COMO A RENAULT QUER SUBSTITUIR OS “FALSOS” HÍBRIDOS PLUG-IN
2026-03-03 22:06:10

O mercado automóvel é labiríntico e as estratégias das empresas não são lineares, precisando de se adaptar não apenas à conjuntura política ou regulamentar, mas aos clientes, que são o seu principal alvo. Neste sentido, eis como a Renault pretende substituir os "falsos" híbridos plug-in. Em 2023, a Renault descontinuou as versões híbridas plug-in (PHEV) do Renault Captur e do Renault Mégane, após cerca de três anos de vida comercial. A decisão terá resultado do facto de a tecnologia ser pouco rentável nos segmentos mais baixos. Atualmente, aliás, a empresa francesa conta com um PHEV na sua gama: o Renault Rafale E-Tech 4x4 300, o modelo mais caro do seu catálogo. Em novembro de 2024, conduzimos o poderoso Renault Rafale E-Tech 4x4 300 cv pelas estradas monegascas. Leia aqui. No ano passado, conforme citado, Ivan Segal, diretor global de vendas e operações da Renault, referia que "para algumas necessidades específicas com elevada quilometragem, acreditamos que o PHEV pode ser uma boa solução em termos de consumo". Contudo, "a nível global, mantemos o nosso plano", assente em dois pilares: "híbrido por um lado, elétrico por outro". A nossa estratégia é boa: por um lado os híbridos, por outro os elétricos. [...] Sabemos que a regulamentação pode mudar, mas acreditamos que temos o sistema de propulsão e a autonomia adequados para nos mantermos estáveis e equilibrados consoante as decisões que venham a ser tomadas ou a evolução da procura. Verificamos que este mercado não cresce ao mesmo ritmo que o mercado híbrido na Europa. Disse Segal, explicando que, assim, a Renault continua "a acreditar que a tecnologia full hybrid é a solução ideal para os clientes que vêm do diesel e não desejam passar diretamente para os elétricos, procurando antes o equilíbrio perfeito entre ambos os mundos". Mais do que isso, a empresa acredita "que a tecnologia full hybrid é simples" para a generalidade dos seus clientes. O Grupo Renault nomeou François Provost como diretor-executivo e diretor, em julho de 2025. Futuro da Renault passa pelos chamados EREV Apesar de cada vez mais marcas apostarem nos PHEV, a Renault continua a não ver esta tecnologia como ideal. Aliás, a empresa parece estar a preparar-se para substituí-la por outra, mais interessante: carros elétricos de autonomia alargada (em inglês, EREV - Extended Range Electric Vehicle). Numa entrevista à Autocar, o diretor-executivo da Renault, François Provost, explorou a intenção de que a indústria automóvel deixe para trás os "falsos" PHEV, que não incentivam o carregamento regular, optando pelos EREV. Particularmente, o responsável criticou os PHEV com autonomia elétrica reduzida vendidos por algumas marcas alemãs e chinesas. Internamente, a empresa designa os elétricos de autonomia alargada como "superhíbridos". Os superhíbridos podem ajudar as pessoas a entrar no mundo elétrico com menos ansiedade, com automóveis que têm, por exemplo, 800 quilómetros de autonomia em estrada. Mesmo que não encontrem um ponto de carregamento, podem continuar a conduzir. Referiu Bruno Vanel, diretor de produto da Renault, durante o último Salão Automóvel de Bruxelas. Os próximos automóveis elétricos compactos, do segmento C, e médios, do segmento D, da Renault deverão dispor de versões EREV, sendo equipados com um motor de 1,5 litros de cilindrada. Este deverá ser fornecido pela Horse Powertrain, a joint-venture da Renault com a Geely dedicada ao desenvolvimento e fabrico de motores de combustão interna e sistemas híbridos. Para que serve a extensão da autonomia? Em comparação com outros veículos elétricos, como híbridos e modelos elétricos a bateria, os EREV possuem um pequeno motor a gasolina que não está mecanicamente conectado às rodas. Em vez disso, funciona como uma unidade de energia a bordo, ativada sempre que necessário para recarregar a bateria. Este tipo de alternativa é particularmente popular, em vez dos veículos elétricos a bateria convencionais, em mercados importantes, como a China. BMW também vê potencial nos EREV, lançada inicialmente no seu i3 Em novembro de 2025, informámos que a BMW poderia repescar uma tecnologia lançada inicialmente no seu i3, há mais de uma década. A possibilidade estaria a ser colocada em cima da mesa não apenas devido à crescente procura pela tecnologia, mas, também, por causa dos rivais da marca, na China, um dos seus mercados mais importantes fora da Alemanha e dos Estados Unidos. A BMW estaria a ponderar a possibilidade de fabricar versões com extensão de autonomia de sedãs de luxo, como a série 7 topo de gama, e de SUV, como o X5, uma vez que são suficientemente grandes para acomodar um motor pequeno. Um dos motivos irá ao encontro da tese da Renault: o preço. Na altura, as fontes partilharam que os custos de desenvolvimento da tecnologia seriam relativamente baixos para a empresa alemã. Ana Sofia Neto