MOBILIDADE ELÉTRICA DISPARA EM PORTUGAL E QUASE TRIPLICA NUM ANO
2026-03-12 22:06:29

Estudo do Observatório ACP revela crescimento expressivo dos veículos elétricos, recuperação da intenção de compra e maior abertura ao mercado de usados. A mobilidade elétrica está a ganhar força em Portugal. Em 2026, 9% dos condutores portugueses já possuem um automóvel 100% elétrico, quase o triplo dos 3,5% registados em 2025, segundo um estudo do Observatório ACP. O crescimento reflete uma mudança nas decisões de compra, impulsionada por fatores ambientais, económicos e pela evolução tecnológica. Ao mesmo tempo, o parque automóvel português mostra sinais de renovação gradual. Atualmente, 38% dos automóveis em circulação têm mais de 15 anos, menos cinco pontos percentuais do que no ano anterior. Também nas motorizações se registam mudanças: os veículos a gasolina voltam a ganhar terreno, enquanto os automóveis a diesel continuam a perder expressão. A intenção de substituir o automóvel aumentou de forma significativa. 49% dos condutores admitem trocar de carro nos próximos um a cinco anos, mais 25 pontos percentuais do que em 2025. Entre as opções consideradas, os veículos eletrificados já representam cerca de metade das preferências, e 55% dos condutores dizem ser provável escolher um elétrico na próxima compra. Entre os fatores que impulsionam o interesse pelos elétricos destacam-se os custos de utilização mais baixos e a expectativa de evolução tecnológica. Ainda assim, persistem alguns obstáculos, sobretudo o preço inicial elevado, as dúvidas sobre autonomia, o tempo de carregamento e a falta de oficinas especializadas. O mercado de veículos elétricos usados começa também a ganhar relevância. Atualmente, 37% dos condutores consideram provável adquirir um elétrico em segunda mão, mais 19 pontos percentuais do que no ano passado. O preço mais acessível surge como principal fator de interesse, embora persistam reservas relacionadas com a durabilidade das baterias e o valor de revenda. A maioria dos proprietários carrega o automóvel em casa (86%), mas 91% também recorrem a postos públicos. O carregamento doméstico custa, em média, até cerca de sete euros, enquanto os gastos mensais na rede pública rondam 50 euros. Apesar dos progressos, a infraestrutura de carregamento continua a apresentar assimetrias regionais, com maiores dificuldades em zonas rurais e no Alentejo. No conjunto, os dados indicam que 2026 poderá marcar um ponto de viragem na mobilidade elétrica em Portugal. Os consumidores mostram-se hoje mais informados e mais disponíveis para considerar veículos eletrificados, embora o preço, a autonomia e a expansão da rede de carregamento continuem a ser fatores decisivos para acelerar a adoção em larga escala. Consulte o estudo [Additional Text]: carregamentos-abertura www.acp.pt