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GIULIA SUPER, UMA HISTÓRIA DE AMOR IMPROVÁVEL

Jornal dos Clássicos Online

2026-03-09 22:09:09

Mike Marett comprou um Alfa Romeo Giulia Super de 1971 com um plano concreto: prepará-lo para o Targa Newfoundland, um dos ralis de estrada mais exigentes da América do Norte, a cumprir ao lado do seu tio. O automóvel foi preparado a sério: célula de combustível, sistema de supressão de incêndio e motor completamente reconstruído. Depois, a pandemia cancelou o Targa, e o carro nunca chegou à linha de partida. Mais de um ano de trabalho mecânico depois, Mike e o seu amigo Michael foram buscar o automóvel ao mecânico no Ohio e conduziram-no até Connecticut numa viagem de mais de dez horas. Algures nessa estrada, algo mudou em Michael. O peso da direcção, os sons, a honestidade mecânica de um quatro cilindros a fazer exactamente aquilo para que foi concebido há mais de cinco décadas. Menos de trinta dias depois, tinha um igual. A berlina Giulia é daqueles automóveis que recompensa quem realmente a olha. Não dará origem a planos fotográficos como um Ferrari nem anuncia a sua chegada como um Lamborghini, mas em 1962 penetrava o ar melhor do que quase tudo o resto. Foi um dos primeiros modelos de produção desenvolvido com testes sérios em túnel de vento, e o seu coeficiente aerodinâmico era francamente baixo para a época. A forma simples não é simples de forma alguma. Os dois automóveis que conhecemos hoje não são idênticos - nunca são, com os Alfa antigos. Exigem tanto amor e manutenção contínua que cada um desenvolve a sua própria personalidade, as suas próprias cicatrizes. Mike e Michael percebem isso. Falam do Giulia como se fala de algo que não se esperava amar assim. O Targa ainda não aconteceu, mas o automóvel inspirou um grande amigo a comprar o seu próprio e isso é, provavelmente, a coisa mais honesta que um automóvel pode fazer.