LUCROS DA PORSCHE CAÍRAM 93% MAS PLANO PARA INVERTER RUMO JÁ ESTÁ EM MARCHA
2026-03-12 22:06:21

Após um 2025 difícil, a Porsche aponta para este ano com novos modelos e foco na exclusividade. Perceba o que está em causa. O ano de 2025 foi um de desafios profundos para a Porsche. Depois de vários trimestres no vermelho, os resultados financeiros finais mostram uma realidade dura para a marca alemã. Os lucros caíram 92,7%, de 5,64 mil milhões de euros para apenas 413 milhões de euros, refletindo, em parte a queda das receitas para 36,27 mil milhões de euros, face aos 40,08 mil milhões de 2024. A margem operacional, que rondava os 14,1% e era uma das mais altas da indústria, não foi além dos 1,1%. Foram vários os fatores que contribuíram para este resultado, a começar pela queda de vendas na China (-26%) e a terminar nas tarifas norte-americanas, que custaram muitos milhões à marca alemã. E, claro, passando pela aposta na eletrificação, que não trouxe os resultados esperados. © Porsche (Porsche Cayenne) As entregas da Porsche caíram 10% em 2025, totalizando 279 449 veículos. No total, os encargos extraordinários foram de 3,9 mil milhões de euros. Destes, 2,4 mil milhões estão relacionados com o realinhamento da estratégia de produto (aposta em novos modelos com motor de combustão) e reestruturação da empresa, e 1,4 mil milhões ligados ao desenvolvimento de baterias e às tarifas comerciais dos EUA. “Os desafios globais e o realinhamento da empresa impactaram os resultados em 2025. Para garantir margens adequadas a médio prazo e reforçar a nossa resiliência a longo prazo, assumimos estes encargos”, explicou Jochen Breckner, diretor financeiro da Porsche, em comunicado. Rumo à recuperação Se 2025 foi um ano de sacrifício, 2026 abre a porta para uma nova fase. Com apenas 70 dias no cargo, o novo diretor-executivo, Michael Leiters, já traçou as bases da Estratégia 2035, que prioriza exclusividade sobre volume. “Estamos a transformar desafios em oportunidades para agir de forma ainda mais decisiva”, afirmou Leiters. Nesse sentido, a expansão da gama é uma das apostas, seja com novos modelos ou derivações, mas posicionados acima dos atuais 911 e do Cayenne, com o foco a estar em segmentos de maior margem. Segundo Leiters, esta estratégia vai permitir um fluxo de caixa sólido, resultados consistentes e margens alinhadas com os padrões da Porsche. Descubra o seu próximo automóvel: O que se segue? Para este ano, a Porsche prevê uma recuperação gradual, com uma margem operacional entre 5,5% e 7,5% e receitas próximas de 36 mil milhões de euros, em linha com as obtidas o ano passado. As maiores margens deverão advir do programa de restruturação em curso pelo construtor, que procura maiores eficiências operacionais, mas que também vão incluir a redução do número de trabalhadores em aproximadamente 3900 pessoas até 2030. Leiters não deixou margem para dúvidas sobre a identidade que quer imprimir: “O nome Porsche é sinónimo de excelência técnica. Defendemos carros desportivos sem compromissos, que dão prazer a conduzir, que transmitem performance e paixão. E tudo isto independentemente do tipo de propulsão”. Mariana Teles