EMEL APOIA EQUIPA NO CAMPEONATO DE PORTUGAL DE NOVAS ENERGIAS PARA REFORÇAR APOSTA NA MOBILIDADE ELÉTRICA
2026-03-11 22:09:02

A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) decidiu associar-se à New Energy Team, equipa do piloto Eduardo Carpinteiro Albino e do navegador José Carlos Figueiredo, que participa no Campeonato de Portugal de Novas Energias (CPNE), competição que arranca este fim de semana com o Oeiras Eco Rally Portugal. A dupla da New Energy Team conta com o apoio de várias entidades, entre as quais a Kia, ACP Electric, BP, EMEL, Fidelidade e Welectric. Para Carlos Silva, presidente da EMEL, a ligação à equipa surge no contexto da estratégia da empresa municipal de reforçar o seu papel na promoção da mobilidade elétrica: “Através da nossa marca LEVE, de carregadores elétricos da EMEL, apoiámos o Eco Rally e depois, após uma conversa informal com o Eduardo Carpinteiro Albino, acabámos por aprofundar a relação e vimos com muito interesse o facto de o Eduardo já ser um piloto com palmarés e portanto a ligação à equipa [New Energy Team] era uma forma também de promover a imagem e a marca da EMEL”, explicou. Da esquerda para a direita: Eduardo Carpinteiro Albino (piloto da New Energy Team) e José Carlos Figueiredo (navegador da New Energy Team) e Carlos Silva (EMEL). Momento na apresentação da nova equipa para a nova época 2026 Segundo o responsável, esta associação também se enquadra num esforço mais amplo de reposicionamento da empresa municipal, historicamente associada à gestão do estacionamento na cidade de Lisboa: “A EMEL tem 30 anos e por tradição era uma empresa de estacionamento e até de alguma má imagem, mas esta administração tem vindo a querer fazer essa mudança”. Carlos Silva defende que a empresa tem vindo a assumir um papel mais alargado nas políticas de mobilidade urbana e sustentabilidade. “Enquanto empresa municipal somos uma empresa de cidadania com uma grande preocupação com o ambiente e a sustentabilidade, até nas várias áreas de negócio que temos, pelo que quisermos apostar também nesta área [do apoio a uma equipa que compete no CPNE]”. Ordenamento do estacionamento Apesar da aposta em novas áreas, o presidente da EMEL sublinha que a gestão do estacionamento continua a ser uma função essencial para o funcionamento da cidade. “Lembremo-nos do que era há 20 anos o Terreiro do Paço e as zonas centrais de Lisboa, com os automóveis espalhados pela cidade. Todo esse trabalho de ordenamento foi devido à EMEL. A EMEL teve um trabalho muito importante nessa ordenação daquilo que é o estacionamento em Lisboa”, declara. O efeito dos elétricos na qualidade do ar Na sua perspetiva, essa evolução urbana tem também sido acompanhada por uma transformação do parque automóvel: “A eletrificação foi também muito importante para a cidade em si. Hoje em dia o ar que se respira na Avenida da Liberdade é melhor”, indica Carlos Silva, acrescentando que se observa atualmente que os lugares de estacionamento na Avenida da Liberdade são preenchidos por viaturas elétricas: “Nós vamos continuar essa aposta no sentido da promoção da eletrificação do parque automóvel.” EMEL já atribuiu mais de 45 mil dísticos de estacionamento para viaturas elétricas De acordo com o responsável da EMEL, o crescimento do número de veículos elétricos em Lisboa já se reflete também no número de dísticos verdes atribuídos pela empresa municipal. “Hoje em dia, já são mais de 45 mil dísticos verdes atribuídos”. Contudo, adverte, “se todos resolvessem estacionar na cidade de Lisboa, não havia espaço. Nós também queremos promover rotação”, referiu. Essa realidade está, por isso, a levar a EMEL a analisar possíveis ajustamentos ao modelo atual de estacionamento gratuito para veículos elétricos. “Não está ainda nada definido. Estamos a estudar as melhores soluções. Para já irá manter-se à situação da promoção. Mas teremos que pensar se vamos manter os benefícios alargados a viaturas fora de Lisboa que hoje existem nos moldes que existem, porque qualquer cidadão português pode pedir um dístico verde para usufruir do estacionamento gratuito. Não precisa de morar em Lisboa”, explicou Carlos Silva. O presidente da empresa municipal admite que poderá haver alterações nesse regime: “Portanto temos que ponderar e pensamos na possibilidade de restringir. Neste momento, esse modelo está alargado. Estamos a pensar restringir.” Em estudo restrição de benefícios a veículos que vêm fora de Lisboa A reflexão sobre eventuais alterações ao modelo de estacionamento para veículos elétricos já tinha sido mencionada no final de 2025 pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro da mobilidade, Gonçalo Reis. Atualmente, qualquer condutor de um automóvel elétrico pode solicitar um dístico verde por cerca de 12 euros, permitindo estacionar na via pública em Lisboa sem restrições, o que na prática pode significar manter uma viatura estacionada durante longos períodos sem custos. Segundo a autarquia, no futuro, embora ainda sem data anunciada, os residentes em Lisboa deverão manter este benefício, mas os condutores provenientes de outros concelhos poderão passar a ter limitações no período de estacionamento gratuito, numa tentativa de garantir maior rotatividade nos lugares disponíveis. “O modelo definido anteriormente dos dísticos verdes foi um incentivo muito significativo para adoção de carros elétricos. Isso foi e é bom para a cidade. Lisboa tem sido exemplar, comparando com outras cidades, na adoção de carros elétricos”, afirmou Gonçalo Reis na altura. Contudo, acrescentou que “as políticas de mobilidade e incentivos devem ser analisadas com uma certa recorrência”. Para o autarca, “faz sentido ponderar a todo o momento, mantendo estabilidade nos incentivos, e mantendo incentivos aos cidadãos residentes em Lisboa, mas também faz sentido fazer uma análise e recalibração de algumas medidas. A nossa lógica é manter os incentivos aos residentes. Dito isso, os programas devem ser calibrados de tempos a tempos”. Carregamento através da empresa LEVE Além da rede de carregamento elétrico LEVE, a EMEL tem vindo a assumir outras responsabilidades ligadas à mobilidade urbana e à gestão da cidade, com Carlos Silva a sublinhar a rede de bicicletas partilhadas Gira, bem como os semáforos da cidade: “Nem todas as pessoas sabem, mas toda a rede semafórica da cidade é a EMEL que a gere e coordena”. Paulo Marmé Paulo Marmé