STELLANTIS DECIDE APOSTAR NO DIESEL E MODERAR EXPECTATIVAS NOS ELÉTRICOS
2026-02-16 22:08:47

A Stellantis anunciou que vai manter e, em alguns casos, reforçar a oferta de motores Diesel, na sua gama na Europa. Durante a última década, o Diesel tornou-se praticamente um “tabu” entre os construtores automóveis. Várias marcas reduziram ou eliminaram esta opção nas suas gamas de ligeiros de passageiros, pressionadas pelo escândalo do Dieselgate, por metas ambientais cada vez mais exigentes e pela aposta acelerada na eletrificação. Os números confirmam esta tendência. Na Europa, em 2025, o Diesel representou apenas 7,7% das vendas totais, com pouco mais de um milhão de unidades comercializadas - uma queda de 24% face a 2024, segundo dados da ACEA. A perda de relevância tem sido constante nos últimos anos. Apesar deste cenário, há sinais de mudança. A Stellantis anunciou recentemente que vai manter os motores Diesel no seu portfólio e, em alguns casos, até reforçar a oferta. “Decidimos manter os motores Diesel no nosso portfólio e, em determinados modelos, aumentar a disponibilidade desta motorização”, revelou a empresa. Citroën ë-Berlingo Os primeiros indícios desta estratégia surgiram no final do ano passado, com a reintrodução de versões Diesel em alguns modelos, como é o caso das versões de passageiros da Peugeot Rifter, a Citroën Berlingo e a Opel Combo, que deverão ver motorizações Diesel novamente introduzidas na gama. Segundo a Reuters, as versões Diesel deverão voltar a pelo menos sete modelos de passageiros da marca em toda a Europa. Moderação nos elétricos Esta decisão surge após uma reestruturação da estratégia elétrica do grupo, que resultou em perdas por imparidade de vários milhares de milhões de euros. A Stellantis cancelou projetos, ajustou volumes de produção de modelos 100% elétricos e encerrou fábricas de baterias. A empresa vendeu ainda a sua participação na NextStar Energy à parceira LG Energy Solution. Apesar disso, o grupo garante que mantém a ambição de liderança na mobilidade elétrica, mas de forma mais alinhada com a procura real do mercado. “Queremos gerar crescimento e, para isso, estamos focados na procura dos clientes”, sublinhou a empresa. O contexto norte-americano também ajuda a explicar a prudência. Nos EUA - principal mercado do grupo - o entusiasmo pelos elétricos tem abrandado. Em 2025, os veículos 100% elétricos representaram 19,5% das vendas totais. No entanto, quando consideradas todas as motorizações eletrificadas (incluindo híbridos e híbridos plug-in), a quota conjunta atingiu 66,2%. Mariana Teles