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INOVAÇÃO - DADOS SÃO CRUCIAIS NA SAÚDE. MAS É PRECISO USÁ-LOS

Expresso

2026-03-13 06:01:03

Inovação De acordo com os especialistas, é necessário quebrar silos e incentivar a colaboração, através de mecanismos de recompensa, para quem faz investigação. Doentes podem ter acesso a melhores medicamentos se Portugal for estratégico Os VENCEDORES Texto FRANCISCO DE ALMEIDA FERNANDES Foto NUNO Fox ComissãoEuropeia estima que o futuro Espaço Europeu de Dados de Saúde possa gerar até EUR11 mil milhões em benefícios ao longo de uma década, graças à partilha e reutilização de dados clínicos para inovação. Para lá chegar, porém, é preciso ter informação estruturada que ajude na investigação científica, na definição de políticas públicas ou no desenvolvimento de novas terapias. “os dados em saúde são um dos mais importantes ativos estratégicos”, afiança Nuno Sousa, presidente da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB). O também investigador, que participou na cerimónia da 119 edição do Programa Gilead Génese (conheça os vencedores na caixa da direita), não hesita em afirmar que “Portugal tem dados clínicos de grande valor” e “registos extensos que possibilitam a investigação”. Se essa informação for devidamente organizada, acrescen tou, “vamos ter possibilidade de desenvolver estudos e ensaios clínicos muito mais eficientes”, o que pode atrair investimento internacional. Numa altura em que Portugal aparece nos rankings europeus entre os países onde a inovação mais demora a chegar aos doentes, a captação deste investimento não significa apenas dinamismo económico, mas sobretudo acesso a terapêuticas inovadoras de forma mais rápida. Nuno Sousa lista a dificuldade de articulação entre investigadores e. não tem dúvidas de que é preciso “criar modelos que facilitem as redes colaborativas”, porque “nenhuma instituição consegue inovar sozinha”. Abandonar os silos e partilhar informação é uma das soluções, concorda Pedro Pita Barros, que, apesar de reconhecer que há, de facto, uma oportunidade para o país, alerta para a competição com os restantes Estados-membros. “A vantagem de Portugal não vai ser ter dados, mas o que vamos conseguir fazer de diferente com eles”, sublinha o professor da Nova SBE, que sugere a definição de prioridades. Ao mesmo tempo, recorda a experiência da compra conjunta, ao nível europeu, de vacinas para a covid-19 e defende que “as negociações conjuntas” devem ser “usadas mais vezes”, para assegurar o melhor de dois mundos , acesso à inovação e um preço que o sistema de saúde possa pagar. Ricardo Fernandes, diretor-geral adjunto do Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT), não tem dúvidas de que “a história da inovação no VIH é das mais poderosas na medicina” e lembrou que a infeção passou de significar morte certa para se tornar uma condição crónica, mas controlável e com qualidade de vida. Apesar dos avanços, Portugal continua a ser um dos países da Europa Ocidental com maior número de noVOs diagnósticos, exigindo uma resposta bem desenhada por quem melhor conhece o terreno: as organizações de base comunitária. As equipas do GAT, da Abraço ou da Liga Portuguesa Contra a Sida (LPCS) , que nesta edição do Gilead Génese conquistou um apoio para a prevenção contribuem regularmente com dados para as instituições de saúde, mas representam também outro tipo de inovação que Ricardo Fernandes diz não poder ser esquecido. “A grande inovação é o papel das pessoas que vivem com VIH na comunidade”, afirma, exem-plificando com a participação no desenvolvimento de produtos e na prestação de serviços especializados “desde muito cedo na epidemia”. A par do envolvimento da academia, doentes e indústria, os peritos concordam que a inovação deve ser uma “prioridade” para a tutela política e para quem faz ciência. “Precisamos de criar mecanismos de recompensa”, concretiza Nuno Sousa. Investigação Oncologia RAPID-CTO O projeto da IST-ID e do onstituto de Bioengenharia e Biociências quer usar as células tumorais circulantes (CTC) na oncologia de precisão para prever a progressão do cancro da mama e a eficácia de tratamentos. . Imunoterapia A investigação do i3S, da Universidade do Porto, procura caracterizar a interação entre células (T e B) e pequenos vasos sanguíneos (HEV), para potenciar a eficácia da imunoterapia no tratamento de linfoma difuso de grandes células B. Investigação Virologia Infeção VIH/SIDA O VIH-2 evolui lentamente e mantém baixa carga viral sem tratamento. O trabalho do GIMM vai estudar gãnglios esangue para perceber este equilíbrio e identificar novos alvos terapêuticos. METAVIH Como o VIH-1 persiste em células latentes que escapam à terapêutica, a FARM-ID está a criar modelos de órgão em chip para testar novas estratégias e acelerar ainvestigação rumo à cura. Intervenção Comunitária Capacitar A Acreditar criou um programa formativo para reforçan a aliteracia em oncologia pediátrica, em particular em linfomas não-Hodgkin de células B, para cuidadores, jovens e profissionais de saúde. +PrEP Da AARI chega uma proposta de avaliação comparativa e participativa de modelos de prestação de cuidados de PrEP em contexto hospitalar e comunitário para identificar barreiras e emelhorias. ChemCare O objetivo da Abraço é intervir no fenómeno chemsex (consumo de drogas para intensificar ou desinibir a experiência sexual) em homens que têm sexo com homens e prevenir infeções sexuais e overdoses. Memory2CARE A Universidade Portucalense Infante D. Henrique usa a tecnologia para melhorar o funcionamento cognitivo de doentes com cancro da mama, conhecido por impactar funções como a memória prospetiva. Ponto PrEP Reduzir a sobrecarga do SNS e aumentar o acesso à PrEP éc grande objetivo da Liga Portuguesa Contra a Sida, com a disponibilização de consulta comunitária, prevenindo ainfeção por VIH. Chemsex A Positivo vai promover um estudo qualitativo sobre os processos sociais e subjetivos associados ao consumo de drogas no sexo em homens que têm sexo com homens. A ideia é a compreensão teórica do fenómeno. Expresso GILEAD Croating Posíblo DISTINçàO O Expresso associa-se como media partner à 112 edição do Programa Gilead Génese, que distingue a investigação em Saúde. Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver código de conduta online), sem interferência externa. FRASES DA CONFERENCIA “Um dos problemas do país não é a dimensão. E colocar todos a trabalhar em conjunto” Nuno Sousa Presidente da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica “Inovação foi sempre sinónimo de progresso. Não há razão para ser diferente hoje” María Río ice-presidente e diretor-gera da Gilead Espanha e Portugal Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida, recebeu apoio para um projeto de prevenção do VIH FRANCISCO DE ALMEIDA FERNANDES