pressmedia logo

FÁBRICA EUROPEIA DA TESLA ESTÁ A OPERAR A MEIO GÁS. O QUE ESTÁ EM CAUSA?

Razão Automóvel Online

2026-03-04 22:03:55

A Fábrica da Tesla em Grünheide operou a menos de 40% da capacidade em 2025 devido à queda das vendas do Model Y na Europa. A fábrica da Tesla em Grünheide, perto de Berlim, Alemanha, está a operar bem abaixo da sua capacidade, evidenciando um problema estrutural que tem vindo a preocupar investidores e trabalhadores. Desde 2024 que a situação se tem agravado: os 211 235 veículos produzidos representaram apenas 56% da capacidade instalada - a capacidade total da fábrica supera 375 mil veículos por ano. Em 2025, segundo o jornal alemão Handelsblatt, a utilização da fábrica caiu para menos de 40%, refletindo a quebra de vendas generalizada do Model Y no mercado europeu. O Tesla Model Y é o único modelo fabricado em Grünheide que abastece praticamente apenas o mercado europeu. No último ano, foram vendidos 151 550 Model Y, em comparação com 210 414 unidades em 2024 na Europa, segundo dados da Dataforce. Embora a fábrica exporte também para outros mercados, como Turquia, Israel e países do Médio Oriente, esses volumes adicionais não chegam para compensar a desaceleração europeia. © Tesla Tesla Model Y Por regra, uma fábrica automóvel para ser rentável, tem de produzir pelo menos a 80% da sua capacidade máxima, pelo que este aproveitamento das instalações representa não só um desperdício de investimento (mais de cinco mil milhões de euros no local desde 2020), como limita a flexibilidade da empresa para lançar novos projetos e aumentar a produção de forma eficiente. O que está a ser feito? Para tentar contornar a situação e maximizar a utilização da fábrica, Elon Musk equaciona adicionar mais produtos entre os quais o Cybercab, o táxi-robô do construtor, ou o Semi, o camião 100% elétrico que a Tesla planeia lançar na Europa em 2027. Na lista das possibilidades está ainda a adição de um produto que não é um automóvel: o robô Optimus. Não obstante, todos estes produtos estão dependentes de aprovações da União Europeia (UE). Além disto, a empresa pretende aumentar a produção de células de bateria, fortalecendo a integração vertical do complexo de Grünheide. Atrito com os sindicatos Esta semana, a fábrica europeia da Tesla vive um momento decisivo com as eleições para o Conselho de Trabalhadores, cujo resultado é esperado hoje, 4 de março. O confronto opõe o modelo de gestão ágil de Elon Musk à tradição sindical alemã representada pelo IG Metall, o maior sindicato alemão. Para Musk, manter a fábrica “livre de influências externas” é condição essencial para garantir inovação e novos investimentos. Descubra o seu próximo automóvel: O conflito é reforçado pelo sistema de co-determinação da Alemanha, que concede ao Conselho de Trabalhadores um poder legal pouco comum noutros países para influenciar horários, salários e decisões estratégicas da administração. O IG Metall acusa a Tesla de impor ritmos de trabalho exaustivos e falta de transparência, enquanto a marca alerta que o fortalecimento sindical poderá travar a expansão da unidade de Grünheide. Historicamente, a Tesla tem operado sem maioria sindical, mas esse equilíbrio está agora em risco. O desfecho destas eleições será um barómetro para o futuro da Tesla na Europa. Uma vitória do sindicato poderá limitar a liberdade de Musk para ajustar a produção ou introduzir novos modelos, obrigando a empresa a adaptar-se às regras rígidas da indústria alemã. Mariana Teles