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PROJETOS NA ÁREA DO CANCRO E DA VIROLOGIA RECEBEM BOLSAS DE EUR300 MIL

Expresso Online

2026-03-11 22:08:57

Do VIH às hepatites, incluindo ainda a oncologia, foram hoje anunciados os vencedores de um apoio para iniciativas na comunidade e de investigação na 11ª edição do Programa Gilead Génese, a que o Expresso se associou como media partner Fazer investigação em Portugal é uma tarefa para os mais resilientes, assim como continua a ser desafiante entregar os resultados da inovação científica aos doentes que dela mais podem beneficiar. Esta quarta-feira, em Lisboa, foram anunciados os dez projetos vencedores de bolsas nas áreas da virologia e oncologia, no âmbito da 11ª edição do Programa Gilead Génese. No total, foram entregues EUR300 mil. “A capacidade destes projetos serem escaláveis na comunidade constitui uma mais-valia pública”, considera Graça Freitas. A antiga diretora-geral da Direção-Geral da Saúde e membro da comissão executiva da iniciativa explica que, além da inovação, as ideias apoiadas “atuam em comunidades que muitas vezes não são abrangidas pelo sistema clássico” e apoiam “os mais vulneráveis entre os vulneráveis”. Desde 2013, o programa já entregou bolsas a 134 projetos nacionais , 74 de investigação e 60 de intervenção comunitária -, no valor global de EUR3,1 milhões. “Vivemos hoje um contexto particularmente exigente. Os sistemas de saúde enfrentam uma pressão crescente, motivada pelo envelhecimento da população, pela escassez de recursos e por um ambiente global de incerteza”, aponta María Río. A diretora-geral da Gilead Espanha e Portugal lembra ainda que “a inovação foi sempre sinónimo de progresso” e que é importante continuar a apostar nela para superar os desafios da sociedade. Na cerimónia em que se anunciaram os dez projetos vencedores destas bolsas (consulte a lista completa no final do artigo), participaram ainda Nuno Sousa, presidente da AICIB - Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica, Pedro Pita Barros, professor na NOVA SBE, Ricardo Fernandes, diretor-geral adjunto do GAT, e Fernando Almeida, presidente do conselho de administração do INSA - Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Conheça abaixo as principais conclusões. Transformar inovação em acesso Apesar de o país “comparar lindamente” com qualquer outra nação do mundo em matéria de investigação clínica, Nuno Sousa considera que é preciso reforçar a estratégia de dados em saúde e fortalecer a colaboração entre academia, indústria e profissionais de saúde. “Queremos demonstrar que o investimento em investigação clínica tem um retorno extraordinário para o país, para a saúde de quem vive em Portugal e para a economia”.Pedro Pita Barros lembra, porém, que dados todos os países europeus têm , é preciso, sublinha, perceber como pode o país transformá-los em alavancagem para a sua investigação e para a inovação. “A vantagem de Portugal não vai ser ter dados, mas o que vamos conseguir fazer de diferente com eles”, aponta.O líder do GAT , Grupo de Ativistas em Tratamentos , acrescenta que “a inovação pode existir, mas se não chegar às pessoas que dela beneficiam, não terá o efeito preconizado”. Neste campo, Ricardo Fernandes acredita que as organizações de base comunitária, como a que representa, “têm tido um papel cada vez mais forte” porque conhecem a realidade no terreno e conseguem apoiar as pessoas, mesmo as mais vulneráveis, de uma forma que é mais difícil para o Estado.Colaboração foi uma das palavras-chave no debate que juntou AICIB, NOVA SBE e GAT, mas sublinhada uma vez mais por Fernando Almeida, que encerrou o evento em representação da ministra da saúde. O responsável destacou a importância de “incentivar a investigação”, mas também a “criação e partilha de conhecimento” para melhorar a saúde da população. Projetos distinguidos pela 11ª edição do Programa Gilead Génese Investigação Oncologia RAPID-CTCs O projeto da IST-ID - Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e Desenvolvimento - e do Instituto de Bioengenharia e Biociências quer usar as células tumorais circulantes (CTCs) na oncologia de precisão para prever a progressão do cancro da mama e a eficácia de tratamentos. Imunoterapia A investigação do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, da Universidade do Porto, procura caracterizar a interação entre células (T e B) e pequenos vasos sanguíneos (HEVs) para potenciar a eficácia da imunoterapia no tratamento de linfoma difuso de grandes células B. Investigação Virologia Infeção HIV/SIDA O HIV-2 evolui lentamente e mantém baixa carga viral sem tratamento. O trabalho do GIMM - Gulbenkian Institute for Molecular Medicine - vai estudar gânglios e sangue para perceber este equilíbrio e identificar novos alvos terapêuticos. METAVIH Como o VIH-1 persiste em células latentes que escapam à terapêutica, a FARM-ID - Associação da Faculdade de Farmácia para a Investigação e Desenvolvimento - está a criar modelos de órgão em chip para testar novas estratégias e acelerar a investigação rumo à cura. Intervenção Comunitária Capacitar A Associação Acreditar criou um programa formativo para reforçar a literacia em oncologia pediátrica, em particular em linfomas não-Hodgkin de células B, para cuidadores, jovens e profissionais de saúde. +PrEP Da AARI - Associação de Apoio às Reuniões de Infecciologia - chega uma proposta de avaliação comparativa e participativa de modelos de prestação de cuidados de PrEP (medicação que permite prevenir a infeção por VIH/SIDA, especialmente dirigida a pessoas em situações de risco) em contexto hospitalar e comunitário para identificar barreiras e melhorias. ChemCare Objetivo da Abraço é intervir no fenómeno chemsex (consumo de drogas para intensificar ou desinibir a experiência sexual) em homens que têm sexo com homens no Porto, e prevenir infeções sexuais e overdoses. Memory2CARE A Universidade Portucalense Infante D. Henrique usa a tecnologia para melhorar o funcionamento cognitivo de doentes com cancro da mama, conhecido por impactar funções como a memória prospetiva. Ponto PrEP Reduzir a sobrecarga do SNS e aumentar o acesso à PrEP é o grande objetivo da Liga Portuguesa Contra a SIDA com a disponibilização de consulta comunitária, prevenindo a infeção por VIH. Chemsex A Associação Positivo vai promover um estudo qualitativo sobre os processos sociais e subjetivos associados ao consumo de drogas no sexo em homens que têm sexo com homens. Ideia é a compreensão teórica do fenómeno Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver Código de Conduta), sem interferência externa. Francisco de Almeida Fernandes Jornalista Francisco de Almeida Fernandes