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QUEBRAS NAS VENDAS ARRASAM ASTON MARTIN QUE ACUSA TRUMP

Observador Online

2026-02-28 22:07:16

Num dos melhores momentos da história da britânica Aston Martin, em termos de veículos, o construtor sofreu dois rudes golpes nas vendas, primeiro na China e agora nos EUA. E a marca culpa Trump. O ano passado foi particularmente difícil para a Aston Martin, com as vendas a caírem apesar de a marca britânica possuir uma gama nova e composta por modelos mais potentes do que nunca e com luxo a condizer. Paralelamente, os seus dois modelos mais emblemáticos já começaram a ser entregues a clientes, o Valhalla com 1079 cv e com 999 unidades produzidas, com preços a partir de 800 mil euros, e o Valkyrie com 1155 cv e 275 unidades, pelo qual é necessário pagar mais de 3 milhões. Mas a crise na China, por um lado, e as repercussões das tarifas norte-americanas, por outro, causaram um rombo apreciável nas vendas e afundaram a rentabilidade. De acordo com o relatório do construtor inglês, a Aston Martin comercializou 5.448 unidades em 2025, menos 10% do que os 6.030 de 2024 e ainda mais longe dos 6.620 de 2023, o valor mais elevado jamais alcançado pelo exclusivo construtor. Com a facturação a cair 21%, para 1,26 mil milhões de libras e os prejuízos operacionais a aumentarem 161%, superando 259 milhões de libras, o construtor declarou prejuízos de 493 milhões de libras, o que equivale a 562 milhões de euros. Desde que surgiu no mercado, o SUV da Aston Martin tornou-se o modelo mais procurado do construtor, que limita a sua produção para não beliscar a imagem como fabricante de desportivos elegantes e esguios À semelhança do que aconteceu com os restantes construtores de luxo que apostaram no crescimento do mercado chinês e na robustez da sua economia, também a Aston Martin tem vindo a sofrer com a disponibilidade (e interesse) dos endinheirados chineses em adquirir veículos muito dispendiosos. O facto de ter vendido 29% dos seus veículos na China em 2021, valor que baixou para apenas 5% em 2025, demonstra o rombo que o mercado chinês provocou nas contas da marca. Os modelos da marca britânica conciliam carácter desportivo e luxo O mercado norte-americano sempre foi extremamente importante para o fabricante britânico, tendo representado em 2025 cerca de 34% do total dos veículos vendidos, mas as tarifas criadas pela administração de Donald Trump (no valor de 10% para modelos provenientes do Reino Unido) obrigaram a esforços comerciais que reduziram as margens de lucro. A exportação de veículos para os EUA tornou-se tão desinteressante que a marca está a ponderar cessar o envio de veículos para lá. Aston Martin Valhalla, o segundo superdesportivo da marca que, em matéria de potência, está demasiado próximo do primeiro “Não pretendemos acusar Trump de todos os nossos problemas, mas foram as suas decisões em termos de impostos às importações que causaram a maioria das dificuldades em 2025”, afiançou à Bloomberg o CEO da marca, Adrian Hallmark. “O nosso objectivo para 2025 era atingirmos o breakeven, mas falhámos por uma larga margem”, acrescentou ainda o gestor. Aston Martin Valkyrie na versão Pro Para reforçar as poupanças após os resultados menos bons de 2025, a Aston Martin fez já saber que vai despedir um em cada cinco trabalhadores, com este corte de 20% a permitir reduzir os custos em 40 milhões de libras (45,6 milhões de euros). Haverá igualmente um corte adicional de 15 milhões de libras (17 milhões de euros) a ser conseguido à custa de uma reestruturação do programa. Contudo, a maior fatia da redução nas despesas provirá do atraso no desenvolvimento de modelos eléctricos, decisão que nos próximos cinco anos deverá representar uma poupança de 300 milhões de libras (342 milhões de euros). Isto, segundo Hallmark, “deverá permitir uma melhoria significativa nos resultados de 2026”. [Additional Text]: Coube a Adrian Hallmark, o CEO que passou da Bentley para a Aston Martin, anunciar os maus resultados de 2025, que imputou à China, pela perda de pujança económica, mas sobretudo a Trump pelas taxas à importação que os EUA impuseram aos construtores europeus Alfredo Lavrador