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CONSTRUÇÃO SEM MÃOS SUFICIENTES: FALTAM 80 MIL TRABALHADORES. SETOR PROCURA-OS LÁ FORA

RH Magazine Online

2026-03-09 22:09:08

A falta de mão de obra na construção continua a agravar-se e as empresas procuram cada vez mais respostas fora de Portugal. Nos últimos três meses, os processos de contratação de trabalhadores estrangeiros duplicaram através da chamada “via verde” criada pelo Governo. A chamada “via verde” para a contratação de trabalhadores estrangeiros está finalmente a ganhar ritmo, quase um ano depois de ter sido criada. A informação foi avançada pelo Expresso, que dá conta de um aumento significativo dos pedidos apresentados por empresas do setor da construção para recrutar mão de obra fora de Portugal. Segundo o semanário, Manuel Reis Campos, Presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), afirma que nos últimos três meses duplicaram os processos de contratação e também o número de imigrantes para quem foi solicitado visto. Além disso, há já novos pedidos em preparação, cujo volume é cerca de três vezes superior ao registado em novembro. Depois de um arranque marcado por alguma lentidão, o mecanismo começa agora a suscitar maior interesse por parte das empresas. A crescente procura surge num momento de forte pressão sobre o setor. A construção enfrenta há vários anos uma escassez estrutural de trabalhadores, situação que se agravou com a necessidade de reconstrução das zonas do centro do país afetadas pela tempestade Kristin. Atualmente, cerca de 35% da mão de obra é estrangeira. Ao mesmo tempo, continuam em curso vários projetos de grande dimensão, como obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência, investimentos do Portugal 2030, o novo aeroporto e a futura linha ferroviária de alta velocidade. Mais de 1400 trabalhadores já envolvidos nos pedidos O canal especial de recrutamento foi criado pelo Governo a 1 de abril de 2025, na sequência do fim das chamadas manifestações de interesse e do encerramento dos vistos para procura de trabalho, exceção feita aos profissionais altamente qualificados. A solução permite às empresas contratar trabalhadores diretamente nos países de origem, com o apoio das confederações empresariais. Até 3 de março, a CPCI tinha encaminhado 211 processos de pedidos de visto para a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas. Segundo o Expresso, a maioria destes pedidos é coletiva e envolve 1.427 trabalhadores destinados ao setor da construção, aos quais se juntam 259 processos ainda em preparação. Muitos destes profissionais já se encontram a trabalhar em obras em Portugal. As principais origens continuam a ser de países como Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique. Seguem-se países da América Latina, nomeadamente Brasil, Colômbia e Peru, bem como Marrocos, Senegal, Paquistão e Índia. Entre as empresas que já recorreram ao mecanismo encontram-se algumas das maiores construtoras nacionais, como a Mota-Engil, o Grupo Casais e o DST Group. De acordo com Manuel Reis Campos, os consulados têm respondido dentro dos prazos previstos, que se mantêm abaixo do limite máximo de 20 dias, não tendo sido reportadas queixas significativas sobre o funcionamento do processo. Apesar do aumento recente dos pedidos, o número de profissionais disponíveis continua longe de responder às necessidades das empresas. A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas estima que faltem cerca de 80 mil trabalhadores para dar resposta à procura atual. Ainda assim, o presidente da CPCI acredita que o mecanismo poderá tornar-se suficiente caso a adesão das empresas continue a crescer. Defende também uma aposta na formação dos cerca de 1,5 milhões de imigrantes que já vivem em Portugal, como forma de reforçar a disponibilidade de mão de obra para a construção. Reconstrução após tempestade pode agravar falta de trabalhadores No contexto da reconstrução após a tempestade Kristin, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu a criação de um mecanismo específico para acelerar a contratação de trabalhadores. Manuel Reis Campos, contudo, considera que a criação de novos instrumentos pode gerar desorganização e até abrir espaço a situações de irregularidade, defendendo que o atual sistema deve manter-se. A curto prazo, mostra-se mais alinhado com a proposta do ministro Castro Almeida, que sugeriu a possibilidade de adiar temporariamente algumas obras públicas para permitir que as empresas concentrem trabalhadores nas zonas mais afetadas. O Governo já assegurou que a catástrofe natural não irá alterar a política migratória, reiterando que será dada prioridade à contratação de trabalhadores que já se encontram em Portugal. Ainda assim, os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional evidenciam a dimensão do desafio: em dezembro de 2025 estavam registados como disponíveis 9.343 profissionais da construção em todo o país. Na região Centro, a mais afetada pelos danos da tempestade, existiam 1.002 trabalhadores inscritos. Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI Mais sobre construcaoempregoEscassez de TalentoimigraçãoMão-de-obraMercado de trabalhorecrutamentotrabalhadores estrangeirosvia verde IIRH