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MOBILIDADE - CARROS ELÉCTRICOS E HÍBRIDOS QUASE TRIPLICARAM NUM ANO EM PORTUGAL

Público

2026-03-12 22:06:28

Número de condutores ao volante de um eléctrico quase triplicou num ano Inquérito do ACP sugere apetência cada vez maior por eléctricos e híbridos, com BYD a destronar Tesla como opção futura Homem, entre os 25 e os 44 anos, com poder de compra bem acima da média (classe A) e dono do carro que conduz. Tem um carro eléctrico há menos de cinco anos, provavelmente um Tesla ou um BMW, mas se não tem ou está a pensar em trocar deve ter um BYD na lista de opções. Carrega o carro uma a três vezes por semana, tanto em casa como em postos rápidos, gastando sete euros por mês no carregamento doméstico e 50 euros em postos públicos. Se houvesse um retrato médio de quem segue ao volante de um carro eléctrico ou híbrido em Portugal, então este poderia ser um esboço, a partir dos dados do mais recente inquérito ACP, que é hoje divulgado, em Lisboa. Porém, o traço mais relevante desta radiografia anual ao mercado, feita para o Observatório do Automóvel Clube de Portugal, será talvez o da curva que mostra que, em apenas um ano, a taxa de penetração dos modelos eléctricos e híbridos quase triplicou, passando de 3,5% em 2025 para 9% em 2026. Os dados do observatório dizem respeito a condutores, ao contrário dos dados da ACAP , Associação Automóvel de Portugal, que se centram na produção e no registo de veículos em Portugal. Assim, podemos dizer que, segundo a ACAP, os carros eléctricos e híbridos têm uma quota de mercado de quase 30%, e, segundo o inquérito do ACP (que recolheu respostas entre Janeiro e Fevereiro deste ano), nove em cada cem condutores inquiridos declararam ter conduzido um “electrificado” nos três meses antes do questionário. Há 12 meses eram quase três vezes menos. Diz o ACP que há uma “maior penetração de veículos electrificados [nos] homens, nas faixas etárias até aos 44 anos e da classe social mais alta (A)”. Na amostra aleatória que foi usada (com um total de 1608 inquéritos, dos quais 1092 sem veículo eléctrico ou híbrido), ficou também patente que, em relação a 2025, há mais pessoas a ponderar a compra de um carro nos próximos cinco anos. Ainda que a maioria (51%) descarte a compra de um carro nesse horizonte, trata-se de “um mínimo histórico”, realça o ACP. Boas notícias para o sec-tor automóvel que, em Portugal, tem uma indústria que produz para exportação e um comércio que vende novos e usados importados. Mas são boas notícias sobretudo para as marcas que tenham modelos electrificados atractivos ou competitivos, porque essa parece ser a mudança no mercado que está em “aceleração”, como anota o ACP. Preço ainda pesa Entre os inquiridos, “metade dos condutores optaria hoje por um carro com uma componente eléctrica”, ou seja, 100% eléctrico ou híbrido (com ou sem tomada). “As principais razões a favor são o ambiente, a economia e os avanços tecnológicos”, ao passo que, entre as principais razões contra estão “preço, autonomia, tempo de carregamento e poucas oficinas”. Há, no entanto, uma “tendência de clara recuperação da intenção [de compra de carros eléctricos] após a estagnação em 2025”, sublinha a mesma entidade. Esta apetência não significa busca de um carro novo. Os dados revelam que 37% dos inquiridos consideram provável a compra de um eléctrico usado em 2026. É um aumento de 19,9 pontos percentuais, um salto enorme nas estatísticas que pode ser mais um sinal, como diz o Observatório ACP, de que há um mercado de eléctricos usados a consolidar-se em Portugal. Os motivos mais citados para justificar a opção por um eléctrico em segunda mão são “preço acessível e entrada no segmento eléctrico”. Pelo contrário, as “dúvidas sobre as baterias”, o seu “tempo de vida” e o “preço ainda elevado” são os factores contra mais apontados. Entre aqueles que não têm carro eléctrico, ainda há muita gente (39%) com a ideia de que a autonomia é baixa (200 a 400km) e a maioria (55%) acredita que as baterias não duram dez anos. Têm a percepção de que será difícil encontrar postos de carregamento ou em casa. E 61% consideram que os eléctricos custam entre 20 mil e 40 mil euros mas só 35% comprariam se custas-sem menos de 20 mil euros. Os critérios de escolha do consumidor actual já são bem conhecidos da indústria, que tenta equilibrar-se num cenário em que tem de fazer avultados investimentos ao longo de anos para se modernizar e os lucros estão a cair, para descontentamento dos accionistas. Tudo isso numa arena com mais concorrência, algo que este ano pode amolgar o ego da Tesla. Embora esta marca dos EUA ainda reine em número nas estradas portuguesas, a Tesla é este ano destronada por um concorrente chinês, a BYD, que ultrapassa a marca de Elon Musk como a preferida dos que ainda não têm um eléctrico, mas pensam comprar um em breve. O relatório que hoje será apresentado mostra como, entre os 91% de inquiridos que não têm carro eléctrico, a maioria é do sexo feminino, tem mais de 45 anos e apenas 15% e 25% pertencem às classes A e B, de maiores rendimentos, respectivamente. “A mobilidade eléctrica entrou numa fase de aceleração”, conclui o ACP, apontando outras mudanças em curso. “O parque automóvel português está mais jovem e diversificado, mas 38% dos carros têm mais de 15 anos (uma redução de cinco pontos percentuais, ou p.p.).” “A predisposição para comprar um carro 100% eléctrico subiu. Há preocupação ambiental, custos de utilização mais baixos e expectativa de evolução tecnológica. Porém, subsistem barreiras: preço inicial elevado, autonomia percebida como limitada, tempo de carregamento ainda longo e poucas oficinas especializadas.” Em termos de mercado, este inquérito sugere que Galp Electric e EDP são os comercializadores mais relevantes sendo a Galp a que mais cresce. Nesta matéria, o ACP nota que “persistem desafios estruturais: infra--estrutura ainda desigual, com maior dificuldade de carregamento nas zonas rurais e no Alentejo; e condomínios com carregadores públicos, mas 25% reportam limitações de instalação”. “Em suma, o ano de 2026 marca a consolidação do carro electrificado como alternativa real de mobilidade em Portugal. O consumidor português está mais informado, mais confiante e disposto a adoptar a electrificação, embora o preço, a infra-estrutura e a autonomia continuem a ser os grandes travões. O estudo evidencia que 2026 é o primeiro ano de viragem estrutural, em que a mobilidade eléctrica passa de nicho para tendência dominante no horizonte próximo.” Inquérito do ACP sugere apetência cada vez maior por este segmento, com a BYD a destronar a Tesla como marca preferida Economia, 24 37% Os dados revelam que 37% dos inquiridos consideram provável a compra de um eléctrico usado em 2026. É um aumento de 19,9 pontos percentuais PAULO PIMENTA Em relação a 2025, há mais pessoas a ponderar a compra de um carro nos próximos cinco anosVictor Ferreira