47,5 milhões de euros na área de educação, coesão social e saúde, três pilares essenciais no leque de prioridades do executivo de João Rodrigues. “Temos intervenções programadas para uma série de escolas e de equipamentos escolares, que não estão nas melhores condições. Fixei, desde o início, como absolutamente prioritário para uma cidade que tem muitos jovens, qualificarmos o nosso parque escolar. Ainda ontem [segunda-feira] tive a oportunidade, com o senhor ministro da Educação, de inaugurar centros tecnológicos especializados de sete milhões de euros de investimento, o que demonstra um sinal claro na educação”, recordou. Para o edil, “a escola pública e a educação funcionam como o melhor elevador social”, ou seja, “para mim é muito importante que uma criança em Braga, venha ela de onde vier, possa, pelos seus próprios meios, singrar na vida. Temos a obrigação de fazer com que a escola funcione bem como um elemento desse elevador social e essa é uma das minhas preocupações”. Na saúde, “temos várias reabilitações, diversos centros de saúde dispersos pelo concelho”, desde logo, a construção de um novo centro de saúde em Esporões e as reabilitações do Centro de Saúde de Celeirós e de Infias. “A este juntam-se outros planos, os planos de vacinação, as questões dos medicamentos, portanto, há uma série de apoios sociais de que Braga, já tem vindo esta tradição ao longo dos últimos anos, que nós não só mantemos, mas vamos reforçar também ao longo deste ano”. Quanto à mudança da feira semanal, ainda não há uma data, “já que é uma responsabilidade que imputei à administração da Invest Braga”. [Additional Text]: Citação Joana Russo Belo