DOS 36 NOVOS MODELOS À ELETRIFICAÇÃO: OS PLANOS DO GRUPO RENAULT ATÉ 2030
2026-03-10 22:09:17

O Grupo Renault anunciou esta terça-feira (10 de março) o seu plano estratégico para os próximos anos - o futuREady, no âmbito do qual visa lançar até 36 novos modelos até 2030. Foi anunciado esta terça-feira (10 de março) o futuREady - o plano estratégico do Grupo Renault para os próximos anos. Entre as suas diversas marcas, visa lançar 36 novos modelos até 2030. Dos 36 novos modelos na calha até 2030, 22 serão para a Europa (16 deles elétricos) e os restantes 14 para os mercados internacionais. Para além disso, o conglomerado que reúne Alpine, Dacia e Renault também irá "acelerar a eletrificação e a sua gama internacional", pode ler-se num comunicado emitido. E existem ainda "objetivos altamente ambiciosos para o desempenho operacional, com o uso generalizado de IA [Inteligência Artificial]", segundo palavras do diretor-executivo François Provost. De referir que o dirigente assumiu funções em meados do ano passado, sucedendo a Luca de Meo - que levou o Grupo Renault a uma fase de crescimento, muito graças ao plano Renaulution implementado a partir de 2021. O Grupo Renault espera que o plano futuREady agora anunciado leve a tornar-se no fabricante europeu de referência globalmente, tendo quatro pilares em que assenta a sua atividade: "Preparado para o crescimento, preparado para a tecnologia, preparado para a excelência e preparado para a confiança". A ideia passa por continuar a ter "uma forte base na Europa", com produtos "ainda mais proximamente alinhados com as expectativas dos clientes", mas também reforçar a aposta nos seus centros de produção na Ásia (Coreia do Sul e Índia) e América do Sul. Por marca O Grupo Renault tem três marcas sob a sua alçada e planos para cada uma. Para a Reanult, o objetivo passa por ter 12 novos produtos na Europa e alargar a eletrificação - entre modelos híbridos mesmo depois de 2030 e uma nova plataforma para automóveis elétricos. Internacionalmente, serão 14 novos produtos, sendo que em 2030 a meta é vender dois milhões de automóveis por ano (metade deles fora na Europa) e alcançar 100 por cento de vendas eletrificadas na Europa e 50 por cento noutros mercados. Quanto à Dacia, pretende que dois terços das suas vendas em 2030 sejam de modelos eletrificados, prometendo manter a sua abordagem com a "oferta mais competitiva baseada no preço, custo e valor para os clientes". Irá reforçar a sua aposta no segmento C, inaugurada pelo Bigster, contando que represente um terço das suas vendas em 2030. Também antecipa uma mudança para a mobilidade elétrica, tendo quatro destes modelos na sua gama (atualmente só tem o Spring). A Alpine é a marca dedicada ao desempenho, preparando-se para o lançamento da próxima geração do A110 que ficará assente na plataforma APP (Alpine Performance Platform). Pretende "atrair novos clientes em novos mercados" e ter propostas "ainda mais exclusivas e personalizadas". Para tal, apostará em edições limitadas como o A110 R Ultimate já conhecido. Os planos para os carros elétricos No que à tecnologia diz respeito, o Grupo Renault tem como grande prioridade "preparar as próximas gerações de veículos elétricos do segmento C", anunciando uma nova plataforma elétrica - RGEV Medium 2.0. Esta terá uma arquitetura de 800 volts e capacidade de carregamento ultrarrápido em apenas dez minutos até 2030, sendo destinada a diversos modelos entre os segmentos B+ e D e de várias tipologias (berlina, SUV e monovolume). A bateria terá um conceito cell-to-body, com 20 por cento menos de componentes, e autonomias de até 750 km (WLTP) - ou 1.400 km, no caso de automóveis com extensor de autonomia. A ideia é ter baterias com química de alta densidade energética para automóveis com potência elevada e/ou destinados a autonomias longas. Os veículos com este tipo de química de bateria vão passar a ser, "gradualmente", assentes na arquitetura de 800 volts a partir de 2028. Mas também há planos para uma "química acessível", destinada a carros pequenos e a versões com autonomia standard. Os segmentos A e B continuarão a assentar em arquiteturas de 400 volts, prevendo-se que carreguem em 20 minutos até 2030. A plataforma RGEV Medium 2.0 pode proporcionar maior autonomia com esta química de baterias, segundo o fabricante. Há planos para desenvolver a terceira geração do motor EESM, sem minerais raros, ganhando 93 por cento de eficiência em autoestrada e 25 por cento de potência - que é de 275 cv. O desenvolvimento e fabrico será interno, numa motorização que será aplicável a qualquer tipo de tração. O custo, promete o Grupo Renault, será 20 por cento mais baixo do que a geração anterior. Híbridos vão continuar No que toca aos híbridos elétricos (HEV), o Grupo Renault vai manter e até expandir a sua tecnologia E-Tech para além de 2030, prometendo novas versões com menos de 150 cv de potência. A tecnologia será alargada para fora da Europa. Diz o comunicado que a preparação para o futuro envolve "acelerar a integração de novas tecnologias em áreas chave, como o cockpit e chassis inteligente, novas químicas de bateria, motores nas rodas, eletrónica de potência, software e arquitetura eletrónica". Plataformas do Grupo Renault RGMP Small: Plataforma modular para segmentos B e C RGEV Small: Plataforma elétrica para os segmentos A e B RGEV Medium 1.0: Plataforma elétrica para o segmento C, primeira geração RGEV Medium 2.0: Plataforma elétrica para os segmentos C e D, segunda geração RGMP Medium: Plataforma modular para os segmentos C e D RGMP: Plataforma modular para pick-ups RGEV Medium Van: Plataforma modular para LCV do segmento C APP: Plataforma da Alpine (Alpine Performance Platform) RGEA: Adaptação da plataforma GEA da Geely RGEP: Plataforma multi-energia de entrada Tecnologia Os veículos definidos por software também fazem parte dos planos, com a arquitetura centralizada SDV 2 e a promessa de atualizações de 90 por cento das funções remotamente através de FOTA (Firmware Over-the-Air). O Grupo Renault promete ter o primeiro carOS desenvolvido em colaboração com a Google, assente no Android e evoluir para um conceito de Veículo Definido por Inteligência Artificial (AIDV) no controlo das várias funções - desde os sistemas de assistência à condução (ADAS) ao chassis, passando pelo infoentretenimento. Ao mesmo tempo, continuará a ser aplicada em modelos a arquitetura elétrica e eletrónica Domain Control, cujo desenvolvimento vai ter seguimento nos anos vindouros. Ciclos de desenvolvimento curtos Consciente do ritmo de desenvolvimento da concorrência chinesa, o Grupo Renault quer estar a par no que toca a inovação, custo e velocidade - pretendendo ter um ciclo de desenvolvimento de produto de dois anos. Para tal, pretende reforçar o seu modelo operacional eficiente, usando em média menos 30 por cento de componentes por veículo para além de ter 350 novos robôs humanóides "para trabalho pesado ou tarefas de baixo valor acrescentado". A empresa pretende recorrer à inteligência artificial para conseguir cortar o tempo de inatividade das suas fábricas e os consumos de energia, levando a uma redução de 20 por cento dos custos de produção. Também a IA ajudará na supervisão de todas as fases de fabrico. Por outro lado, o Grupo Renault vai investir nos cerca de 100 mil funcionários no longo termo, do ponto de vista das capacidades e apoio para reforço da inserção profissional. Os 9.000 diretores terão apoio para gerirem melhor as respetivas responsabilidades. Também se pretende trabalhar em cooperação estreita com os fornecedores, num novo método de trabalho que tornará possível "trabalhar em componentes e tecnologias estratégicas numa relação de confiança e transparência" - envolvendo os fornecedores nos projetos desde o início. Isto visa, também, contribuir para a velocidade de desenvolvimento e redução dos custos. A rede de retalho é vista como essencial para criar valor para os automóveis em todo o seu ciclo de vida, estando prometidas "tecnologias digitais e inteligência artificial" para "transformar a experiência do cliente, permitindo a rede de retalho concentrar-se no serviço ao cliente". Parcerias No âmbito do seu plano estratégico para o futuro, o Grupo Renault pretende reforçar as parcerias que tem no âmbito da aliança com a Nissan e a Mitsubishi. Garante manter "total independência industrial e tecnológica na Europa" e disponível para produzir automóveis para outros construtores - de recordar que as suas tecnologias são procuradas não só pelos dois parceiros, como também pela Ford Motors que irá recorrer à plataforma de elétricos da Renault para dois novos modelos seus destinados à Europa. O conglomerado tem planos para reforçar a importância da Índia, que visa ter como "um verdadeiro centro de produção e fornecimento" para o mercado local e para mercados globais - com o foco em modelos da Nissan. A Geely será a parceira para as atividades na América do Sul e na Coreia do Sul. Bernardo Matias