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HONDA CANCELA NOVA GERAÇÃO DE ELÉTRICOS A MESES DO LANÇAMENTO

Razão Automóvel Online

2026-03-13 22:09:15

A Honda travou a fundo nos elétricos, com um impacto de milhares de milhões de euros nas suas contas. Saiba as razões da decisão drástica A Honda travou a fundo nos elétricos, o que vai ter impacto de milhares de milhões de euros nas contas do construtor. Saiba as razões que justificam a decisão drástica. A indústria automóvel está a passar pela sua maior transformação de sempre, mas não está a correr nada como o previsto. Aquilo que parecia certo há uns anos, como a transição rápida para os automóveis elétricos, tem mostrado ser um verdadeiro bicho de sete cabeças . Há cada vez mais construtores a adiarem os seus planos neste âmbito. A Honda é um deles. A marca japonesa estava a meses de lançar o primeiro de uma nova geração de elétricos sob a designação 0 Series. Já não vai acontecer. Aliás, a Honda cancelou o lançamento dos três elétricos a serem produzidos nos EUA: além do 0 SUV e do futurista 0 Saloon, cancelou também o SUV Acura RSX (exclusivo norte-americano), que partilhava a mesma base técnica. © Honda Em 2024 a Honda mostrou os dois protótipos da 0 Series - Saloon e SUV -, num estado próximo da produção. O design radical, especialmente da berlina, tornavam-nos únicos entre todos os elétricos. Em comunicado, a marca justificou o cancelamento destes modelos com a necessidade de evitar o que seriam “maiores prejuízos a longo prazo” num cenário de mercado incerto. O retirar do apoio aos elétricos por parte da administração de Donald Trump pesaram na decisão: desde que os incentivos foram retirados, as vendas de elétricos nos EUA caíram substancialmente (-36% nos dois primeiros meses de 2026). A Honda tem de lidar, em simultâneo, com o declínio da rentabilidade do seu negócio automóvel. Um declínio que se deve a dois fatores: as políticas tarifárias dos EUA e uma queda na competitividade dos produtos da empresa na Ásia, devido ao impacto da alocação de recursos crescentes para o desenvolvimento de veículos elétricos, justificou a empresa. Descubra o seu próximo automóvel: O “buraco” financeiro A reavaliação estratégica vai ter um impacto profundo nas contas da empresa. A Honda prevê agora fechar o ano fiscal (que termina a 31 de março no Japão) com um prejuízo operacional que pode ascender aos 570 mil milhões de ienes (cerca de 3,1 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual), contrastando fortemente com o lucro de 550 mil milhões de ienes (3000 milhões de euros) inicialmente previsto. No total, entre baixas contáveis e reestruturação de investimentos na China, as perdas totais previstas pela Honda pode atingir o valor de 2,5 biliões de ienes (cerca de 13,6 mil milhões de euros). Foco nos híbridos Ao contrário do otimismo vivido há dois anos, a Honda reconhece agora que a transição para os 100% elétricos será mais lenta, tendo já revisto em baixa as metas de vendas inicialmente traçadas: de dois milhões de elétricos por ano em 2030 para um valor entre 700-750 mil unidades. Os recursos do construtor japonês vão redirecionados para os híbridos, cujas vendas estão a subir muito mais depressa do que a dos elétricos. “A Honda reavaliará a alocação de seus recursos e fortalecerá ainda mais seus modelos híbridos”, lê-se. Esta mudança de direção focar-se-á não só nos EUA, mas também no Japão e na Índia, onde a marca vê uma oportunidade de expansão mais rentável do que a aposta cega no “tudo elétrico”. Como sinal de responsabilidade pela falha na estratégia de eletrificação, a liderança da Honda anunciou um corte voluntário nos seus próprios salários. O Presidente e o Vice-Presidente da empresa abdicarão de 30% da sua remuneração mensal durante três meses. No total, a remuneração anual dos principais líderes será reduzida em cerca de 25% a 30%. Em maio, a Honda vai anunciar mais detalhes sobre o restabelecimento da sua estratégia de médio e longo prazo para o setor automóvel. Mariana Teles