ASTON MARTIN VAI DESPEDIR 20% DOS TRABALHADORES
2026-02-26 22:07:24

O aumento das dívidas, dos prejuízos e a quebra das vendas obrigará ainda ao adiamento da aposta nos elétricos. A Aston Martin anunciou que cortará 20% do “staff” de modo a fazer face aos resultados financeiros de 2025, que fica marcado pelo aumento das perdas financeiras e pelo impacto significativo das tarifas globais. Comparativamente com 2024, a marca britânica viu as receitas caírem em 21% (para 1.44 mil milhões de euros). Já as perdas operacionais cresceram em 161% (para 297.2 milhões de euros). Os relatórios oficiais apontam para um prejuízo de 565 milhões de euros para o ano fiscal de 2025. Como se isso não bastasse, a marca vendeu menos 10% dos carros , ao todo 5448 unidades. Segundo o CEO, Adrian Hallmark, “um cenário sem precedentes de incertezas geopolíticas e pressões macroeconómicas, incluindo o aumento das tarifas nos EUA e na China, pesou no nosso desempenho”. As novas regras de importação dos EUA, que entraram em vigor há 12 meses, logo após a tomada de posse do presidente Donald Trump, foram tão prejudiciais ao ponto de a Aston Martin ter sido obrigada a interromper temporariamente o envio de carros para o outro lado do Atlântico, embora o primeiro-ministro britânico Keir Starmer tenha acabado por negociar um acordo com Trump. Já na China, o mercado de ultraluxo abrandou drasticamente, especialmente para as marcas ocidentais. Os volumes na Ásia-Pacífico caíram 21%, mostrando o quão frágil se tornou a procura naquela que costumava ser uma região em crescimento. A China foi destacada como especialmente moderada, com mudanças adicionais nos impostos sobre carros de luxo a partir de julho de 2025, agravando essa referida desaceleração. A Aston Martin estima que despedir 20% dos trabalhadores deverá representar uma poupança de cerca de 46 milhões de euros. Além disso, a empresa espera que o seu programa de reestruturação possa permitir poupar cerca de 17 milhões de euros adicionais. Os britânicos contam ainda reduzir as despesas futuras ao adiar os seus planos para produzir modelos elétricos , uma medida que permitirá evitar o gasto de até 2.2 mil milhões de euros nos próximos cinco anos. O supercarro híbrido Valhalla (na imagem) começou a ser produzido, sendo que está prevista a entrega de 152 unidades no último trimestre deste ano , algo que ajudará a melhorar os resultados. Para 2026, estão previstas mais 500 unidades do Valhalla.