GUERRA NO MÉDIO ORIENTE PODE CUSTAR MAIS 220 EUROS POR ANO AOS CONDUTORES EUROPEUS
2026-03-12 22:06:23

Petróleo próximo dos 100 dólares por barril poderia significar que os condutores da União Europeia pagariam 55 mil milhões de euros adicionais em combustível ao longo de um ano A subida do preço do petróleo provocada pela escalada da guerra no Médio Oriente pode traduzir-se num aumento médio de 220 euros por ano nas despesas com combustível dos automobilistas europeus. O alerta é feito por analistas citados pelos britânicos do The Guardian , que analisam o impacto de um cenário em que o petróleo se mantém próximo dos 100 dólares por barril. De acordo com o jornal britânico, esse nível de preço poderia significar que os condutores da União Europeia pagariam 55 mil milhões de euros adicionais em combustível ao longo de um ano. De onde vem o valor de 220 euros? A estimativa foi calculada por investigadores do think tank Transport & Environment (T&E). O cálculo baseia-se numa comparação entre dois períodos: os preços do petróleo entre 2017 e 2019, antes da pandemia; e os valores registados em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia fez disparar o preço do petróleo para cerca de 100 dólares por barril. A análise conclui que, se esse nível de preço se mantiver, o impacto médio será de mais 220 euros por motorista europeu por ano. Para quem percorre maiores distâncias, o aumento poderá ser significativamente superior. O que está a empurrar os preços do petróleo? O principal fator é a instabilidade geopolítica associada à guerra no Irão e às tensões no Médio Oriente. A região é responsável por uma parte relevante da produção global de petróleo, e qualquer risco de interrupção no fornecimento tende a provocar aumentos imediatos nos preços. Segundo o The Guardian , o petróleo Brent chegou a negociar perto dos 91 dólares por barril, mas analistas admitem que possa atingir ou manter-se perto dos 100 dólares caso o conflito se prolongue. O impacto na economia europeia O aumento do preço do petróleo não afeta apenas os automobilistas. Quando o combustível sobe, os custos de transporte aumentam, o que acaba por refletir-se em vários setores da economia, desde alimentos até bens de consumo. Especialistas citados pelo The Guardian alertam que a forte dependência da Europa de petróleo importado faz com que cada crise internacional tenha impacto direto nos preços pagos pelos consumidores. A vantagem crescente dos carros elétricos O aumento do preço do petróleo está também a reforçar a vantagem económica dos veículos elétricos. No Reino Unido, por exemplo, analistas da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU) estimam que um condutor que percorra cerca de 12.875 quilómetros por ano poderá gastar mais 140 libras (cerca de 163 euros) em combustível se o petróleo atingir os 100 dólares por barril. Ao mesmo tempo, a poupança anual de quem conduz um carro elétrico poderá ultrapassar 1.000 libras (cerca de 1.163 euros). O papel dos carros elétricos na Europa Atualmente circulam cerca de 7,7 milhões de veículos elétricos nas estradas da União Europeia. Segundo a Transport & Environment , estes veículos já estão a reduzir o consumo de petróleo de forma significativa. Num cenário com o petróleo a 100 dólares por barril, os condutores europeus de carros elétricos poderiam poupar cerca de 40 milhões de euros por dia em custos de energia. O contexto global: lucros recorde e choques energéticos Os períodos de preços elevados do petróleo costumam gerar lucros extraordinários para as grandes empresas do setor. Em 2022, quando o petróleo rondou os 100 dólares por barril, cinco gigantes petrolíferas - BP, Shell, TotalEnergies, Chevron e ExxonMobil - registaram lucros combinados próximos de 200 mil milhões de dólares (cerca de 184 mil milhões de euros). Nos últimos 50 anos, a indústria mundial do petróleo e do gás tem registado lucros médios de cerca de 1 bilião de dólares (cerca de 920 mil milhões de euros) por ano, com valores ainda mais elevados em períodos de crise energética. O debate político sobre energia A subida do petróleo reacende também o debate sobre segurança energética na Europa. Alguns especialistas defendem que a única forma de reduzir o impacto destes choques é diminuir a dependência de combustíveis fósseis importados. Para analistas citados pelo The Guardian , investir em energias renováveis, veículos elétricos e eficiência energética pode ajudar a proteger as economias europeias de futuras crises provocadas por conflitos internacionais. Francisco Laranjeira