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APETECE CONHECER - "O MERCADO DOS VINHOS ESTÁ EM EBULIÇÃO”

Evasões

2026-03-06 22:06:43

Doutorada na área do turismo, Joana Quintela abraçou há seis anos a coordenação do short master em Escanção e Mercado Global de Vinhos da Portucalense Business School. á Evasões, fala da internacionalização do vinho português, das novas tendências do sector e da sua importância para o desenvolvimento local FOTO ANDRÉ ROLO Asua formação vem do turismo. O seu foco no vinho vem por algum interesse pessoal? Tenho uma ligação emocional a este setor desde miúda, porque já o meu avô tinha vinho e o meu pai também, na região do Dão. Foi-me pedido, em 2020, que abraçasse o desafio de coordenar este short master. Sendo uma área em constante mudança, o curso também reflete essa mudança? O curso é essencialmente prático e concreto. Fazemos ligações ao território, com aquilo que chamamos de Experience Seminars, onde há visitas, por exemplo, a quintas de enoturismo. E temos sempre um contacto direto com os profissionais. E além de ser curso de escanção, aborda também o mercado global de vinhos, sempre na perspetiva de internacionalização, que é a tendência do nosso vinho. Está cada vez mais presente na América, norte e sul, e na ásia. Quando é que se começou a notar esse salto internacional? O turismo foi o grande motor da internacionalização. Deu-nos uma projeção que até então não tínhamos o aumento do turismo fez com que Portugal fosse descoberto também ao nível dos vinhos. E estamos a conseguir expandir. E que tipo de vinhos são mais procurados no estrangeiro e pelos estrangeiros? Fala-se da tendência dos vinhos mais frescos e minerais. Sem dúvida que sim. E isso potencia regiões como a da Bairrada ou dos Vinhos Verdes. Vemos diferenças nas tendências, até a nível geracional. Os hábitos de consumo e os gostos têm mudado. O mercado, no fundo, tem espaço para tudo, porque podemos ter dois grandes segmentos. O segmento clássico, que ainda procura aquele vinho mais tradicional, eventualmente até mais intenso. E depois, o que procura vinhos mais leves. E até já se produzem cá vinhos sem álcool, que já entraram no merca-do. O que não é algo ainda muito pacífico, digamos. E que regiões portuguesas estão a crescer mais, em termos internacionais? Todas as regiões estão a tentar crescer, cada uma no seu ritmo e à sua maneira. Há regiões que se estão a renovar ou a reinterpretar. O Dão é uma delas. Tem vindo a assumir-se no mercado com uma roupagem diferente. E acho que seria o Dão que eu destacaria como mais inovador. Mas, claro, temos OS Açores também, que têm tido uma projeção enorme. O Dão, por exemplo, está a recuperar castas antigas e a trabalhá-las de forma mais moderna. E noutras regiões tem-se apostado em métodos ancestrais como o vinho da talha. O consumidor de vinho também procura essa autenticidade? Sim, porque em primeiro lugar, o vinho é cultura. Os rituais à volta do vinho interessam, ou seja, não existe só a paixão pelo líquido em si, mas sim pelo mundo vitivinícola. O mercado está em ebulição e os produtores estão a usar iSSO não só do ponto de vista comercial mas também para enriquecimento do setor através da diversidade. é também uma forma de fixar populações às regiões. Porque é lá que os produtores têm de estar e é para lá que vão os turistas. Este setor potencia o desenvolvimento local. No mercado em Portugal tanto se destacam vinhos de grandes empresas como de pequenos produtores. Acho que este tipo de projetos mais pequenos está a crescer? Felizmente, os pequenos produtores têm vindo a assumir-se no mercado exatamente pelas dimensões da autenticidade e originalidade, por trabalharem muito bem as suas terras e a sua imagem e também por oferecerem serviços complementares. No nosso curso, também temos essa preocupação de abordar as questões do marketing, do aconselhamento ao consumidor, do enoturismo. NIVEL PRATA Realizado em parceria com a Associação dos Escanções de Portugal e empresas dos setores vitivinícola e hoteleiro, o short master em Escanção e Mercado Global de Vinhos, da Portucalense Business School (Universidade Portucalense), começou a realizar. se em 2020, estando direcionado a quem trabalha na área e a curiosos. O aproveitamento permite obter a Certificação Profissional Nível Prata da Associação dos Escanções de Portugal, um reconhecimento com validade em 75 países. Mais informaçc ções: upt.p V/portucalense-business-school LUÍSA MARINHO