PAULO FUTRE: O AUTOR DOS CHARTERS CHINESES FAZ HOJE 60 ANOS
2026-02-28 22:07:42

Paulo Futre ao lado de Radamel Falcao Foto: Miguel Pereira Paulo Futre foi um dos melhores jogadores portugueses e ainda detém um recorde na seleção portuguesa. O antigo jogador de Sporting, F. C. Porto e Benfica faz este sábado 60 anos. O registo frenético como se expressa tem a mesma dimensão do tempo em que era um génio no relvado, sempre com a bola nos pés em velocidade, com uma finta estonteante e uma fúria incontrolável em marcar golos. Paulo Futre foi um futebolista explosivo, um dos primeiros portugueses a vingar no estrangeiro, extremo que desafiou os limites, jogou no Sporting, F. C. Porto e Benfica, foi a imagem de marca do Atlético de Madrid e figura da seleção, sempre com uma humildade desarmante. Hoje está de parabéns, faz 60 anos. Futre é um produto do futebol de rua e também faz parte do tempo em que os adolescentes ganhavam a vida. Foi bate-chapas no Montijo e promessa no Sporting, quando atravessava o rio Tejo de barco a imitar as fintas irreverentes do ídolo Fernando Chalana. Em Alvalade, poucos perceberam o brilho daquele pé esquerdo, ao contrário de Pinto da Costa que o transformou numa das figuras maiores do F. C. Porto campeão europeu. Era um quebra-cabeças, decisivo e temperamental. Em 1987, foi trunfo eleitoral e transferiu-se para o Atlético de Madrid por três milhões de euros, um recorde no futebol português. O sabor especial deu-lhe também o amargo de boca de ter perdido a Bola de Ouro para Ruud Gullit, lenda do Milan. Ídolo em Espanha, figura mediática fora do campo ao volante do famoso Porsche amarelo, era uma fonte de conflitos com o polémico e impaciente presidente Gil y Gil. Em 1993, a corda rompeu e a hesitação do presidente do Sporting levou-o a assinar pelo Benfica, onde jogou meia época numa equipa forjada de talento, mas num clube a cair em desgraça. Foi para o Marselha, ingressou no Reggiana e sofreu uma grave lesão no joelho direito que o impediu de voltar a ser o mesmo jogador explosivo. Aos 27 anos, ainda com tanto mundo pela frente, entrou em curva descendente, mesmo tendo depois jogado no Milan e West Ham. Pela seleção, esteve no Mundial 1986 e tem como coroa de glória continuar a ser o mais jovem internacional A de sempre, com 17 anos e 204 dias. Hoje, é comentador e empresário de sucesso, faz campanhas publicitárias e foi um dos intermediários de Figo na polémica transferência do Barcelona para o Real Madrid. Celebrizou-se pelos "charters de chineses" que viriam ver os jogos do Sporting caso fosse diretor-desportivo. As vidas incandescentes de Paulo Futre, um génio inimitável.