GESTÃO - PERSPECTIVAS DE LÍDERES PARA 2026
2026-02-18 22:06:05

1 QUAIS OS MAIORES DESAFIOS E ALTERAÇÕES QUE O SEU SECTOR EMPRESA, EM PARTICULAR PODE ENFRENTAR EM 2028? 2 QUE MPACTO TERÁ O ACTUAL QUADRO GEOPOLÍTICO NO SEU SECTOR? 3 ALGUMA OPORTUNIDADE QUE A SUA EMPRESA/SECTOR NÃO PODE PERDER EM 2028? 4 UMA PALAVRA QUE POSSA DEFINIR 2026 LUÍS MIGUEL RIBEIRO PRESIDENTE DA AEP 1 Desde logo, as alterações no contexto geopolítico, com impactos geoeconómicos relevantes, que podem modificar o actual modelo de globalização. Durante muitos anos, o relacionamento económico foi essencialmente multilateral, mas temos vindo a assistir a uma transição clara para relações cada vez mais bilaterais. Valorizou-se durante muito tempo o transnacional, mas hoje o que parece ganhar maior relevância é o transaccional, ou seja, a lógica da transacção directa entre países. Neste contexto, as parcerias tornam-se cada vez mais importantes para os empresários, sobretudo em relações directas com empresas de outros países. O bilateralismo tenderá a afirmar,se não apenas entre Estados, mas também nos negócios e nas empresas. 2 A nível nacional, espera-se que Portugal mantenha um quadro de estabilidade. No plano europeu, é fundamental que a Europa acelere a tomada de decisões e defina metas e caminhos claros que lhe permitam assumir um papel mais relevante face aos outros blocos económicos. Já a nível global, o que se deseja é um maior equilíbrio entre os grandes blocos económicos, algo que, neste momento, ainda não se verifica. 3 Espero que o acordo entre a União Europeia e a América do Sul venha a concretizar-se, pois poderá representar uma grande oportunidade para as empresas nacionais, sobretudo tendo em conta a relação privilegiada que Portugal mantém com o Brasil. Espero também que a relação histórica com africa seja cada vez mais valorizada e que sejam criados mecanismos eficazes de apoio às empresas que pretendem investir nesses mercados. Paralelamente, é importante que estas alterações e instabilidades sejam minimizadas e que se consiga alcançar algum grau de estabilização, mesmo num horizonte de curto prazo. A previsibilidade é essencial para viabilizar investimentos, preparar melhor as empresas e definir com maior clareza o caminho a seguir. Há oportunidades e há desafios. Acredito que 2026 não será um dos anos mais complexos, até porque ainda existem recursos importantes para aplicar. Espero, por isso, que seja um ano com alguma estabilidade, sobretudo ao nível da capacidade de antecipar cenários a alguns meses, sabendo que, no plano internacional, a incerteza continuará a fazer parte do quotidiano. 4 ESPERANÇA PEDRO CARVALHO CEO DA GENERALI TRANQUILIDADE 1Vivemos tempos de paradoxos e transição. A economia portuguesa demonstra resiliência, com crescimento real e contas públicas equilibradas, mas a instabilidade política e a fragmentação geopolítica global continuam a lançar incertezas. A sucessão de eleições, a erosão da confiança nas instituições e a ascensão de discursos populistas reflectem um mal-estar democrático que desafia a estabilidade. Neste contexto, o sector segurador enfrenta desafios que vão além da sua função tradicional: volatilidade das taxas de juro, alterações regulatórias, e a necessidade de integrar sustentabilidade e tecnologia como pilares estratégicos. Na Generali, acreditamos que o papel do sector é ser um parceiro de confiança num mundo em transformação. Por isso, temos vindo a reforçar a aposta em inovação, digitalização e soluções sustentáveis, conscientes de que a confiança é o nosso activo mais valioso. A adaptação ao novo quadro regulatório, a cibersegurança, a protecção de dados e a integração de tecnologias como GenAI serão determinantes para prestar um serviço mais personalizado e robusto. Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população e a pressão sobre os sistemas públicos criam oportunidades para seguros de saúde e poupança de longo prazo. Em 2026, encaramos o futuro com responsabilidade e visão, convictos de que proteger é, acima de tudo, planear, antecipar e prevenir. 2 Em 2025, a redução das taxas de juro nos EUA ocorreu de forma mais gradual do que inicialmente previsto, em linha com a orientação da Reserva Federal para atingir a chamada taxa neutra (aquela que garante pleno emprego com inflação estabilizada) evitando cortes abruptos e precipitados. Por outro lado, a crescente intervenção americana na Venezuela poderá introduzir alguma instabilidade nos mercados financeiros, dado tratar-se do país com as maiores reservas de petróleo do mundo e um importante fornecedor de matérias-primas estratégicas. Assim, em 2026 será essencial monitorizar e antecipar a evolução destes dois factores: Impacto da trajectória das taxas de juro nos preços dos instrumentos de dívida, no poder de compra e na capacidade de investimento de particulares e empresas. Evolução do fornecimento e do preço do petróleo e de outras matérias-primas críticas para a economia global. 3 Em 2026, a evolução dos seguros de saúde será um dos tópicos em destaque. Este segmento tem apresentado um crescimento significativo nos últimos anos, embora tenha enfrentado desafios marcantes, como a pandemia COVID-19 e as dificuldades no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde. Num cenário em que a longevidade ganha uma relevância sem precedentes, é fundamental estabelecer bases sólidas para garantir uma oferta de seguros de saúde robusta, acessível e plenamente integrada na sociedade portuguesa. 4 TEMPERANÇA