BYD À CONQUISTA DA EUROPA MAS NÃO COM ELÉTRICOS
2026-02-23 22:08:13

A BYD entrou na Europa como fabricante de elétricos, mas o crescimento deve-se aos híbridos plug-in e por isso prepara-se lançar muitos mais A BYD tem pouco mais de duas décadas de vida enquanto fabricante de automóveis e continua a bater recordes de crescimento. É líder na China e, em 2025, tornou-se líder mundial entre fabricantes de carros elétricos, superando a Tesla. Na Europa (e em Portugal), também está a crescer - e muito. Vendeu 186 612 unidades, mais 276% do que em 2024, e em janeiro de 2026 voltou a dar um salto expressivo: mais 173% face ao mesmo mês do ano anterior. Mas este crescimento significativo no mercado europeu não está a ser feito com elétricos, como previsto no plano original, e sim com híbridos plug-in. Pode ver-se nesta mudança uma forma de contornar as tarifas europeias sobre os elétricos produzidos na China. No entanto, revelou-se uma aposta certeira: o BYD Seal U DM-i foi o híbrido plug-in mais vendido da Europa em 2025, superando o Volkswagen Tiguan. © BYD Chegar, ver e vencer: este foi o híbrido plug-in mais vendido na Europa em 2025. A aposta nos híbridos plug-in vai continuar em 2026, mas os 100% elétricos, contudo, não foram esquecidos, havendo também novidades a nível de produto e de geografia. Híbridos plug-in por toda a parte Para continuar a crescer em 2026, a BYD vai reforçar a estratégia em torno da tecnologia DM-i (Dual Mode , intelligent). A ofensiva começou logo no início do ano com o lançamento do Atto 2 DM-i - o único híbrido plug-in do segmento e o novo degrau de acesso da BYD a esta tecnologia. A combinação do motor a gasolina de 1,5 litros com o motor elétrico, entrega um máximo combinado de 156 kW (212 cv). Com bateria de 18 kWh, anuncia até 90 km em modo 100% elétrico (WLTP) e mais de 1000 km de autonomia total. Os preços em Portugal começam nos 33 990 euros e já o testámos: São esperadas mais quatro novidades híbridas plug-in da BYD em 2026. Acima do Atto 2 deverá surgir o BYD Sealion 5 DM-i, um SUV do segmento C posicionado entre o Atto 3 e o maior Seal U. A cadeia cinemática é a mesma do Seal 6 DM-i, com 212 cv combinados e autonomias elétricas que podem chegar aos 85 km. A chegada a Portugal ainda não está confirmada, mas já se encontra à venda no mercado britânico. Subindo uns patamares na gama e vamos encontrar o BYD Sealion 8 DM-i, um SUV de grandes dimensões e até sete lugares. Já está disponível em alguns mercados internacionais, em duas versões: uma de tração dianteira com 272 cv e uma bateria de 19 kWh; e outra de tração integral, com 488 cv e uma bateria de 35,6 kWh. Será uma alternativa híbrida plug-in familiar num segmento dominado por propostas como o Hyundai Santa Fe, mantendo o foco em autonomias elétricas elevadas e eficiência. A importância da tecnologia híbrida plug-in para a BYD crescer na Europa não podia ser mais clara que no Dolphin G - nome interno, o final ainda não é conhecido -, a ser lançado mais perto do final do ano. Será o primeiro BYD desenvolvido a pensar especificamente na Europa ao invés de ser uma adaptação de um modelo vendido no mercado chinês. Vai derivar do Dolphin 100% elétrico e usará a cadeia cinemática do Atto 2 DM-i. O objetivo é claro: enfrentar propostas como o Volkswagen Golf e-Hybrid, um dos híbridos plug-in do segmento com maior autonomia 100% elétrica. Por fim, mas não menos importante, a BYD vai-se estrear no segmento das pick-up na Europa com a Shark. Também será híbrida plug-in e terá tração às quatro rodas, com praticamente 430 cv e uma bateria de 29,58 kWh. Deverá oferecer entre 70-80 km de autonomia elétrica no ciclo WLTP. Não terá a vida facilitada neste segmento dominado pela Ford Ranger. © BYD A pick-up da BYD poderá chamar-se Shark 6, quando chegar à Europa. Curiosidade: a sua carreira começou no México e ainda não começou a ser vendida na China, o seu mercado doméstico. Elétricos não foram esquecidos Se os híbridos plug-in estão a puxar pelo crescimento, os 100% elétricos não deixam de ser parte essencial da estratégia da BYD na Europa. Não há novidades absolutas, mas dois dos seus principais modelos receberam atualizações. O BYD Dolphin evoluiu, sobretudo, em termos de equipamento e software. A gama ficou reduzida à versão mais potente e com maior autonomia, e tem preços a começar nos 35 990 euros: saiba mais detalhes seguindo esta ligação. No caso do BYD Atto 3 a evolução foi bem mais profunda: passou a ser tração traseira, está mais potente e a bateria cresceu em capacidade, elevando a autonomia elétrica para mais de 500 km. Saiba mais detalhes: A outra novidade em relação aos elétricos da BYD não está no produto, mas na geografia. O construtor chinês vai iniciar produção na sua nova fábrica de Szeged, na Hungria, durante o primeiro semestre. Entre os modelos apontados estão o Dolphin Surf e o Atto 2, com uma capacidade instalada que poderá atingir 300 mil unidades por ano. Em paralelo, a unidade turca deverá começar a produzir o Seal U DM-i e, possivelmente, o Sealion 5 no final do ano. É mais uma resposta do fabricante chinês às tarifas sobre elétricos importados da China e um passo estratégico para tornar os preços mais competitivos e reforçar a presença local. A BYD entrou na Europa como fabricante de elétricos. Está a crescer como especialista em híbridos plug-in. E agora prepara-se para produzir como construtor europeu. Miguel Nascimento