A HISTÓRIA DO PIOR MERCEDES 190 DE TODOS OS TEMPOS FEITO NA COREIA DO NORTE
2026-02-26 22:07:23

Dizem que a cópia é das melhores formas de elogio. Mas este Mercedes-Benz 190 (W 201) norte-coreano é quase uma ofensa ao modelo original. O lançamento do Mercedes-Benz 190 (W 201) em 1982, foi um dos momentos mais importantes na história da marca alemã - já falámos sobre isso antes e também como a BMW estava a ganhar terreno. O chamado “Baby Benz” foi o primeiro Mercedes moderno no segmento das berlinas não executivas e resultou num investimento superior a dois mil milhões de marcos alemães. Era pequeno em tudo menos na qualidade e na tecnologia. Introduziu a sofisticada suspensão traseira multibraços de cinco braços, elevou os padrões de segurança no segmento e abriu a marca a uma nova geração de clientes. Até 1993 vendeu mais de 1,8 milhões de unidades e lançou as bases para o atual Classe C. Por todos esses motivos, o regime da Coreia do Norte, liderado por Kim Il-sung, achou que o Mercedes-Benz 190 devia ser a referência para desenvolver a indústria automóvel norte-coreana. Por referência entenda-se copiar Surgiu assim o Pyongyang 4.10, também conhecido como Kaengsaeng 88, alegadamente produzido pela Sungri Motor Plant. © Eckart Dege, Meinrad Freiherr Von Owe O nome “4.10” será uma referência a 10 de abril de 1987, data em que Kim Il-sung anunciou que o país teria indústria automóvel própria. Exteriormente, era uma cópia evidente do 190. Proporções semelhantes, grelha inspirada no original, silhueta quase convincente à distância. Mas as semelhanças ficavam por aí. Há relatos online que apontam para um motor de quatro cilindros rudimentar, construção frágil, ausência de aquecimento ou ar condicionado e um habitáculo mal isolado, onde o pó da estrada fazia companhia aos passageiros e entrava com facilidade. A execução estava por isso, mais próxima de um veículo rudimentar do que propriamente de um Mercedes. © Jay Ullal Alegadamente, as cópias eram tão más que o regime terá misturado versões originais para “compor” a apresentação do carro. O sucesso industrial deste Pyongyang 4.10 - ou Kaengsaeng 88, como preferirem - foi por isso, sobretudo panfletário. O projeto tinha um objetivo político, não industrial. Foram produzidas poucas unidades e mesmo essas poucas ficaram reservadas à elite do Partido. Por isso não existe hoje conhecimento de exemplares sobreviventes nem de dados técnicos fiáveis. Um desfecho que contrastou com o sucesso do plano industrial da Coreia do Sul. O Hyundai Motor Group (Hyundai, Kia, Genesis) é hoje uma das maiores potências da indústria automóvel mundial. Quão potente? Até ao final da década o Hyundai Motor Group quer estar no TOP 3 das vendas na Europa. Guilherme Costa