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LUCROS CAEM QUASE METADE NO GRUPO VOLKSWAGEN. O QUE ESTÁ EM CAUSA?

Razão Automóvel Online

2026-03-12 22:06:18

Se as vendas e as receitas do Grupo Volkswagen mostraram-se resilientes em 2025, houve um impacto significativo nos lucros. Saiba as razões. O ano de 2025 foi um teste de resiliência para o Grupo Volkswagen. Entre tarifas comerciais, tensões geopolíticas e uma concorrência cada vez mais intensa, o gigante automóvel conseguiu manter as vendas relativamente estáveis. Foram de 8,984 milhões de unidades, apenas menos 0,5% face a 2024. As receitas de vendas refletem essa estabilidade, totalizando 321,9 mil milhões de euros (-0,8% face a 2024). O impacto nos lucros, no entanto, foi inevitável. O grupo encerrou o ano com 6,9 mil milhões de euros de lucro líquido (-44% face a 2024), o valor mais baixo desde o escândalo do Dieselgate, em 2016. Um resultado que reflete o impacto das tarifas comerciais nos EUA, o ano problemático da Porsche, as taxas de câmbio e mudanças no mix de preços. © Volkswagen Recentemente, foi divulgada a primeira imagem daquele será o Volkswagen Golf elétrico. Por divisão Dentro do enorme Grupo Volkswagen, os resultados financeiros de 2025 mostram diferenças de performance claras entre as várias divisões. As 10 marcas principais que fazem parte do grupo estão agrupadas em várias divisões: Core (Volkswagen, Skoda, SEAT, CUPRA, Volkswagen Veículos Comerciais), Progressive (Audi, Bentley, Lamborghini e Ducati) e Sport Luxury (Porsche). A divisão Core registou um crescimento de 3,7% nas receitas, totalizando 145,2 mil milhões de euros, impulsionado por um aumento de 3,3% nas vendas de veículos. O resultado operacional foi ligeiramente inferior ao do ano anterior, 6,8 mil milhões de euros, refletindo sobretudo os efeitos adversos das tarifas nos EUA. A margem operacional foi de 4,7%. A Skoda destacou-se novamente pelo seu desempenho sólido, enquanto a marca Volkswagen cumpriu as expectativas ajustadas a tarifas e itens especiais. A divisão Progressive registou um aumento ligeiro das receitas, para 65,5 mil milhões de euros (+1,5%), suportado por uma maior proporção de modelos totalmente elétricos. Só que o resultado operacional caiu 13,6%, para 3,4 mil milhões de euros, com a margem a cair para os 5,1%. Esta descida foi particularmente influenciada pelas tarifas nos EUA e pelos custos associados ao novo acordo estratégico da Audi para os próximos anos. Já a divisão Sport Luxury, onde se encontra apenas a Porsche, sofreu um recuo significativo nas receitas para 32,185 mil milhões de euros (,11,7%). E viu o resultado operacional praticamente desaparecer, situando-se em apenas cem milhões de euros, com uma margem de 0,3% - não inclui os resultados da Porsche Financial Services. Caso sejam considerados, os números são ligeiramente melhores: A descida foi motivada por um mercado em transformação, sobretudo na China, pelos efeitos das tarifas nos EUA e pelo ritmo mais lento na expansão da mobilidade elétrica. A marca iniciou uma reorientação estratégica com vista a reforçar a rentabilidade e a resiliência a longo prazo. Expectativas para 2026 Olhando para 2026, o Grupo Volkswagen mantém uma visão cautelosa, mas otimista. Espera um crescimento das receitas entre 0% e 3% e uma margem operacional entre 4% e 5,5%. A liquidez da divisão automóvel deverá permanecer sólida, entre 32 e 34 mil milhões de euros, enquanto os investimentos em novas tecnologias continuam entre 11% e 12%. “A margem operacional de 4,6% ajustada à reestruturação não é suficiente a longo prazo. Neste contexto desafiante, queremos manter os nossos veículos com motor de combustão tecnologicamente competitivos, continuar a investir em veículos elétricos inovadores e nas mais recentes soluções de software para os nossos clientes, e expandir a nossa presença regional, particularmente nos EUA”, avançou Arno Antlitz, diretor financeiro e diretor de operações do Grupo Volkswagen. Descubra o seu próximo automóvel: Menos postos de trabalho Todas as marcas do grupo passam por um processo de reestruturação que inclui também uma redução substancial do número de postos de trabalho: foram anunciados cortes de até 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. Não foi divulgado ainda a forma de como este processo se irá realizar. Recorde-se que no final de 2024, a administração e o sindicato dos trabalhadores tinham fechado um acordo que previa alterações profundas nas operações do grupo na Alemanha, incluindo o corte de 35 mil postos de trabalho e cortes de capacidade produtiva. Ainda assim, a presidento do conselho de trabalhadores do Grupo Volkswagen, Daniela Cavallo, garantiu que o entendimento alcançado na altura excluía o encerramento de fábricas e despedimentos por motivos operacionais. Mariana Teles