CONCLUSÕES DO 1.º CONGRESSO DE ENGENHARIA GEOLÓGICA E DE MINAS
2026-03-05 22:06:03

JOAQUIM GÓIS MEMBRO DO CONSELHO DE ADMISSÃO E QUALIFICAçãO EM ENGENHARIA GEOLÓGICA E DE MIINAS DA ORDEM DOS ENGENHEIROS No passado mês de outubro realizou-se, em Braga, no campus da dstgroup, o 1.0 Congresso de Engenharia Geológica e de Minas, uma organização conjunta do Grupo de Trabalho de Engenharia Geológica e de Minas da Região Norte e da empresa dstgroup.com uma participação muito expressiva de "geointeressados”, o evento constituiu-se como um dos maiores eventos do Setor da Indústria Extrativa em Portugal. Transversal e unanimemente referido pelas diversas intervenções institucionais da sessão de abertura, ficou o reconhecimento do quão apropriado e feliz foi a escolha do tema geral do Congresso: “Georrecursos: a presença invisível no nosso quotidiano”, temática que se impõe pela sua atualidade social e técnico-económica. Da intervenção do Sr. Bastonário da OE, Eng. Fernando Almeida Santos, ficou o agrado com que encarou a realização deste congresso na cidade de Braga que, como salientou, constitui uma região empreendedora, onde a Engenharia tem vindo a desempenhar um importante papel no desenvolvimento da Indústria em geral, mas também, de forma muito própria, na Indústria Extrativa. Em seguida, O Bastonário da 0E, revisitando as orientações estratégicas 2025-2028, refletiu sobre os novos desafios que se colocam à Ordem dos Engenheiros, com particular ênfase, para a necessidade de reter e valorizar o talento dos jovens engenheiros portugueses, obedecendo ao mote “Valorizar Engenheiros para Valorizar Portugal”. Nas restantes as intervenções, o Presidente do Colégio Nacional de Engenharia Geológica e de Minas da OE, Eng. Paulo Caetano, e o Coordenador da Região Norte da Especialidade de Engenharia Geológica e de Minas da OE, Eng. Paulo Meixedo, referiram, para além dos novos desafios profissionais e tecnológicos que se colocam aos membros do Colégio, os trabalhos que se avizinham, no seio da OE, tendo em vista uma próxima revisão dos atos desta Especialidade de Engenharia. O Presidente do Conselho Diretivo da Região Norte da OE, Eng. Bento Aires, assinalou que esta iniciativa é, não só um sinal da importância que esta Especialidade de Engenharia assume no Norte do país, mas é também sinónimo do dinamismo que o Colégio Regional da Especialidade tem vindo a protagonizar nos últimos tempos. O Delegado de Braga da 0E, Eng. Leonel e Silva, congratulou-se com a realização do Congresso na cidade de Braga desejando a todos um excelente dia de trabalhos, numa região que há muito vive e convive com a Indústria Extrativa. O anfitrião do Congresso, Eng. José Teixeira, numa nota de boas-vindas, realçou a “beleza” que pode sentir-se na Engenharia. “Beleza", uma palavra forte que muitas vezes não se associa à prática da Engenharia, mas que ele nos convida a descobrir em cada Ato de Engenharia que pratiquemos. Seremos, nas suas palavras, mais criativos, mais profícuos no fundo seguramente mais felizes. O Eng. António Costa Silva (ex-Ministro da Economia), numa cativante intervenção de fundo, referiu a importância decisiva que assumem, no âmbito das agências mobilizadoras, aspetos tão diversos como o conhecimento científico, a tecnologia, a inovação ou mesmo a cultura (..numa palavra a Engenharia.) para impulsionar a competitividade da economia, diversificando e promovendo, em cocriação entre empresas e instituições, os setores estratégicos de produção em Portugal. Indica a dstgroup como o exemplo de um grupo empresarial que ilustra, de forma particularmente feliz, muitos dos desígnios propostos pelas agências mobilizadores e que permitiram à empresa criar projetos inovadores e sustentáveis. No seguimento da sua intervenção, mostra-nos como diferentes matérias-primas foram no passado, são agora e serão certamente no futuro indispensáveis para o progresso da humanidade. Abordou a problemática do aumento do consumo das matérias-primas minerais e as questões da circularidade que, num futuro próximo, já amanhã, se imporão como inadiáveis. O Eng. Costa Silva deixa-nos, no final, não só uma mensagem de esperança, mas também uma mensagem de acrescida responsabilidade dirigida à Engenharia Geológica e de Minas, porquanto esta será um dos protagonistas maiores no desenvolvimento e sustentabilidade do Planeta. O Eng. Rui Sousa (b.again), numa apresentação de carácter mais técnico, falou-nos da reciclagem de baterias em fim de via, da reciclagem dos respetivos resíduos e de toda uma cadeia de valor que é possível estabelecer tendo como palavras-chaves a reciclagem, a reutilização e a valorização. Confrontamos, a propósito de uma temática atual, com o velho paradigma tecnológico da indústria mineira, baseado nas operações de fragmentação, de classificação, da separação e posterior concentração. Aborda os projetos e instalações de sistemas de armazenamento de energia promovidos pela b.again e ilustra algumas aplicações já em curso na empresa. Num âmbito mais informal, mas não menos importante, efetuaram-se duas visitas de “campo” guiadas pelos Eng. Nuno Faria e Dr. Diogo Fonseca (dstgroup) que permitiram observar, in loco, a concretização de alguns projetos nas quais as empresas do grupo dst estão envolvidas, não só no que respeita à temática das baterias, mas também na produção mais tradicional de agregados e betuminosos recirculados. Houve ainda a oportunidade de, ao longo dos percursos realizados, constatar a boas praticas sociais e ambientais da empresa na promoção, reabilitação e recuperação dos espaços que outrora foram objeto de explorações mineira a céu aberto. Num cenário ao ar livre, em tudo condizente com os temas abordados pelos oradores da tarde, as intervenções dos Eng. Paulo Pita, César Luaces e Javier González, trouxeram-nos perspetivas históricas e atuais, nacionais e internacionais da “exploração da pedra”. César Luaces (ANEFA, FDA, COMINROC, PRIMIGEA), após evidenciar as passadas políticas de hostilidade da UE relativamente ao setor extrativo, questiona-nos se, face aos recentes constrangimentos e a extrema dependência da UE no que respeita às matérias-primas minerais, não haverá a necessidade de repensar, dentro do espaço comunitário, toda uma estratégia para o setor da indústria extrativa. Abordando a realidade espanhola, no que diz respeito à exploração dos recursos minerais, termina, questionando-nos “...encontraremos o norte?.. Paulo Pita (DGEG), numa intervenção particularmente emotiva, ilustra a “Pedra e a Evolução da Humanidade”, destacando o papel central dos materiais pétreos na trajetória da humanidade desde os imemoriais tempos pré-históricos até aos dias hoje, atravessando todas as grandes civilizações da humanidade. Terminou a sua apresentação com a exposição de um documentário filmado “O Povo que Canta”. A última intervenção a cargo de Javier González (Cámara Oficial Mineira de Galicia), abordou a problemática da mineração sustentável e a necessidade de implementar um conjunto de boas práticas em consonância dom OS ODS definidos pela ONU. Realçando, em analogias bem conseguidas, a imagem que temos, ... que outros tem, ... que a sociedade tem... dos engenheiros de Minas, salientou que, ainda assim, a Indústria Mineira é indispensável para a transição energética e que é possível compatibilizar a exploração mineira com o ambiente. Foi apresentada uma mensagem vídeo, gravada pelo jornalista britânico Ed Conway, editor de economia da Sky News e colunista do Times, e autor de livros bestsellers como Material World, que explora a história das civilizações através dos materiais essenciais que as formaram. Ed Conway refletiu sobre a presença invisível dos minerais no nosso quotidiano, indo “.. das entranhas da mina mais profunda da Europa, áS imaculadas fábricas de chipes de silício da Formosa e às misteriosas lagoas verdes de onde provém o lítio , para revelar um mundo secreto que raramente é visto.. O 1.0 Congresso de Engenharia Geológica e de Minas terminou com uma mesa-redonda, que reuniu como intervenientes a Arq.8 Bárbara Rangel (FEUP), O Dr. Luís Martins (Cluster Mineral Resources), o Dr. Gonçalo Rocha (EDM) e O Eng. José Teixeira (dstgroup), na qual foram abordados, por Bárbara Rangel, os novos desafios tecnológicos para o avanço da impressão 3D na construção civil e o papel que os resíduos das explorações de pedreiras podem desempenhar como matéria-prima para as argamassas da impressão 3D. Luís Martins refletiu sobre como poderemos tentar sensibilizar a sociedade para a imprescindibilidade da exploração dos recursos minerais e como, muitas vezes, essa mensagem parece não passar para o cidadão comum. Gonçalo Rocha, apelando à sua vivência enquanto ex-autarca num concelho fortemente marcado pela indústria mineira e invocando a sua atual experiência na EDM, testemunhou-nos a simbiose positiva que se quer e que é possível estabelecer entre as populações locais e as iniciativas empresariais no domínio da exploração dos recursos minerais. Por último, numa intervenção apaixonada, José Teixeira desafiou OS Engenheiros Geológicos e de Minas a “amar” cada Ato de Engenharia que pratiquem, traduzindo e escrevendo na intemporalidade da pedra a paixão de serem profissionais de Engenharia. Bem-haja a dst e a OERN por nos terem proporcionado este Congresso. | ESPECJALIDADES COLEGIO NACIONAL DE ENGENHARIA GEOLOGICA E DE MINAS Paulo do Carmo de Sá Caetano JOAQUIM GÓIS