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XLVI BARÓMETRO - EMPRESÁRIOS REFORÇAM OPTIMISMO PARA 2026, MAS APONTAM O PESO DO ESTADO COMO O PRINCIPAL TRAVÃO

Executive Digest

2026-02-18 22:05:09

RESULTADOS DO NOVO BARÓMETRO EXECUTIVE DIGEST MOSTRAM UM CENÁRIO DE CONFIANÇA REFORÇADA NO DESEMPENHO ECONÓMICO, ASSENTE NUMA ACELERAÇÃO DO INVESTIMENTO E NA APLICAÇÃO INTEGRAL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Se, em Dezembro de 2025, o sentimento era de um «equilíbrio entre ambição e prudência», os dados do 46.º Barómetro Executive Digest mostram que as empresas estão prontas para passar à ofensiva, embora mantenham uma visão muito crítica sobre as fragilidades estruturais do país e a excessiva presença do Estado na economia. ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO E DO INVESTIMENTO O optimismo sectorial, que já era de 80% no anterior Barómetro, sobe oito pontos (88%), com a grande maioria dos gestores (82%) a antecipar um crescimento moderado e 6% a preverem um crescimento forte na sua área. Este indicador é acompanhado por uma subida notável nas intenções de investimento: 56% das empresas contam aumentar o seu esforço financeiro este ano (uma subida de mais de 10% relativamente ao 45.º Barómetro), sinalizando que o receio de estagnação está a dar lugar a uma vontade de expansão. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DA ESTRATÉGIA á EXECUÇÃO A Inteligência Artificial (IA) deixou, definitivamente, de ser um tema de “planeamento” para se tornar uma realidade de “execução”. Se, em Dezembro do ano passado, 53% planeavam aumentar o investimento nesta área, os dados do 46.º Barómetro indicam que 70% dos gestores vão investir mais ou continuar a investir fortemente em IA este ano.com apenas 2% das empresas a admitirem que ainda não utilizam esta tecnologia, confirma-se a tendência de que a IA é o motor central da produtividade e um factor de diferenciação estratégica no mercado nacional. O «PARADOXO DO ESTADO»: APOIO ÀS REFORMAS VS. PESO EXCESSIVO Um dos destaques deste Barómetro é a relação ambivalente com o sector público. Por um lado, existe um apoio claro à direcção política: 72% dos inquiridos avaliam positivamente as reformas do Estado propostas pelo actual Governo. Por outro lado, o diagnóstico sobre a realidade actual é severo: 78% dos gestores consideram o peso do Estado na economia como Elevado (50%) ou Excessivo (28%). ECONOMIA AZUL: UMA NOVA FRONTEIRA E OPORTUNIDADE ESTRATÉGICA Como novidade, o 46.º Barómetro introduziu o tema do Mar e de que forma é que este pode ser encarado como um pilar de competitividade futura. Para 58% das empresas, a Economia Azul é já um tema com influência crescente ou essencial. A urgência é também política: 64% dos líderes empresariais consideram que o Plano Estratégico para o Mar 2030 exige uma acção imediata ou planeamento urgente, reforçando a ideia de que Portugal não pode perder esta janela de oportunidade. PRIORIDADES PARA À PRÓXIMA DÉCADA E CAMINHOS PARA UM PORTUGAL EXTRAORDINÁRIO Como forma de lançamento da próxima Conferência Executive Digest, que irá ter lugar no próximo dia 15 de Abril, foi lançado o desafio de serem identificadas quais devem ser as prioridades para a próxima década e de que forma é que Portugal está preparado para as implementar. Assim, o tema «Estado e Confiança Pública» (simplificação, digitalização e eficiência) surge como a prioridade n.º 1 para 74% dos gestores, superando áreas críticas como a Educação (64%) e a Saúde (46%). Apesar destas prioridades claras, a confiança na capacidade de execução do país é contida. 62% dos gestores classificam o nível de preparação de Portugal como “moderado”, justificando que, embora existam avanços relevantes, o país ainda padece de “fragilidades estruturais”. Para além disso, 28% consideram a preparação insuficiente ou muito insuficiente, apontando para a falta de estratégias claras e dispersão de iniciativas. CONCLUSÃO O 46.º Barómetro Executive Digest mostra-nos que o tecido empresarial Wononcae português está a fazer o seu papel: investe, moderniza-se (através da IA) e identifica novas áreas de crescimento, como o Mar. No entanto, a mensagem para o poder político permanece a mesma do Barómetro anterior: para que 2026 não seja apenas um ano de “crescimento moderado”, o Estado tem de deixar de ser um fardo burocrático e tornar-se, efectivamente, um facilitador da confiança e competitividade. VITOR RIBEIRINHO Moderação é a palavra-chave desta edição do Barómetro cujos dados, embora positivos, representam um ligeiro arrefecimento face ao registo das últimas edições. Começo por destacar uma questão que temos vindo a abordar com frequência também na KPMG, nomeadamente com o nosso projeto “Ambição para Portugal" e que diz respeito ao nível de preparação do pais para crescer nos próximos anos. A maioria dos inquiridos (62%) fala num nível “moderado", ficando claro gue, apesar dos avanços relevantes que temos feito, ainda continuamos a ter alguns desafios estruturais que importam endereçar. ?o nível das empresas também a esmagadora maioria dos participantes (82%) espera um crescimento moderado, ainda que com a perspetiva de haver um aumento ao nível do investimento, da parte de metade dos inquiridos. A perceção sobre o peso do Estado na economia mantém-se crítica, com 78% a considerá-lo elevado ou excessivo, reforçando a necessidade de uma maior eficiência e previsibilidade regulatória. Não obstante, as reformas propostas pelo Governo recolhem uma avaliação maioritariamente positiva, o que evidencia abertura a reformas estruturais. Olhando para as três prioridades mais determinantes para a próxima década, o resultado é claro: Estado e Confiança Pública (74%), com foco na simplificação administrativa e transparência; Educação e Competências (64%), reforçando a qualificação e a articulação entre a Academia e as empresas; e Economia do Futuro (48%), impulsionando inovação, energias limpas e novos setores estratégicos. Independentemente das prioridades identificadas, o grande sinal positivo desta edição é o facto de as empresas manterem a ambição no seu crescimento e no desenvolvimento da economia nacional, ainda que encarem o futuro com maior prudência. CEO/SENIOR PARTNER KPMG PORTUGAL LUÍS RIBEIRO Os resultados deste último Barómetro exprimem a continuação de um optimismo moderado na economia portuguesa. As projecções mais recentes apontam para um crescimento em torno de 2% em 2026, acima dos 1,2% esperados para o conjunto da Zona Euro. Esta evolução deverá ser determinada, em grande medida, por um maior contributo do investimento, com a execução do PRR a ter que ser acelerada. Embora esta deve ter uma tradução mais visível na expansão do investimento público, esperam-se também efeitos de spillover sobre o sector privado. Alguma recuperação das exportações, depois de um ano marcado pela incerteza e disrupção das tarifas dos EUA, poderá também suportar a despesa de capital das empresas. Em particular, Portugal pode beneficiar dos efeitos indirectos de uma política orçamental mais expansionista na Alemanha. Por último, mas não menos importante, o ambiente económico global mais competitivo gerado pelos rápidos desenvolvimentos tecnológicos deveria forçar, também, alguma proactividade das empresas nas suas decisões de investimento. O Barómetro sugere que 56% das empresas planeia aumentar o investimento em 2026; e que 54% vai investir mais em Inteligência Artificial. e fundamental criar condições para atrair investimento (doméstico e externo) de uma forma mais permanente e expressiva. só assim se conseguirão ganhos de produtividade que permitirão aumentar o rendimento de forma sustentada e resolver uma série de problemas de que a economia portuguesa sofre (incluindo os ligados à habitação e à saúde). Em 2024, Portugal esteve entre os 10 principais paises europeus na atracção de investimento directo estrangeiro, com mais de 45% dos projectos associados a software e serviços de IT e/ou a serviços profissionais e às empresas. Estes são resultados positivos, que vão contribuindo gradualmente para uma recomposição da economia portuguesa no sentido de um maior valor acrescentado (nas empresas, no mercado de trabalho, na produção). Mas há ainda muito caminho para fazer. Neste contexto, é positivo que o Barómetro identifique a eficiência do Estado, a educação e competências, e as novas tecnologias como as principais prioridades para o desenvolvimento (no mesmo sentido, é também positivo que o cluster da economia azul, potenciando as vantagens comparativas da economia portuguesa, seja destacado). ADMINISTRADOR NOVOBANCO RAUL NETO Os resultados deste Barómetro reforçam as tendências já identificadas anteriormente. Num contexto global incerto, 82% dos gestores prevêem um crescimento moderado no seu setor de atividade, o que não limita a necessidade de investimento identificada pela maioria das empresas (56% planeia aumentar o seu investimento em 2026). Estes números revelam organizações que identificam a criticidade na aposta tecnológica de forma inequívoca: 54% tencionam investir mais em Inteligência artificial este ano e 16% vão continuar a investir fortemente. Contudo, os verdadeiros desafios não residem apenas na capacidade financeira para investir, ou na evolução tecnológica, mas também de dois outros fatores fundamentais. E se o primeiro é exógeno ao tecido empresarial como é demonstrado por 78% dos inquiridos a considerarem o peso do Estado na economia como “elevado" ou "excessivo", o segundo demonstra a consciencialização dos gestores da necessidade das suas empresas estarem focadas na preparação do capital humano, que será a sustentação do futuro. e revelador que, ao projetarmos as prioridades para os próximos 10 anos, a "Educação e Competências” (64%) surja destacada como o segundo pilar mais crítico para o desenvolvimento de Portugal. Isto valida uma premissa fundamental: a “Economia do Futuro” , prioridade para 48% dos gestores , não se faz por decreto, nem apenas com software. Para 2026, é crítico garantir que o investimento em IA seja acompanhado, passo a passo, por uma estratégia robusta de qualificação e requalificação. A tecnologia é o motor, mas o talento é o combustível. Só com este equilíbrio deixaremos de ter uma preparação “moderada” para alcançarmos a competitividade sustentável que ambicionamos. CEO RANDSTAD PORTUGAL PEDRO BRITO Os resultados do mais recente Barómetro da Executive Digest revelam algo pouco comum em Portugal: uma perspetiva globalmente positiva. Crescimento moderado, investimento sustentado, aposta clara na Inteligência Artificial e uma perceção mais construtiva sobre o papel do Estado. Este clima de confiança é relevante. Mas não elimina os desafios estruturais que permanecem. o dado que mais me interpela está nas três prioridades apontadas como determinantes para o pais na próxima década: educação e competências, saúde e bem-estar, e economia do futuro. Estas áreas convergem num ponto crítico: a capacidade de liderança em contextos de tensão permanente. Hoje, qualquer CEO vive paradoxos que não vão desaparecer: crescer mantendo prudência financeira; acelerar inovação sem perder as pessoas; usar IA para ganhar eficiência sem comprometer confiança; exigir performance protegendo bem-estar; competir globalmente enquanto constrói coesão interna. Não são dilemas de escolha são tensões para gerir simultaneamente. Na Nova SBE temos trabalhado precisamente nesta fronteira: desenvolver líderes mais capazes de sustentar decisões melhores ao longo do tempo e de operar numa lógica de alianças reais entre empresas, setor público e sociedade. Continuamos, culturalmente, pouco treinados para colaborar de forma profunda e consistente. Preferimos silos ao risco da interdependência. Por isso, as empresas precisam de investir no desenvolvimento de líderes mais conscientese e equilibrados, capazes de decidir bem sob pressão e ambiguidade. é essencial aprender a gerin paradoxos permanentes como o desempenho e bem-estar inovação e confiança, autonomia e alinhamento. E, sobretudo, promovendo cada vez mais uma mentalidade associativa, entre empresas, Estado e sociedade, para gerar impacto sustentável à escala do pais, da Europa e do mundo. CEO & ASSOCIATE DEAN NOVA SBE EXECUTIVE EDUCATION NELSON PIRES Os resultados do mais recente Barómetro mensal da Executive Digest, realizado junto de centenas de gestores de topo em Portugal, são claros e desconfortáveis. Vou-me focar apenas numa das questões, provavelmente a mais estruturante do Barómetro. Quando questionados sobre as três prioridades mais determinantes para acelerar o desenvolvimento do País na próxima década, a resposta dominante não aponta para grandes visões futuristas nem para agendas simbólicas. Aponta, de forma inequívoca, para o básico: Estado, educação e capacidade de execução. A prioridade mais votada - Estado e Confiança Pública (74%) - não deixa margem para interpretações optimistas. O tecido empresarial português identifica o Estado como o principal factor crítico de sucesso ou falhanço do desenvolvimento nacional. Não por falta de boas intenções, mas por excesso de burocracia, lentidão administrativa, instabilidade regulatória e défice de previsibilidade. Este resultado traduz uma fadiga institucional profunda. Os gestores não pedem menos Estado, pedem um Estado que funcione. Um Estado que decida em tempo útil, que cumpra prazos, que seja transparente e que não transforme cada investimento num teste de resistência. Sem esta base, qualquer estratégia económica - por mais bem desenhada , acaba por se perder na execução. Logo a seguir surge educação e competências (64%), um dado que confirma um consenso antigo, mas ainda longe de ser resolvido. O sistema educativo português continua desalinhado com as necessidades da economia real. Falta ligação efectiva entre universidades, empresas e Estado. Falta requalificação séria de adultos. Falta foco em competências críticas para a próxima década: tecnologia, engenharia, dados, gestão e pensamento crítico. Os gestores sabem que não há crescimento sustentável sem produtividade e que não há produtividade sem capital humano qualificado. O País pode continuar a atrair investimento, mas se não formar talento suficiente ou se continuar a perdê-lo esse investimento será sempre limitado, de baixo valor acrescentado e facilmente deslocável. A economia do futuro (48%), que inclui áreas como biotecnologia, energias limpas, economia do mar e startups, surge apenas em terceiro lugar. Não por falta de ambição, mas por realismo. A mensagem implícita é simples: antes de apostar no futuro, é preciso arrumar a casa. Inovação sem talento não escala. Startups sem enquadramento regulatório previsível não crescem. Transição energética sem capacidade administrativa pára. Ainda mais revelador é o que fica para trás. Sustentabilidade e crescimento verde (16%), identidade e cultura (12%) e território e coesão (26%) são vistos como importantes, mas não determinantes. Não porque sejam irrelevantes, mas porque são entendidos como consequências de uma economia funcional não como o seu motor principal. A excepção parcial é saúde e bem-estar (46%), que reflecte preocupações reais com o envelhecimento da população, a eficiência do SNS e a inovação em saúde digital, mas que ainda assim não é percepcionada como a alavanca central do desenvolvimento económico. O retrato que emerge deste Barómetro é o de um País que já não se ilude com discursos fáceis. O tecido empresarial português não está à procura de slogans, está à procura de reformas. Reformas institucionais, reformas educativas, reformas administrativas. Não necessariamente mais despesa pública, mas melhor utilização dos recursos existentes. Não mais planos estratégicos, mas capacidade de execução consistente ao longo do tempo. Há também um sinal político importante: o problema de Portugal não é a falta de ideias nem a ausência de sectores promissores. ê a dificuldade crónica em transformar boas intenções em resultados. Enquanto esta fragilidade estrutural persistir, qualquer narrativa de “salto para o futuro” será, no máximo, retórica. Este Barómetro não é pessimista. É exigente. Mostra que quem lidera empresas em Portugal entende bem onde estão os bloqueios reais ao crescimento. Ignorar esta mensagem seria um erro. Levá-la a sério pode ser o primeiro passo para, finalmente, alinhar ambição com capacidade. Portugal não precisa de reinventar o País. Precisa, antes de mais, de fazer bem o essencial. E isso, como os gestores deixam claro, começa no Estado, passa pela educação e só depois chega ao futuro. GENERAL MANAGER JABA RECORDATI PEDRO MOREIRA Com o início de cada novo ano, assiste-se à reactivação das actividades das empresas públicas e privadas, com a implementação dos planos estratégicos previamente desenhados e aprovados. Esta fase de arranque é também fundamental para o sector cultural, uma vez que determina não apenas o ritmo das operações, mas orienta igualmente as prioridades de investimento e a alocação de recursos. O panorama actual, tal como reflectido pelo Barómetro, revela um crescimento moderado, condicionado pelos limites orçamentais que se fazem sentir em todo o espectro da actividade e em especial no sector cultural. E se o peso do Estado é percebido como elevado, a resposta passa por diversificar o financiamento - parcerias, candidatura a fundos e mecenato , e por reformas que simplifiquem e tragam previsibilidade, algo que considero positivo nas recentes medidas governamentais. Em cultura, investir é conservar e modernizar: equipamentos seguros, eficiência energética, melhor experiência de visita e circulação e melhores condições para inspirar a criação artística. Se a Economia Azul poderá não ser central para a cultura, é estratégica para um País com uma fronteira atlântica como o nosso. Num momento de amplo debate da geopolitica, como é o caso do dossier Gronelândia, este tema reforça a centralidade na abordagem internacional de fronteiras. A este eixo estratégico junto-lhe, como prioritárias, as apostas na educação e na saúde, para além da Economia do Futuro, onde a IA está a assumir um papel crescente também no sector cultural. Queremos investir mais, começando pelas pessoas: formação em literacia digital, ética e aplicação prática. A IA deve libertar tempo, melhorar o atendimento e gestão de informação, sem substituir a curadoria e a criação “human designed”. Portugal está moderadamente preparado: há avanços que importam celebrar, mas persistem fragilidades estruturais. ? nosso grande desafio nunca foi pensar, mas sim executar. PRESIDENTE EGEAC, LISBOA CULTURA