CINCO FERRARI NOVOS ESTE ANO MAS HÁ UM QUE MUDA TUDO
2026-02-19 22:05:46

Será em 2026 que vamos conhecer o primeiro Ferrari elétrico de sempre, o Luce, e promete ser o modelo mais disruptivo da sua história A Ferrari atravessa um dos momentos mais sólidos da sua história recente. Em 2025 voltou a apresentar resultados financeiros recorde, com margens em alta, carteira de encomendas preenchida até praticamente ao final de 2027 e uma recuperação significativa em bolsa, após a forte queda de outubro do ano passado. Curiosamente, tudo isto aconteceu apesar de uma ligeira redução no volume de vendas. Mas as vendas nunca foram a obsessão da Ferrari. A filosofia do fundador, Enzo Ferrari, mantém-se: “A Ferrari entregará sempre um carro a menos do que o mercado pede”. Por isso pode surpreender saber que a marca italiana anuncie 20 novos modelos até 2030, ao ritmo de cinco por ano a começar neste ano de 2026. São muitos modelos, é certo, mas o objetivo não é aumentar volumes. “Mais modelos, volumes limitados” é a tese defendida pela Ferrari. Mas este ano uma das cinco novidades muda tudo. © Razão Automóvel A Ferrari tem conseguido esconder eficazmente as formas de um modelo que promete ser o mais disruptivo da sua história. Luce é o Ferrari mais disruptivo de sempre 2026 ficará na história como em que nasceu o primeiro Ferrari 100% elétrico. Pela primeira vez, haverá um Ferrari sem um cuore mecânico: nem V12, V8 ou V6. Apenas eletrões. Terá quatro motores elétricos (um por roda), prometendo mais de 1000 cv. Ssão alimentados por uma bateria de 800 V, com 122 kWh brutos, prometendo mais de 500 km de autonomia. Chama-se Ferrari Luce e será um Ferrari como nenhum outro, mas não será um supercarro. Aproxima-se mais de um Purosangue, um crossover com quatro portas e quatro lugares. A revelação integral está marcada para maio, mas a marca italiana já mostrou o interior do Luce e é também por si só uma revolução. © Ferrari Não se parece nada com os interiores que estamos acostumados a ver na Ferrari, apesar da inspiração no passado ser clara. Desenvolvido em colaboração com a LoveFrom - o coletivo criativo fundado por Sir Jony Ive (conhecido por desenhado o iPhone) e Marc Newson - o Luce afasta-se da tendência minimalista e excessivamente digital dominante dos elétricos atuais. Continua a haver ecrãs, mas os instrumentos reinterpretam o analógico e os comandos físicos regressam em força. Botões, manípulos e interruptores reforçam uma experiência tátil que nenhum ecrã consegue substituir. Nos materiais também há rutura: ausência de fibra de carbono, substituída por alumínio 100% reciclado maquinado por CNC e vidro (Corning Fusion5) em vez de plástico. O objetivo é durabilidade, precisão e um envelhecimento digno. Se o exterior acompanhar o interior, o Luce poderá ser mais do que o primeiro Ferrari elétrico. Poderá ser uma declaração de intenções sobre o rumo da marca no que respeita ao design. Quatro incógnitas Das cinco novidades prometidas pela Ferrari para 2026, apenas o Luce está oficialmente confirmado. Os restantes permanecem no domínio da especulação, mas dentro do prevísivel. Uma das novidades com maiores probabilidade de surgir este ano é a versão descapotável do Amalfi, o coupé V8 biturbo que sucedeu ao Roma. As outras são um mistério: de versões mais extremas do 12Cilindri e 296, a uma nova variante do Purosangue passando por uma nova adição à linhagem Icona - o último foi o Daytona SP3 em 2021 -, todas as possibilidades estão em aberto. Dificilmente alguma delas desviará as atenções do Luce. Dito isto, importar sublinhar que este elétrico não representa o início do fim da combustão em Maranello. O segundo elétrico que estava previsto foi adiado, para já, por dois anos (2028) devido à falta de interesse dos clientes da marca. Aliás, a marca reviu as previsões sobre a composição da sua gama até 2030, invertendo o peso dos elétricos em relação aos a combustão: agora será 40% a combustão, 40% híbridos e 20% elétricos. A Ferrari, tal como os fabricantes de volumes, está a adaptar-se ao ritmo real do mercado. Fernando Gomes