ADVOGADA DE ESPOSENDE QUE TERÁ INCENDIADO CARROS A EX-CLIENTES RECUSA FALAR EM TRIBUNAL
2026-03-07 22:04:05

A advogada de Esposende que está a ser julgada no Tribunal de Braga por alegadamente ter incendiado dois carros a um casal, seus ex-clientes, compareceu na segunda audiência, mas declarou que não presta declarações, por enquanto. Na primeira sessão, a causídica faltou, apresentando atestado médico, e o seu marido, o outro arguido no processo, também se escusou a falar ao coletivo de juízes. Os dois podem, no entanto, falar até ao final do julgamento. Entretanto, o Tribunal continuou a ouvir as testemunhas de acusação, uma delas a mulher que terá sido vítima da jurista, depoimento que não acabou e que contou ao coletivo de juízes o modo como soube do fogo que consumiu o seu Volvo, estacionado à porta de casa. A acusação , e conforme O MINHO noticiou , diz que a jurista Joana Coutinho e o marido, Juvenal Sá, , que negam os crimes , foram à Rua dos Rouxinóis, em outubro de 2021, às 03:00, com um acelerante de combustão e um isqueiro, e incendiaram o automóvel do casal, causando-lhe um prejuízo de 6.500 euros. A combustão provocou, também danos de 5.643 euros, num BMW utilizado pela ofendida, Sónia Ferreira, e prejuízos de 258 euros, num Renault, tendo as chamas descolado o granito da fachada do prédio. O fogo foi extinto pelos bombeiros. Os dois são julgados por terem caluniado e perseguido o casal, inventando que traficavam droga e incendiando-lhe dois automóveis. Estão acusados, em coautoria, dos crimes de denúncia caluniosa, tráfico de estupefacientes, dois crimes de dano qualificado, dois de incêndio, de explosões e outras condutas especialmente perigosas, e dois de perseguição. Perseguidos por não quererem pagar A acusação relata que a arguida era, em 2020, advogada em Esposende. Por isso, foi mandatada pelo casal, para os representar numa dívida bancária. Assim, em abril, apresentou-lhes uma nota de honorários, de 2.000 euros, o custo de “recurso para o BPI para prescrição da dívida”. O casal entendeu não pagar, por não acreditar na veracidade dos documentos, e apresentou uma queixa-crime contra ela. Então, e após insistir para que desistissem da queixa, iniciou um esquema de perseguição, com colocação de haxixe debaixo do carro , para os incriminar -, e dois incêndios em automóveis. Nota de honorários de 4.350 euros Ainda de acordo com a acusação, e pormenorizando, a arguida foi mandatada por um casal para os representar em assuntos jurídicos. Assim, em abril de 2020, a jurista apresentou-lhes uma nota de honorários de 4.350 euros, justificando-os com um e-mail falso que visava criar a convicção de que tinha negociado com um banco a prescrição de uma dívida do casal. Como o casal não pagou os honorários, em 02 de março de 2021, a advogada enviou um e-mail à entidade empregadora para penhorar o salário do homem, o que a firma também se recusou a fazer. Em setembro, o casal apresentou queixa crime contra a jurista e o DIAP de Esposende abriu um inquérito. Então, a advogada procurou um cunhado das vítimas para as convencesse a desistir da queixa. Como o casal manteve a denúncia, começou a persegui-lo. Segundo o Ministério Público, o marido da advogada colocou debaixo do carro do casal caixas com droga e alertou a GNR. A droga estava acompanhada de um bilhete com mensagens que incriminavam o casal de ex-clientes como envolvidos em tráfico de droga. Como o casal continuava a insistir na queixa, os arguidos incendiaram o caso do casal. Depois, voltaram a pegar fogo ao carro do cunhado, no qual o queixoso passara a deslocar-se. Arguidos negam crime Recorde-se que, em texto enviado a O MINHO, os arguidos rejeitam, de forma categórica, as imputações noticiadas. Afirmam ser vítimas de perseguição movida por ex-clientes e familiares que não pagaram os honorários devidos à advogada Joana Dulce Coutinho. Mais se esclarece que nunca ocorreu a suposta colocação de droga em viatura de ex-clientes, nem qualquer conduta criminosa, sendo os factos imputados expressamente refutados. Luís Moreira