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DE SÉRIO RIVAL DA TESLA A SÍMBOLO DE CRISE: LUCID LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

Executive Digest Online

2026-02-25 22:05:41

Só em 2025, as ações da marca americana recuaram 71,3%, acumulando nova queda de 12% desde o início de 2026. Nem mesmo o agrupamento de ações de 1 para 10 realizado no ano passado conseguiu travar a desvalorização A Lucid atravessa um dos momentos mais delicados da sua curta história. A fabricante americana de veículos elétricos de luxo, durante anos apontada como uma das poucas rivais credíveis da Tesla, enfrenta uma nova mínima histórica em bolsa, uma reestruturação profunda, uma vaga de saídas na administração e prejuízos acumulados que colocam em causa a sua sustentabilidade. A análise é do L Automobile Magazine , que sublinha a pressão crescente sobre a empresa à medida que se aproxima a apresentação dos resultados anuais. As ações da Lucid abriram a sessão de 23 de fevereiro de 2026 nos 9,52 dólares (cerca de 8,76 euros) e caíram para 9,12 dólares (aproximadamente 8,40 euros), uma descida adicional de 4%. Desde o pico registado em 2021, os títulos já perderam 98,6% do valor. Em cinco anos, a capitalização bolsista encolheu para menos de 3 mil milhões de dólares (cerca de 2,76 mil milhões de euros). O L Automobile Magazine recorda que o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita injetou aproximadamente 9 mil milhões de dólares (cerca de 8,28 mil milhões de euros) na empresa desde 2018 - o que significa que o valor atual da Lucid representa pouco mais de um terço desse montante. Só em 2025, as ações recuaram 71,3%, acumulando nova queda de 12% desde o início de 2026. Nem mesmo o agrupamento de ações de 1 para 10 realizado no ano passado conseguiu travar a desvalorização. Do ponto de vista industrial, contudo, a marca não está completamente parada. Em 2025, a produção na fábrica de Casa Grande, no Arizona, aumentou 104%, com 18.378 unidades dos modelos Air e Gravity a saírem da linha de montagem. As entregas cresceram 55%, atingindo 15.841 veículos. Ainda assim, a fragilidade financeira mantém-se. No terceiro trimestre de 2025, a empresa registou um prejuízo líquido de 978,4 milhões de dólares (cerca de 900 milhões de euros) sobre receitas de 336,6 milhões de dólares (aproximadamente 310 milhões de euros). Desde a fundação, os prejuízos acumulados aproximam-se dos 15 mil milhões de dólares (cerca de 13,8 mil milhões de euros). O crescimento do volume de produção já não é suficiente para convencer os investidores: a questão central passou a ser a rentabilidade estrutural e a capacidade de gerar fluxo de caixa positivo sem depender continuamente de capital externo. Para tentar inverter o ciclo, a Lucid aposta em três frentes: um SUV mais acessível, com preço na ordem dos 50.000 dólares (cerca de 46.000 euros), uma nova plataforma para veículos de segmento médio e uma parceria com a Uber e a Nuro para o desenvolvimento de robotáxis baseados no SUV Gravity. Resta saber, como refere o L Automobile Magazine , se estas iniciativas representam uma viragem estratégica sólida ou apenas mais uma tentativa de ganhar tempo. Em paralelo, a empresa anunciou um plano de reestruturação que prevê a eliminação de cerca de 12% da força de trabalho, mais de 800 postos de trabalho. Oficialmente, o objetivo é otimizar recursos e melhorar a eficiência operacional. As saídas afetam áreas como baterias, investigação e desenvolvimento, validação, sistemas térmicos, logística e inovação. A instabilidade na liderança agrava a incerteza. Desde outubro de 2023, treze executivos de topo deixaram a empresa, incluindo a diretora financeira Sherry House, o diretor de produto Eric Bach e a vice-presidente de estratégia Claudia Gast. O antigo CEO Peter Rawlinson abandonou o cargo em fevereiro de 2025, sendo substituído interinamente por Marc Winterhoff. A renovação completa da equipa de software, num momento em que o SUV Gravity enfrenta dificuldades técnicas, revela que as tensões vão além das contas. Inicialmente vista como símbolo do “sonho elétrico” e potencial ameaça direta à Tesla, a Lucid confronta-se agora com um mercado muito mais exigente. O L Automobile Magazine sublinha que os investidores já não se deixam seduzir apenas por promessas tecnológicas: exigem margens, disciplina industrial e um caminho claro para a lucratividade. A apresentação dos resultados anuais e a reunião com investidores agendada para 12 de março de 2026 poderão ser decisivas para determinar se a marca consegue recuperar credibilidade - ou se arrisca ficar pelo caminho. Automonitor