BOOT DÜSSELDORF 2026 - CONFIANÇA VOLTA AO SETOR NÁUTICO
2026-03-03 22:06:09

BOOT DÜSSELDORF 2026 Dimensão Internacional Reforçada e Consolidação dos Sinais de Estabilização no Setor Náutico A BOOT DÜSSELDORF DECORREU ENTRE 17 E 25 DE JANEIRO DE 2026 NO RECINTO DA MESSE DúSSELDORF, AFIRMANDO-SE COMO A MAIOR FEIRA MUNDIAL DEDICADA N RIhIIPN ~E DERDLIN = AOS DESPORTOS Ank,irnc Aedição deste ano reuniu cerca de mil e quinhentos expositores provenientes de 68 países, distribuídos por 16 pa-vilhões, apresentando mais de 1.000 embarcações, equipamentos técnicos, acessórios, destinos turísticos e soluções associadas à economia ma-rítima. Ao longo dos nove dias do certame, a organização registou mais de 200.000 visitantes oriundos de mais de 110 países. Cerca de um quarto do público deslocou-se do estrangeiro, confirmando o reforço da internacionalização. A meio da semana, já tinham passado pelos pavilhões quase 99.000 visitantes, com presença de profissionais e interessados de quase 100 países. A taxa de satisfação divulgada pela organização atingiu valores próximos de 95%, com a maioria dos visitantes a indicar ter cumprido os objetivos da visita. Diversos expositores reportaram negociações concluídas nos stands e vendas realizadas durante o evento, incluindo embarcações comercializadas no local. Marius Berlemann, Diretorgeral da Messe Dússeldorf, afirmou que a edição de 2026 decorreu num ambiente de recuperação após anos marcados por instabilidade nos mercados e ajustamentos na produção. O responsável destacou o retomar de conversas comerciais estruturadas e a reativação de encomendas. Também Petros Michelidakis, diretor da boot Dússeldorf, sublinhou o caráter internacional da feira e o papel do evento enquanto ponto de encontro central da indústria. A edição de 2026 evidenciou o peso crescente da articulação entre indústria, política europeia e investigação, através de plataformas como o Blue Innovation Dock, organizado em cooperação com a European Boating Industry (EBI). Sustentabilidade, inovação tecnológica, circularidade de materiais e competitividade industrial estiveram no centro da agenda. ESTREIAS MUNDIAIS E LANçAMENTOS ESTRATêGICOS MARCAM EDIçáO DE 2026 A vela voltou a ocupar posição central no Pavilhão 16, concentrando várias estreias mundiais e modelos finalistas do European Yacht of the Year (EYOTY). Entre as estreias absolutas destacou-se o Hallberg-Rassy 370, com 11,32 metros de comprimento total, boca de 3,75 m, deslocamento de 8 toneladas e plano vélico de 79,6 me. Equipado com dupla roda de leme e quilha de chumbo, o modelo posiciona-se no segmento de cruzeiro oceânico. A nova marca Pure Yachts apresentou o Pure 42, primeiro modelo de série em alumínio, com 13,80 m de comprimento, quilha hidráulica variável entre 1,20 m e 3,0 m e deslocamento de 9,8 toneladas. Nomeado para o EYOTY, o modelo integra guinchos elétricos, bow thruster e eletrónica de navegação de série. No segmento daysailer, o Saffier SE 28 Leopard introduziu um novo casco, opções de motorização diesel ou elétrica e diferentes configurações de quilha, com deslocamento de 2,2 toneladas. Entre as estreias na Alemanha e finalistas EYOTY estiveram modelos como o Dufour 48, Beneteau Oceanis 52, Lagoon 38, CNB 62, Excess 13 e o Jeanneau Sun Odyssey 415. A presença de 25 associações de classe reforçou o dinamismo do segmento da vela. No setor das embarcações a motor, a edição de 2026 concentrou um número elevado de world premiéres. Entre elas: Axopar 38 Saxdor 460 GTC Greenline 42 Frauscher X Porsche 790 Spectre Astondoa 577 Coupe Lasai 32KS (propulsão solar-elétrica) Highfield ADV9 Gran Turismo 50 o Maxim Yachts , novo projeto Pearl 73 (projeto) Navan T30 VISITA DE IMPRENSA E A ESTREIA MUNDIAL DO NAVAN T30 No dia 16 de janeiro, durante o Press Walk oficial da boot Dússeldorf 2026, realizou-se a apresentação mundial do Navan T30, no Pavilhão 3. O Navan T30 distingue-se por um layout focado na ergonomia, com bordos elevados e cockpit modular, configurável para lazer, convívio social ou pesca. A modularidade do espaço permite adaptar o convés a diferentes utilizações, refletindo uma tendência de versatilidade no segmento dos 9 a 10 metros. A apresentação integrou o programa oficial de imprensa da feira, que antecedeu a abertura ao público. Portugal B na boot 2026: Primeira presença governamental integrada no protocolo oficial da feira Aedição de 2026 da boot Dússeldorf ficou marcada por um momento inédito na relação entre Portugal e a maior feira mundial de náutica de recreio. Pela primeira vez, um membro do Governo português integrou formalmente o programa oficial do certame e o respetivo protocolo institucional. O Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Professor Salvador Malheiro, participou na cerimónia oficial de abertura, realizada na manhã de 17 de janeiro, ao lado de representantes institucionais europeus e responsáveis da organização da Messe Dússeldorf. A presença portuguesa assumiu particular relevância por ter sido integrada na agenda oficial da feira, num contexto de diálogo estratégico sobre o futuro da indústria náutica europeia. PARTICIPAçaO NO BLUE INNOVATION DOCK Após a abertura oficial, o Secretário de Estado participou na sessão inaugural do Blue Innovation Dock (BID), plataforma organizada conjuntamente pela boot Dússeldorf e pela European Boating Industry (EBI), instalada no Pavilhão 10. O BID afirma-se como fórum dedicado à economia azul, à competitividade industrial e à sustentabilidade do setor. A sessão de abertura contou com intervenções de Petros Michelidakis, diretor da boot Dússeldorf, e de Robert Marx, presidente da EBI. Seguiu-se uma entrevista a Dave Foulkes, CEO da Brunswick Corporation, centrada na evolução estratégica da indústria náutica global, inovação tecnológica e tendências de mercado. as 11h45 decorreu o painel de alto nível intitulado “Reforçar a competitividade e a inovação na indústria náutica europeia”, que reuniu: o Salvador Malheiro, Secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal o Dave Foulkes, CEO da Brunswick Corporation Bruno Thivoyon, Chairman do Grupo Beneteau . Marie-Agnes Strack-Zimmermann, Deputada ao Parlamento Europeu e Felix Leinemann, Chefe de Unidade da Direção-Geral dos Assuntos Marítimos da Comissão Europeia o debate centrou-se na necessidade de reforçar a capacidade industrial europeia, estimular o investimento em inovação e assegurar um enquadramento regulatório estável que sustente a produção em série e a competitividade global dos estaleiros europeus. A presença no painel de responsáveis da Brunswick Corporation e do Grupo Beneteau, dois dos maiores grupos internacionais da náutica de recreio (ambos com unidades de produção em Portugal), acrescentou uma dimensão concreta ao debate, evidenciando a ligação entre as decisões estratégicas europeias e o tecido industrial instalado no país. O Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, referiu a economia azul e a inovação tecnológica como prioridades estratégicas para Portugal. A participação portuguesa ocorreu num momento em que o setor enfrenta desafios estruturais, incluindo custos energéticos, ajustamentos nas cadeias de abastecimento, pressão regulatória e exigências associadas à transição tecnológica. Neste contexto, a articulação entre indústria e decisores políticos assume relevância acrescida, não apenas para garantir estabilidade e previsibilidade ao investimento, mas também para consolidar e eventualmente expandir a capacidade produtiva já existente em países como Portugal, onde a construção naval de recreio integra cadeias de valor internacionais e contribui para o emprego qualificado e para as exportações. ENQUADRAMENTO NSTITUCIONAL E CONTACTOS DE ALTO NIVEL A agenda oficial incluiu ainda um almoço de trabalho no Kurt Schoop Lounge, reunindo os AALnn intervenientes institucionais e representantes da indústria, permitindo aprofundar discussões sobre prioridades políticas e estratégicas para o setor náutico europeu. Durante a tarde, o Secretário de Estado realizou visitas institucionais aos stands da Brunswick (Pavilhão 3) e do Grupo Beneteau (Pavilhão 16), respetivamente o maior grupo mundial e o maior grupo europeu da náutica de recreio. Ambos mantêm presença industrial relevante em Portugal e desempenham um papel estruturante no mercado europeu. A partir das 15h00 iniciouse a visita aos stands portugueses presentes na feira, reforçando o contacto direto com empresas e entidades nacionais em processo de internacionalização. A participação portuguesa no programa oficial da boot Dússeldorf 2026 evidenciou uma abordagem mais estruturada à internacionalização do setor marítimo e náutico nacional, posicionando Portugal num fórum europeu onde se discutem política industrial, sustentabilidade, inovação tecnológica e competitividade global. Durante a visita, Salvador Malheiro sublinhou que esta presença teve como objetivo afirmar a relevância da náutica de recreio e dos desportos náuticos na ação governativa. Referiu que Portugal pretende reforçar o posicionamento do setor, abrangendo construtores, promotores, operadores de marinas e utilizadores, e assumiu como prioridades a simplificação de processos administrativos, a agilização de procedimentos e a atração de jovens para a atividade náutica. O governante destacou ainda a importância de participar num painel que reuniu decisores políticos europeus e representantes de alguns dos maiores construtores mundiais, considerando o momento relevante para reforçar o compromisso nacional com o desenvolvimento da náutica de recreio. Participação Portuguesa: Ecossistema empresarial, turístico e institucional presente em Düsseldorf Aedição de 2026 contou com a presença de mais de duas dezenas de empresas portuguesas. Aparticipação portuguesa na boot Dússeldorf 2026 traduziu-se numa representação alargada e transversal do setor náutico nacional, integrando associações, marinas, entidades de promoção turística, operadores de mergulho, a rede das estações náuticas, empresas de serviços e órgãos de comunicação social. A participação resultou de iniciativas diversas, algumas coordenadas institucionalmente, outras desenvolvidas de forma autónoma, refletindo um ecossistema nacional com estratégias próprias de internacionalização, mas convergente na promoção do mar como ativo económico e turístico. ASSOCIAçôES E INFRAESTRUTURAS NAUTICAS A Associação Portuguesa de Portos de Recreio (APPR) marcou presença no certame, contando com a participação da sua Presidente, Isolete Correia, que acompanhou a visita oficial do Secretário de Estado das Pescas e do Mar aos expositores portugueses. No plano das infraestruturas portuárias de recreio, estiveram representadas diretamente: Marina de Sines Marina de Cascais o Marina de Vilamoura . Marina de Albufeira o Marina de Portimão A Marina de Cascais, presença regular na boot Dússeldorf ao longo dos últimos anos, voltou a apresentar-se como porto de referência na costa atlântica, destacando as condições para a prática da vela, o seu campo de regatas reconhecido internacionalmente e uma infraestrutura com 650 postos de amarração, complementada por uma oferta diversificada de serviços em terra. AMarina de Sines participou pelo segundo ano consecutivo na feira, reforçando o seu posicionamento como ponto estratégico de escala entre Tróia e o Algarve.com capacidade para 182 embarcações até 25 metros e infraestruturas técnicas de apoio, incluindo doca seca, meios de elevação e área abrigada de fundeadouro, apresentou-se como porto de apoio relevante nas rotas nacionais e internacionais ao longo da costa portuguesa. Ambas ocuparam espaços expositivos de 9me, localizados lado a lado no recinto, permitindo uma apresentação complementar da oferta portuária portuguesa. A presença destas infraestruturas em Dússeldorf enquadra-se numa estratégia de captação de tráfego internacional, promoção de escalas técnicas e posicionamento na náutica de recreio e charters. Num contexto europeu competitivo, a visibilidade em feiras de grande dimensão cane constitui um instrumento relevante para reforçar ligações a operadores, armadores e redes de distribuição internacionais. TURISMO NAutico E ATIVIDADES MARITIMO TURISTICAS O segmento do turismo náutico e do mergulho teve uma presença portuguesa estruturada, com destaque para OS Açores e Madeira. A Associação VISIT AZORES AE liderou a promoção do arquipélago enquanto destino atlântico de mergulho oceânico, biodiversidade marinha e observação de grandes pelágicos. Integraram igualmente a representação açoriana vários operadores: Azores Sub, Azzurro , Dive Academy Lda., Haliotis , Actividades Marítimo-Turísticas, Peter Keeping, Scubazores Divers, Octopus Atividades Náuticas, MantaMaria e Pico Islands Adventures. AMadeiraesteve representada através da Manta Diving Madeira Lda., reforçando a oferta nacional de mergulho em águas subtropicais. No segmento das viagens especializadas, participou a Arlindo Serrão , Viagens e Turismo, agência dedicada ao turismo de mergulho e natureza, com foco em programas estruturados para mercados internacionais. Aempresa Silentwind, associada a soluções de energia eólica para embarcações, integrou também a presença portuguesa, representando o segmento tecnológico ligado à eficiência energética. REDES, CLUSTERS E ESTAçôES NAUTICAS A dimensão estruturante da náutica portuguesa esteve igualmente presente através de redes e plataformas colaborativas. AFórum Oceano, enquanto entidade gestora do cluster do mar, marcou presença, com foco na internacionalização da Rede das Estações Náuticas de Portugal. A participação desta rede evidencia a consolidação do modelo das Estações Náuticas enquanto instrumento de desenvolvimento territorial associado ao turismo ativo e ao desporto náutico. António José Correia sublinhou a dimensão da feira e o seu impacto internacio-nal, referindo que a presença portuguesa teve como objetivo promover o território náutico nacional, abrangendo tanto águas costeiras como interiores. Destacou ainda o envolvimento das empresas EEIMITIT parceiras das atuais 45 Estações Náuticas de Portugal, número que deverá atingir 60 até ao final do ano e apontou a plataforma Nautical Portugal como instrumento agregador da oferta nacional. A estratégia de promoção territorial integrada esteve particularmente visível na participação da Associação Tu-rismo do Algarve (ATA), que coordenou uma presença conjunta da Estação Náutica de Albufeira, Estação Náutica de Vilamoura e Estação Náutica de Portimão. A ATA assumiu uma abordagem agregadora, promovendo o Algarve enquanto destino náutico estruturado, sob uma lógica de unidade de marca e comunicação regional. Esta opção visou reforçar escala promocional, coerência estratégica e eficiência na presença internacional. A organização da participação conjunta portuguesa sublinhou que esta foi a nona presença estruturada de Portugal na boot Dússeldorf, considerando a feira um momento central da náutica mundial. Foi destacada a evolução progressiva do posicionamento nacional no certame, referindo-se que, em 2026, foi possível reunir numa área conjunta uma diversidade territorial abrangente, incluindo regiões insulares, litoral continental e águas interiores. Segundo a organização, a boot representa não apenas um espaço de networking, mas também uma plataforma de negócio efetivo, onde contactos estabelecidos podem traduzir-se em atividade comercial ao longo do ano. Regista-se igualmente a presença da Divisão Náutica da ACAP , Associação Automóvel de Portugal, sócia da European Boating Industry (EBI). A delegação portuguesa, liderada por Fernando Azevedo de sá, Presidente da Divisão Náutica da ACAP, acompanhou a visita oficial do Secretário de Estado das Pescas e do Mar e participou em momentos de articulação institucional e empresarial, incluindo contactos setoriais eo International Breakfast Meeting promovido pela EBI. UMA PRESENçA DIVERSIFICADA NUM CONTEXTO INTERNACIONAL A presença nacional em Dússeldorf, integrada num universo de cerca de 1.500 expositores de 68 países, mostrou a diversidade de entidades portuguesas, da promoção turística às infraestruturas, do mergulho à energia aplicada à náutica, refletindo a amplitude do setor marítimo nacional. A Cônsul de Portugal em Dússeldorf, Elisabete Palma, presente nocertame, destacou a evolução da representação nacional, referindo tratar-se da sua segunda participação e sublinhando a crescente uniformidade e diversidade da presença portuguesa. Considerou que a integração do Secretário de Estado nesta edição constitui um sinal da consolidação da aposta nacional na economia azul, manifestando satisfação pelo reforço institucional do setor no contexto internacional. Num contexto em que a competitividade europeia esteve em debate no Blue Innovation Dock e em que a feira registou forte participação internacional, a representação portuguesa apresentouse com expressão institucional, empresarial e territorial. Blue Innovation Dock: Economia azul, sustentabilidade e competitividade europeia nstalado no Pavilhão 10, o blue innovation dock (BID) voltou a assumir-se na boot Dússeldorf 2026 como a principal plataforma europeia de debate estratégico sobre o futuro da indústria náutica e da economia marítima. Organizado conjuntamente pela boot Dússeldorf e pela European Boating Industry (EBI), o fórum reuniu decisores políticos europeus, líderes empresariais, investigadores, representantes de associações setoriais e operadores do mercado. Ao longo dos nove dias da feira, o BID acolheu painéis, entrevistas, keynotes e apresentações técnicas centradas em três eixos estruturantes: competitividade industrial, transição sustentável e inovação tecnológica. COMPETITIVIDADE INDUSTRIAL E ENQUADRAMENTO POLíticO EUROPEU O arranque do programa ficou marcado pelo painel de alto nível dedicado ao reforço da competitividade da indústria náutica europeia, integrando representantes da Brunswick Corporation, Grupo Beneteau, Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Governo português. O debate abordou a necessidade de: . garantir estabilidade regulatória; o reforçar a produção em série na Europa; o apoiar investimento em inovação; o manter capacidade industrial face à concorrência global; . assegurar condições favoráveis ao financiamento e à exportação. CIRCULARIDADE, MATERIAIS E RECICLAGEM DE COMPoSITOS Um dos blocos temáticos mais consistentes do BID centrouse na transição para modelos circulares na construção naval de recreio. Sucederam-se sessões dedicadas a reciclagem de compósitos, inovação em materiais, reaproveitamento de resíduos industriais, integração de princípios de economia circular na construção de embarcações. O tema da circularidade surge num contexto em que o setor enfrenta crescente pressão regulatória europeia e necessidade de adaptação às metas climáticas e ambientais da União Europeia. DIGITALIZAçãO, INTELIGéNCIA ARTIFICIAL E COLABORAçãO | NTERSETORIAL Outro eixo central foi a integração de tecnologias digitais e inteligência artificial no setor náutico. A sessão “Cross-industry collaboration: boating meets Al and digital technologies” abordou aplicações práticas de IA na gestão de marinas, manutenção preditiva, otimização energética e experiência do utilizador. O diálogo intersetorial incluiu contributos de especialistas em mobilidade, engenharia e atecnologia aplicada, refletindo uma tendência de convergência entre náutica, automóvel e soluções digitais. SUSTENTABILIDADE, PROTEçãO MARINHA E ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE A sustentabilidade esteve igualmente presente através da campanha “love your ocean”, desenvolvida em cooperação com a Fundação Alemã do Mar, e do prémio internacional “ocean tribute” Award, atribuído este ano à organigoenen zação espanhola One Ocean Planet Foundation. EBI REAFIRMA PAPEL ESTRATéGICO DA NãUTICA EUROPEIA COM o BID E INTERNATIONAL B 3REAKFAST 2026 A edição de 2026 confirmou o Blue Innovation Dock como espaço estruturado de articulação entre indústria, política europeia e investigação aplicada. Num contexto em que a náutica de recreio enfrenta desafios energéticos, ambientais e competitivos, o BID posicionou-se como fórum técnico e político relevante. Aapresentação do EBI Economic Index 2026, no âmbito do International Breakfast Meeting realizado a 20 de janeiro, forneceu dados atualizados sobre tendências económicas, clima de investimento e perspetivas de mercado. O índice constitui uma ferramenta de acompanhamento regular da evolução do setor europeu da náutica de recreio, agregando informação proveniente das instituições europeias e da indústria. O International Breakfast Meeting reuniu CEO de estaleiros europeus e responsáveis industriais, incluindo representantes da Saxdor Yachts, Cantiere del Pardo e Bavaria Yachts, num debate sobre produção, escalabilidade e posicionamento estratégico num mercado global em transformação. World Premières e inovação de produto: 8 As embarcações que marcaram a boot 2026 Aboot Dússeldorf 2026 voltou a afirmar-se como palco privilegiado para a apresentação de novas embarcações e projetos estratégicos da indústria náutica internacional. Ao longo dos 16 pavilhões, a edição deste ano concentrou um número expressivo de estreias mundiais e lançamentos europeus, abrangendo vela, motor, multicascos, embarcações elétricas e soluções híbridas, refletindo tendências técnicas e comerciais do setor. No segmento da vela, o Pavilhão 16 reuniu alguns dos principais construtores europeus, com particular destaque para modelos nomeados ao European Yacht of the Year (EYOTY). Entre as estreias mundiais esteve o HallbergRassy 370, com 11,32 metros de comprimento total, boca de 3,75 metros, deslocamento de 8 toneladas e um plano vélico de 79,6 m?. O modelo apresenta cockpit de popa com dupla roda de leme, quilha de chumbo e baupré integrado, posicionando-se no cruzeiro oceânico de médio porte, com foco na autonomia e na facilidade de manobra. A nova Pure Yachts escoIheu Dússeldorf para lançar o Pure 42, primeiro modelo de série do estaleiro, construído em alumínio e equipado com quilha hidráulica de calado variável entre 1,20 e 3,0 metros.com 13,80 metros de comprimento e deslocamento de 9,8 toneladas, o modelo integra soluções orientadas para cruzeiro de longo curso e performance, incluindo guinchos elétricos, bow thruster, piloto automático e eletrónica de navegação. A nomeação para o EYOTY reforçou a visibilidade do projeto no certame. No segmento daysailer, o Saffier SE 28 Leopard apresentou um novo casco e diferentes configurações de quiIha, com deslocamento de 2,2 toneladas e área vélica a partir de 40 m?. A possibilidade de motorização diesel ou elétrica e a configuração interior com até quatro camas revelam a tendência para embarcações compactas com utilização versátil. Entre as estreias na Alemanha e modelos finalistas do EYOTY estiveram o Dufour 48, o Beneteau Oceanis 52, oLagoon 38, o CNB 62, o Excess 13 eo Jeanneau Sun Odyssey 415. A presença simultânea destes modelos no mesmo certame reforçou o posicionamento da boot como ponto de referência para o acompanhamento das evoluções do mercado de cruzeiro, tanto em monocascos como em multicascos. No setor das embarcações a motor, a edição de 2026 apresentou um conjunto alargado de world premiéres que abrangeram diferentes segmentos, dos day cruisers aos iates de maior dimensão. A Saxdor Yachts apresentou o Saxdor 460 GTC, consolidando a estratégia do estaleiro finlandês no segmento dos 40 a 50 pés. A Axopar revelou a nova Axopar 38, reforçando a sua presença no mercado de embarcações de casco rapido com design orientado para utilização mista, lazer e performance. A Greenline escolheu Dússeldorf para a es-treia mundial da Greenline 42, modelo associado à propulsão híbrida e eficiência energética, dando continuidade ao posicionamento da marca eslovena no segmento sustentável. O lançamento do Frauscher X Porsche 790 Spectre destacou-se pela colaboração entre a construção naval ea engenharia automóvel, integrando soluções elétricas de alto desempenho. Também a Lasai apresentou a 32KS, embarcação solar-elétrica que reforça a aposta em propulsão alternativa no segmento premium. No universo dos grandes iates, a Astondoa revelou o 577 Coupe, enquanto a Pearl Yachts apresentou o projeto Pearl 73. A Highfield Boats lançou a ADV9, ampliando a oferta no segmento dos semirrígidos de maior dimensão. O Grupo Beneteau e a Brunswick Corporation estiveram igualmente entre os protagonistas do certame, com atualizações de gama, celebrações institucio-nais, incluindo os 40 anos da Brunswick, e forte presença comercial. No contexto das estreias, a Navan T30, apresentada durante o Press Walk de 16 de janeiro no Pavilhão 3, ilustrou a evolução do segmento das embarcações versáteis de médio porte.com layout ergonómico, bordos elevados e cockpit modular adaptável a lazer, convívio ou pesca, o modelo enquadra-se numa tendência de flexibilidade funcional e otimização de espaço, procurando responder a utilizadores que valorizam polivalência numa embarcação de cerca de 9 a 10 metros. A concentração de estreias mundiais na boot Dússeldorf 2026 evidenciou não apenas a retoma do ritmo de lançamentos após períodos de ajustamento no mercado, mas também a diversificação tecnológica em curso. Propulsão elétrica e híbrida, eficiência energética, modularidade de layout, integração digital e oti-mização de materiais surgem como vetores comuns a vários projetos apresentados. A apresentação de novos modelos confirmou Dússeldorf como um dos principais palcos internacionais para decisões comerciais, posicionamento de marca e afirmação tecnológica no setor da náutica de recreio. Mergulho, destinos e experiência do público: A dimensão turística e ativa da boot 2026 , ara além da vertente industrial e comercial, a boot Dússeldorf 2026 voltou a afirmar-se como plataforma internacional dedicada ao turismo náutico e aos desportos aquáticos, combinando exposição de produto com experiência direta do público. os pavilhões 11 e 12 concentraram a área dedicada ao mergulho, reunindo fabricantes de equipamento, operadores turísticos, centros de formação e destinos internacionais. O setor do mergulho apresentou uma oferta global que incluiu destinos do Mar Vermelho, Caraíbas, Sudeste Asiático, Mediterrâneo e Atlântico. Países como Egito, Indonésia, Filipinas e Turquia promoveram programas estruturados de turismo subaquático, combinando cruzeiros de mergulho, centros certificados e propostas orientadas para biodiversidade e património submerso. Paralelamente, fabricantes internacionais de equipamento técnico e recreativo apresentaram novas soluções em fatos secos, sistemas de iluminação, computadores de mergulho e acessórios especializados. O Dive Center manteve-se como um dos polos de maior afluência, integrandodemonstrações técnicas, apresentações de produto e a entrega do Dive Award, distinção que já conquistou dimensão internacional. A torre de mergulho instalada no recinto voltou a funcionar como elemento de atração visual e prática, permi-tindo experiências reais dentro da própria feira. Neste contexto, Portugal apresentou-se com presença estruturada no segmento do mergulho e do turismo náutico. A Região Autónoma dos Açores, através da Associação Visit Azores, promoveu o arquipélago enquanto destino atlântico associado a águas profundas, biodiversidade marinha e contacto regular com grandes espécies pelágicas. Operadores como Azores Sub, Azzurro , Dive Academy, Haliotis, Octopus Atividades Nauticas, MantaMaria, Pico Islands Adventures e Scubazores Divers representaram diferentes ilhas e tipologias de operação, abrangendo mergulho recreativo, técnico e programas orientados para observação de megafauna marinha. A Madeira esteve representada pela Manta Diving Madeira, promovendo as características subtropicais das suas águas, zonas de merguIho costeiro e áreas marinhas protegidas. A presença portuguesa no segmento subaquático foi complementada pela Arlindo Serrão - Viagens e Turismo, agência especializada em programas de mergulho e natureza, reforçando a ligação entre destinos nacionais e mercados emissores internacionais. Para além do mergulho, a boot voltou a apostar fortemente nas modalidades ativas. Nos diferentes pavilhões foi possível experimentar surf, paddle, canoagem e vela, num ambiente controlado que recria condições de prática real. A iniciativa “boot for school” esgotou novamente, envolvendo alunos em atividades educativas na “Sala de Aula Marítima”, desenvolvida em cooperação com o Museu Aquazoo Lõbbecke, combinando sensibilização ambiental e contacto prático com desportos aquátiCOS. A campanha “love your ocean”, desenvolvida em cooperação com a Fundação Alemã do Mar, marcou presença com espaços informativos dedicados à proteção dos oceanos e iniciativas de sensibilização ambiental. O prémio internacional “ocean tribute” Award foi atribuído este ano à One Ocean Planet Foundation, de Espanha, reforçando a ligação entre atividade náutica e responsabilidade ambiental. A boot Dússeldorf 2026 demonstrou, assim, uma dupla natureza, feira de negócios e plataforma experiencial. Enquanto nos pavilhões dedicados à construção naval se discutiam produção, inovação e competitividade, nas áreas de mergulho e turismo reforçava-se a dimensão emocional e ativa associada ao mar. Esta combinação contribui para explicar a elevada taxa de satisfação dos visitantes e a capacidade do evento em reunir profissionais, consumi-dores finais e praticantes de desportos aquáticos num mesmo espaço. A dimensão turística estendeu-se ao espaço Destinations & Boat Life, onde operadores de charter, regiões costeiras e entidades de promoção apresentaram ofertas de férias a bordo, casas flutuantes, cruzeiros costeiros e navegação em águas interiores. Segundo a organização, muitos visitantes realizaram reservas diretamente no evento, sinalizando a importância da feira enquanto ponto de contacto entre procura e oferta. PORTUGAL ESTEVE EM DESTAQUE NO PROGRAMA: WATER FUN IN PORTUGAL BY NAUTICAL PORTUGAL” A dimensão turística e experiencial da boot 2026 contou também com participação portuguesa no programa da feira. A sessão Water Fun in Portugal by Nautical Portugal” , integrada na programação da Destinations & Boat Life Búhne (Hall 13), apresentou Portugal como destino náutico estruturado, diverso e acessível durante todo o ano. A apresentação esteve a cargo de Gonçalo Santos, Internationalization Coordinator da Fórum Oceano, que deu a conhecer o projeto Estações Náuticas de Portugal, uma rede nacional de 45 destinos certificados que articulam, num modelo integrado, portos, marinas, alojamento, gastronomia, operadores turísticos, atividades náuticas, natureza e cultura. Com cerca de 1.800 km de costa, complementados por rios, estuários, lagoas e albufeiras distribuídos pelo território, Portugal reúne condições singulares de proximidade e diversidade geográfica. Esta combinação permite oferecer atividades náuticas ao longo de todo o ano, do surf e mergulho no oceano ao kayak, remo e turismo fluvial em águas interiores. o conceito de Estação Náu-tica assenta numa lógica de “one-stop destination”, garantindo coordenação local, padrões comuns de qualidade, segurança e sustentabilidade, e reduzindo a fragmentação da oferta. A sustentabilidade surge como eixo central do projeto, integrando gestão territorial, envolvimento comunitário e proteção dos ecossistemas, incluindo soluções como embarcações de propulsão solar em várias estações. Distribuídas de norte a sul, do Douro e do Minho ao Algarve, passando pelo Centro, Lisboa e Alentejo, as Estações Náuticas afirmam-se como plataformas abertas para turistas, operadores e parceiros internacionais, promovendo não apenas atividades náuticas, mas também enoturismo, gas-tronomia, património e experiências culturais associadas à água. A presença portuguesa no palco Destinations & Boat Life reforçou, assim, a vertente internacional e turística da boot 2026, enquadrando-se na forte procura por destinos náuticos sustentáveis e estruturados, evidenciada ao longo da feira. Balanço final e posicionamento estratégico: boot 2026 consolida centralidade europeia num mercado em ajustamento Aboot Dússeldorf 2026 encerrou a 25 de janeiro com mais de 200.000 visitantes provenientes de mais de 110 países, registando um ligeiro aumento face à edição anterior e reforçando o caráter internacional do evento. Cerca de um quarto do público deslocou-se do estrangeiro, incluindo visitantes de fora da Europa, o que constitui um in-dicador relevante para um setor fortemente orientado para exportação. Ao longo dos nove dias, cerca de 1.500 fabricantes, comerciantes e destinos de 68 países ocuparam os 16 pavilhões do recinto da Messe Dússeldorf. A organização destacou uma taxa de satisfação próxima de 95%, com a maioria dos visitantes a indicar ter cumprido os objetivos definidos para a visita. Diversos expositores reportaram fecho de negócios nos stands e contactos comerciais qualificados, incluindo vendas concretizadas durante a feira. O ambiente registado nos pavilhões foi descrito pela or-ganização como um sinal de estabilização após anos marcados por oscilações na procura, constrangimentos nas cadeias de abastecimento e ajustamentos na produção. Representantes de estaleiros europeus referiram um retomar gradual da atividade comercial, com reforço do interesse internacional e recuperação de encomendas em determinados segmentos. A presença consolidada de grandes grupos industriais, como o Grupo Beneteau, Brunswick Corporation, Bavaria Yachts, Hanse Yachts, Saxdor Yachts, Ferretti Group, Azimut e Sunseeker, entre outros, evidenciou a importância estratégica da feira no calendário internacional do setor. A concentração de estreias mundiais, lançamentos de projetos e atualizações de gama reforçou o papel de Dússeldorf como plataforma de apresentação e decisão comercial. A dimensão política e estratégica assumiu igualmente relevo nesta edição. O Blue Innovation Dock, organizado em cooperação com a European Boating Industry (EBI), voltou a reunir representantes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e de governos nacionais, bem como CEO de grandes grupos internacionais. A discussão em torno da competitividade industrial, sustentabilidade, circularidade de materiais e digitalização enquadrou a náutica de recreio num debate mais amplo sobre economia azul e política industrial europeia. Neste contexto, a participação oficial de Portugal, integrada no protocolo da feira e no programa do Blue Innovation Dock, assumiu significado institucional. A presença do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Professor Salvador Malheiro, na abertura oficial e num painel de alto nível dedicado à competitividade europeia sinalizou uma abordagem mais estruturada à internacionalização do setor marítimo nacional. Paralelamente, a representação de marinas, operadores turísticos, a rede das estações náuticas e entidades regionais de turismo reforçou a visibilidade do ecossistema português num dos principais palcos internacionais da náutica. A edição de 2026 confirmou, assim, a boot Dússeldorf como ponto de convergência entre indústria, turismo, inovação tecnológica e política europeia. Num mercado que atravessa uma fase de ajustamento e redefinição de prioridades, a feira voltou a funcionar como indicador antecipado de tendências, espaço de negociação e plataforma de posicionamento estratégico. A próxima edição está já agendada para 23 a 31 de janeiro de 2027, mantendo Dússeldorf como referência anual para a indústria global dos desportos náuticos e da náutica de recreio. Vista geral dos pavilhões da 60ot Dússeldorf 2026, que-reuniu cerca de 1.500 expositores de 68 países 4IN GTANAN Pavilhão 16 dedicado à vela, um dos centros de maior afluência do certame Dragonfly 36, European Yacht of the Year 2026 Saffier Yachts , uma das estreias mundiais apresentadas na edição de 2026 Princess x80 entre as embarcações de maior dimensão em exposição Catamarã YOT do Catana Group exposto no certame, reforçando o segmento dos multicascos motorizados Sanlorenzo, presença consolidada no segmento dos grandes iates Sunseeker, um dos grupos internacionais em destaque na área dos Superiates MPI2 da Marcopolo Adventure Yachts, World Premiére 2026 Frauscher em exposição, integrando o conjunto de estreias no segmento premium Dave Foulkes (Brunswick Corporation) durante a celebração do 40. o Aniversário da Quicksilver Intervenção de Salvador Malheiro, Secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, no Blue Innovation Dock Bruno Thivoyon, Chairman do Grupo Beneteau, durante o painel sobre competitividade europeia Visita ao stand do Grupo Beneteau Visita do Secretário de Estado às Marinas de Cascais e de Sines Stand da Associação Portuguesa de Portos de Recreio (APPR) Portugal no Hall 13 - Destinos Náuticos Stand da Associação Turismo do Algarve (ATA), destacando o Algarve como destino náutico estruturado Momento de diálogo no stand dos Açores, no Pavilhão do Mergulho Portugal no espaço Destinations & Boat Life, promovendo o turismo náutico nacional Silentwind, soluções tecnológicas ligadas à eficiência energética para embarcações Pavilhão do mergulho, tradicionalmente um dos mais concorridos da feira Procura significativa no espaço dos Açores na área do mergulho Demonstrações e atividades na piscina indoor XXL do Hall I7 Conferências e apresentações diárias dedicadas ao setor da vela Gonçalo Santos durante a apresentação Water Fun in Portugal by Nautical Portugal” Canoagem para os mais novos e famílias Atletas na Piscina XXL do Hall I7 João Carlos Reis