BIENAL INDEX REGRESSA A BRAGA COM ESPETÁCULOS, CONFERÊNCIAS E EXPOSIÇÕES
2026-03-10 22:09:17

De 7 a 17 de maio, a bienal de arte e tecnologia propõe refletir sobre o poder da tecnologia com artistas e pensadores internacionais No início do século XX, o império alemão conduziu uma campanha militar contra os povos herero e nama, na atual Namíbia, considerada por muitos historiadores como um dos primeiros genocídios do século XX. Mais de 100 anos depois, essa história é analisada por investigadores que recorrem a documentos, imagens e reconstruções digitais para reconstituir os acontecimentos. Parte desse trabalho está na base de “The Drum and the Bird”, criação do coletivo Forensis com o músico Bill Kouligas, que leva ao palco uma investigação da Forensic Architecture sobre o colonialismo germânico na Namíbia. O espetáculo estreia-se em Portugal no Theatro Circo e abre a terceira edição do INDEX - Bienal de Arte e Tecnologia, que regressa a Braga entre 7 e 17 de maio. A escolha desta peça para abrir o programa reflete o tema central desta edição, “Poder”. O evento parte da ideia de que os avanços tecnológicos das últimas décadas alteraram profundamente as relações sociais e políticas, ao mesmo tempo que reforçaram fenómenos como a vigilância algorítmica, a desigualdade económica e a fragmentação social. A bienal propõe discutir de que forma a tecnologia tem redefinido o exercício do poder e o próprio conceito de soberania. O INDEX é uma iniciativa da Braga Media Arts que procura explorar as relações entre arte e tecnologia e incentivar o debate em torno das questões emergentes nestas áreas. A bienal integra o plano de ação de Braga enquanto Cidade Criativa da UNESCO para as Media Arts e é promovida pela empresa municipal Faz Cultura, com apoio do Município. Segundo Luís Fernandes, diretor artístico da Faz Cultura, a criação do evento surgiu no contexto da candidatura da cidade à rede da UNESCO em 2017 e da necessidade de reforçar a programação dedicada às media arts. “O INDEX é uma bienal com um olhar muito crítico sobre a tecnologia e utiliza a arte e o pensamento crítico para repensar a relação das pessoas com as ferramentas digitais”, explica. O responsável acrescenta que o tema escolhido para esta edição reflete preocupações atuais. “A tecnologia está hoje muito associada a uma ideia de poder, seja na forma como molda as relações sociais ou na forma como influencia decisões políticas e económicas”, refere. A programação distribui-se por quatro eixos principais - performance, pensamento, exposição e mediação - e reúne artistas, investigadores e pensadores que trabalham no cruzamento entre arte, política e tecnologia. No plano performativo, o Theatro Circo recebe três dos espetáculos principais da bienal. Depois da abertura com Forensis e Bill Kouligas, o palco acolhe também um encontro entre os músicos noruegueses Supersilent e o artista e investigador sonoro Lawrence Abu Hamdan, vencedor do Turner Prize em 2019. A colaboração resulta de uma encomenda conjunta do festival Rewire e da bienal INDEX e parte da investigação da Earshot, um grupo criado por Hamdan que analisa ataques a jornalistas na Palestina. Ainda no Theatro Circo, o coreógrafo Arkadi Zaides apresenta “TALOS”, uma peça que questiona a relação entre o corpo, as tecnologias de vigilância e o controlo das fronteiras. O trabalho analisa sistemas tecnológicos utilizados atualmente em contextos de vigilância e fronteira. O gnration recebe também vários momentos da programação. O coletivo ZABRA apresenta um novo trabalho desenvolvido em residência artística no espaço cultural. No mesmo local acontece ainda um concerto do duo Nídia e Valentina Magaletti, que cruza produção eletrónica com percussão, seguido de um set da DJ Supa. A bienal inclui também um programa expositivo que se estende por vários espaços da cidade. A exposição reparte-se pelo gnration, Theatro Circo e Mosteiro de Tibães, aos quais se juntam nesta edição o Forum Arte Braga e o Muzeu. A inauguração está prevista para abril. O projeto expositivo tem curadoria de Joel Valabrega e reúne obras de vários artistas internacionais e portugueses que abordam questões ligadas à tecnologia, vigilância e poder. Entre os nomes confirmados estão a artista alemã Hito Steyerl, o compositor Raven Chacon, vencedor de um Prémio Pulitzer, o artista português Gabriel Abrantes, bem como Pauline Boudry e Renate Lorenz, Cemile Sahin e Shuang Li. O programa de pensamento inclui um conjunto de conferências dedicadas à relação entre tecnologia, política e cultura contemporânea. Entre os convidados estão a escritora e teórica australiana McKenzie Wark, o ensaísta francês Yves Citton e os portugueses José Gil, Sofia Miguens e António Guerreiro. Em paralelo, decorre uma programação de mediação organizada pelo Circuito - Serviço Educativo Braga Media Arts. Entre 7 e 17 de maio realizam-se oficinas de pensamento baseadas em filocriatividade, orientadas por Joana Rita Sousa, bem como visitas guiadas à exposição em vários espaços da cidade. Os bilhetes para os espetáculos vão ser disponibilizados nas bilheteiras locais do Theatro Circo e do gnration e online, com preços entre 7EUR e 15EUR. As conferências têm entrada gratuita.