MIGUEL PINTO DIRETOR-GERAL , POLESTAR PORTUGAL - A NOSSA VISÃO É CONTINUAR A CRESCER DE FORMA SUSTENTADA, REFORÇANDO A LIDERANÇA NA MOBILIDADE PREMIUM ELÉTRICA
2026-03-03 22:06:05

ENTREVISTA Depois de 2025 ter sido um ano de viragem para a Polestar, com a marca sueca a atingir o melhor resultado de sempre nas vendas dos seus automóveis elétricos premium e a deixar de ser um nome emergente para se afirmar com estatuto consolidado, 2026 promete: vai continuar a haver novidades na gama , como a chegada do espetacular GT elétrico Polestar 5, mas não só , e as metas anunciadas são ambiciosas. Para conhecê-las melhor, entrevistámos Miguel Pinto, Diretor-Geral da Polestar Portugal 2 025 foi o melhor ano de sempre para a Polestar. A marca registou um recorde mundial de vendas, crescendo 34% em relação ao ano anterior. E em Portugal o volume de vendas anual cresceu mesmo 69%, com um total de 527 unidades matriculadas. Como se explica este nível de crescimento, ainda por cima conseguido , como bem destacou o vosso CEO , “apesar das condições de mercado desafiantes e dos contínuos fatores externos adversos”? 2025 foi um ano de viragem para a Polestar, tanto em Portugal como a nível global. Este crescimento deve se a al-guns fatores estruturais, dos quais gostaria de destacar: , Primeiro ano completo com uma gama mais alargada e competitiva, capaz de responder a diferentes perfis de clientes. Neste ponto destaque claro para o desempenho do Polestar 4, que se tornou o nosso best seller graças ao seu design, performance e autonomia. , Um novo modelo de negócio, mais ativo e suportado por uma rede física reforçada, que aproximou ainda mais a marca dos seus clientes. Aqui gostaria de realçar a expansão dos Polestar Spaces, com novas aberturas em Lisboa e em Faro, que se vieram juntar ao Polestar Space já exis-tente no Porto. Este aumento de proximidade aumentou a conversão comercial e aprofundou a experiência de marca. Como diz, apesar das “condições de mercado desafiantes”, diria que estes fatores ajudaram a criar uma combinação única entre produto forte, estratégia clara e proximidade ao cliente, que culminaram em cerca de 70% de crescimento em Portugal. Michael Lohscheller, o CEO da Polestar, destacou igualmente que a marca está a conseguir ganhar quota de mercado e a superar muitas marcas estabelecidas nos principais mercados europeus. Considera que a aposta numa gama totalmente eletrificada, na mesma altura em que alguns fabricantes automóveis tradicionais parecem hesitar nos seus planos de eletrificação, pode ser parte da explicação para esse sucesso comercial? Sem dúvida. Apesar de todas as dificuldades do mercado, a estratégia da Polestar tem sido coerente desde o primeiro dia: somos a primeira e única marca europeia 100% elétrica, e mantemos um compromisso inabalável com a sustentabilidade mesmo quando a maior parte dos fabricantes abrandam a sua eletrificação. Esta clareza estratégica distingue a Polestar e dá confiança aos clientes. Acredito que a marca representa uma forma de estar diferente na vida e muitos clientes têm vindo a rever-se neste nosso posicionamento. Acredito que este compromisso tem contribuído para o nosso crescimento, especialmente na Europa temos vindo a conquistar quota de mercado e a superar algumas marcas tradicionais. No ano passado, no continente europeu conseguimos mesmo vender mais veículos 100% elétricos que a Porsche por exemplo, uma marca histórica no panorama automobilístico. 2025 foi também o terceiro ano consecutivo de crescimento nas vendas nacionais e o ano em que a Polestar , nas suas palavras , “deixou de ser um nome emergente para se afirmar com estatuto consolidado”. Podemos dizer que a Polestar é já uma marca de referência em Portugal no mercado dos veículos elétricos? Sem sombra de dúvida. E gostaria de dar alguns exemplos que, na minha opinião, justificam essa consolidação. Nos estudos de mercado, vemos que já não somos desconhecidos para a maioria dos consumidores; no perfil dos nossos clientes, se inicialmente conquistávamos early adopters agora o nosso perfil de cliente está muito diversificado, com um peso grande do canal empresarial mas também do cliente privado; e também nos prémios conquistados, seja quando os nossos produtos são avaliados por jurados especializados ou mesmo pelo público em geral. “Mas não queremos ficar por aqui. Entramos em 2026 com metas ambiciosas” , a promessa é também ela sua. Quais são essas metas ambiciosas para este novo ano? Quais são as perspetivas para 2026? A Polestar entra em 2026 com objetivos muito claros: pretendemos crescer cerca de 20% face ao ano histórico de 2025, onde voltámos a bater o nosso recorde de vendas. Este vai ser o nosso primeiro ano completo com três parceiros experientes de Norte a Sul do País. Vamos ter o Polestar 5 a chegar a Portugal e outras novidades que ainda não posso adiantar. A nossa visão é continuar a crescer de forma sustentada, reforçando a liderança na mobilidade premium elétrica. Para continuar a crescer tão depressa como até agora será seguramente decisivo o reforço da presença nacional. Está prevista a abertura de novos “Polestar Spaces”? E novas parcerias? Que novidades podemos esperar? Em 2026 não está prevista a expansão da rede de Polestar Spaces. Fizemos um esforço grande em 2025 nesse sentido e estamos neste momento satisfeitos com a nossa cobertura. O nosso foco é optimizar o potencial da rede atual. A marca tem agendado para dia 18 deste mês (fevereiro) uma atualização de estratégia, anunciando updates de produto e perspetivas financeiras para 2026. Pode adiantar-nos já alguma novidade, nomeadamente em termos de produto? Para já não podemos adiantar. Mas convido todos a juntarem-se a nós e assistirem a esse momento que será transmitido online. Falando de novos produtos, a Polestar tem em vigor uma campanha que propõe a preço bastante mais acessível a versão Long Range Single Motor do Polestar 4? Qual tem sido a recetividade a essa campanha? A receptividade tem sido excelente e contribuído para uma procura muito interessante do nosso best seller neste arranque de ano. Está em vigor até final de fevereiro e constitui uma oportunidade única de aquisição de um modelo de referência no segmento premium elétrico. E vem aí o novo Polestar 5. Já há uma data definida para a sua chegada ao mercado nacional? Que expectativas para este novo modelo? Tendo em conta o seu preço, podemos antecipar que se trata sobretudo de um modelo vocacionado para ser um manifesto do design e da tecnologia Polestar? O Polestar 5 chegará às estradas portuguesas em 2026, com data exata ainda por anunciar mas apontaríamos para a segunda metade. É de facto um modelo com forte efeito aspiracional, funcionando como um “embaixador tecnológico e emocional” da Polestar. Eleva a perceção da marca em termos de design, engenharia e inovação e reforça sem dúvida o nosso posicionamento premium. O calendário de lançamentos tem revelado um novo modelo Polestar praticamente todos os anos. Iremos conhecer o futuro Polestar 7 ainda em 2026? A produção do Polestar 7 começará em 2027, na nova fábri-ca europeia da Eslováquia. Para já não podemos adiantar muito mais, mas prometemos novidades de produto em 2026. A Polestar faz questão de divulgar que mantém o seu compromisso com a eletrificação e ainda recentemente mostrou-se contra o recuo proposto pela Comissão Europeia em relação às metas de eletrificação automóvel. Um comentário a esta nova realidade? Este é de facto um ponto muito importante para a Polestar, que mantém uma posição firme e inequívoca. Aliás, manifestámos de forma pública o nosso protesto com uma ação em Bruxelas com o lema “Still Committed, Still Electric”. Para a Polestar este recuo prejudica o clima, a competitividade industrial e a confiança, criando incerteza num momento em que são precisos sinais claros para orientar investimentos. Para nós o futuro da mobilidade é elétrico, e a Europa deve liderar e não abrandar, e mostrar que metas firmes são essenciais. Pretendemos continuar a liderar em matéria de sustentabilidade. Os nossos compromissos são muito sérios e estão gravados em pedra na nossa sede em Gotemburgo, na Suécia. Pretendemos ser climaticamente neutros em 2040. “No ano passado, no continente europeu conseguimos mesmo vender mais veículos 100% elétricos que a Porsche, por exemplo, uma marca histórica no panorama automobilístico” “Nos estudos de mercado, vemos que já não somos desconhecidos para a maioria dos consumidores”