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NOVO PLANO ESTRATÉGICO FUTUREADY . RENAULT TRAÇA O MAPA PARA 2030

Negócios Online

2026-03-12 22:06:29

Cinco anos depois do arranque da Renaulution , o Grupo Renault entrou numa nova era. Esta semana, em França, o CEO François Provost apresentou o ambicioso plano estratégico, denominado futuReady , que marca o rumo do construtor francês até final da década, a nível de expansão internacional e de afirmação na Europa. Segundo o futuREady , a ambição do Grupo Renault é tornar-se a principal referência tecnológica automóvel da Europa, num momento em que a ofensiva dos fabricantes asiáticos pressiona cada vez mais o mercado ocidental. Os números do plano são reveladores da escala da transformação em curso. Até 2030, o grupo prevê lançar 36 novos modelos 22 dos quais na Europa), distribuídos pelas suas diferentes marcas (Renault, Dacia, Alpine) e mercados, e estabelece uma meta financeira de 1,5 mil milhões de euros de free cash-flow (fluxo de tesouraria) anual. Para o conseguir, a Renault vai atuar em três frentes em simultâneo: a inovação tecnológica, a expansão internacional e a eficiência industrial. Eletrificação O projeto mais emblemático do futuREady é, sem dúvida, o R-Space Lab, um veículo laboratório que prefigura a futura plataforma RGEV Medium 2.0, destinada aos segmentos C e D. Com uma arquitetura em 800 V, esta plataforma permitirá recargas completas em apenas 10 minutos, uma meta ambiciosa para 2030. A autonomia, outro dos grandes desafios da mobilidade elétrica, é também abordada de forma inovadora: na versão totalmente elétrica, o R-Space Lab alcança os 750 km; com um extensor de autonomia, que permitirá acabar com a ansiedade de autonomia dos condutores, essa distância estende-se até 1.400 km, mantendo emissões inferiores a 25 gramas de CO2 por quilómetro. O grupo Renault prevê implantar esta tecnologia dos segmentos B+ (tipo Captur) a D (tipo Rafale). Mais abaixo na gama, os segmentos A e B receberão um novo sistema de hibridização oferecendo níveis de potência inferiores a 150 cv. Mas a grande novidade do R-Space Lab não é apenas mecânica. Este será o primeiro veículo do grupo a integrar o conceito AIDV - Artificial Intelligence Defined Vehicle -, uma filosofia em que a inteligência artificial passa a gerir de forma centralizada o chassis, os sistemas de segurança e o entretenimento a bordo. Para isso, a Renault desenvolveu, em parceria com a Google, o sistema operativo carOS, uma plataforma digital que representa uma mudança de paradigma na forma como os automóveis são concebidos e utilizados. Renault Bridger Se o R-Space Lab aponta para o topo tecnológico da gama, para conquistar os mercados além Europa, a Renault apresenta o Bridger. Este compacto de menos de 4 metros foi concebido especificamente para os mercados emergentes e urbanos, com uma filosofia de polivalência máxima: a sua plataforma multi-energia aceita tanto motorizações térmicas como totalmente elétricas, adaptando-se às realidades energéticas de cada país. A produção do Bridger arranca já no próximo ano, na Índia, um dos mercados prioritários da marca. Com este modelo, a Renault pretende cobrir 55% do mercado automóvel global - uma meta que obrigará a presença forte na Ásia e em África, incluindo a renovação da gama na América Latina com o Kardian. Novo plano estratégico futuREady . Renault traça o mapa para 2030 Dacia sobe na gama No universo do grupo, a Dacia tem sido uma das marcas com crescimento mais consistente, e o futuREady prevê continuar essa trajetória com o lançamento do Striker. Trata-se de um crossover de 4,62 metros que vem complementar o futuro Bigster, posicionando-se no segmento C com um preço de entrada abaixo dos 25.000 euros - um valor que, a este nível de equipamento e dimensão, representa um desafio direto à concorrência. O lançamento comercial está previsto para junho, com a Turquia como primeiro mercado. Equipado com motorizações híbridas E-Tech e com capacidade de tração 4x4, o Striker simboliza também a transição elétrica da Dacia: a marca romena passará de um único modelo elétrico atual para quatro até ao final da década. Plataforma APP Alpine Sobre o futuro Alpine e a Dream Garage do qual Luca de Meo tanto se gabava, François Provost manteve perfil baixo durante o seu discurso, mencionando principalmente a futura plataforma APP prometida à futura geração do cupê A110. Mas o projeto Dream Garage mantém-se, pelo que, são aguardados novos modelos nos próximos anos. Para o resto, a direção pretende modestamente capitalizar sobre os modelos atuais A290 e A390, assim como séries limitadas. Fábricas reinventadas Certo é que o documento agora apresentado por Provost vai exigir uma transformação industrial profunda. Nesse sentido, o novo plano do Grupo Renault aponta para a redução dos seus ciclos de desenvolvimento de cinco para dois anos, um salto de eficiência que seria impensável há uma década. Hoje, no entanto, nas linhas de produção, a inteligência artificial já monitoriza mais de mil pontos de controlo em tempo real, e até 2027 serão integrados 350 robôs humanoides para assumir as tarefas mais exigentes fisicamente. O impacto financeiro desta modernização é concreto: uma poupança estimada em 400 euros por veículo nos custos variáveis, um valor que, multiplicado por milhões de unidades produzidas, representa uma vantagem competitiva decisiva. .moduloFotogaleria { margin: -10px 0 45px; } Com o olhar posto na Índia e na América Latina como principais motores de crescimento externo, o Grupo Renault apresenta-se em 2026 como uma empresa transformada, com uma estratégia clara e os meios para a executar. Negócios em Guyancourt (França), a convite da Renault Adriano Oliveira aoliveira@netcabo.pt [Additional Text]: Renault apresenta plano estratégico futuReady para expansão global até 2030 Renault apresenta o plano estratégico futuReady para expansão internacional e afirmação na Europa até 2030 Adriano Oliveira