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A ANSIEDADE COM A AUTONOMIA DO CARRO ELÉTRICO É COISA DO PASSADO”

Expresso

2026-03-13 22:09:16

Presidente executivo da Polestar diz que os motores de combustão não têm futuro Depois de a Polestar ter apresentado a maior ofensiva comercial da sua história, anunciando quatro novos modelos elétricos para os próximos três anos, Michael Lohscheller, presidente executivo (CEO) da empresa sueca, diz, em entrevista ao Expresso, que “a ansiedade com a recarga e a autonomia [da bateria do carro elétrico] é coisa do passado”. O CEO da Polestar (marca nascida da aliança entre a Volvo e a chinesa Geely) garante que tem observado um “interesse crescente”, ? especialmente entre os consumidores mais jovens, por veículos elétricos, em vários mercados. Numa crítica direta aos avanços e recuos da Comissão Europeia sobre as limitações à venda de carros equipados com motores a combustão (inicialmente anunciadas para 2035), o responsável da marca sueca diz acreditar que “a clareza por parte dos legisladores e da indústria, em vez de ruídos e debates divisivos, apoiaria uma maior adoção [de carros elétricos] por parte dos consumidores”. Michael Lohscheller defende que “precisamos que os políticos não mudem de rumo”. “Passámos anos a negociar o quadro político para a transição para os veículos elétricos. Empresas como a nossa, que fizeram investimentos significativos com base neste enquadramento, tomaram a decisão certae continuarão a fazê-lo. os motores de combustão interna não têm futuro”, afirma o gestor. E .O O CEO da Polestar, que se destaca na Europa por apenas produzir carros elétricos, também não poupa alguns dos seus pares do sector: “Por um lado, é dececionante ver alguns fabricantes de automóveis a mudarem de rumo, mas, por outro, isso significa que empresas como a nossa, que oferecem os melhores e mais adequados produtos, irão acabar por sair beneficiadas.” Aquele responsável está otimista quanto ao futuro da mobilidade elétrica e já não aceita o argumento recorrente do stresse e da ansiedade da autonomia associada aos veículos 100% elétricos. “os nossos automóveis têm uma autonomia até aproximadamente 600 quilómetros e com acesso a mais de um milhão de pontos de carregamento públi-Cos na Europa. Os clientes podem confiar na nossa trajetória e estamos bem posicionados para o futuro”, comenta Michael Lohscheller. Estas declarações surgem num momento em que também a sua marca-mãe, a Volvo, acaba de lançar o modelo EX60, um SUV elétrico que promete uma autonomia de 810 quilómetros com um único carregamento, o que já rivaliza com a autonomia disponibilizada por alguns modelos equipados com motores a combustão. Como se isso não bastasse, para o colocar num patamar de liderança perante os seus principais rivais, de que se destaca o BMW iX3 (que anuncia 805 quilómetros de autonomia), o novo modelo da Volvo promete uma recarga para 340 quilómetros em apenas 10 minutos e, em 19 minutos, admite elevar a autonomia dos 10% aos 80%. Quando perguntamos a Michael Lohscheller porque é que a Polestar nasceu da Volvo numa altura em que a marca sueca também aposta fortemente nos carros elétricos, a resposta é vaga: “A Polestar foi fundada em 2017 como uma marca independente, com a ambição de acelerar a transição para a mobilidade elétrica, fazer rapidamente o que os fabricantes de automóveis tradicionais não conseguiam”. “Ainda hoje, somos a única marca de veículos elétricos puros da Europa”, reforça o gestor. Por outro lado, o CEO da Polestar sublinha que existem várias vantagens em colaborar com o grupo chinês Geely (que é também seu acionista): “Temos acesso a tecnologia de ponta, arquitetura de grupo inovadora e uma capacidade de produção alargada. E, ao mesmo tempo, continuamos a diferenciar-nos com o nosso forte ADN Polestar, focado no design, no desempenho e na sustentabilidade.” Michael Lohscheller não avançou detalhes dos resultados completos de 2025 (até setembro a empresa teve um prejuízo de 1,56 mil milhões de dólares, mais 79,7% do que no ano anterior), mas nas vendas a retalho “foi um ano recorde”, com um crescimento em volume de 34%. O gestor reforça que continua a contar com o total apoio dos principais acionistas, Volvo e Geely. “Isto dá à Polestar acesso a tecnologia de ponta e à arquitetura do grupo, bem como a uma produção global de classe mundial, o que nos permite entregar estes quatro próximos modelos [recentemente anunciados] em tempo recorde”, nota. “Tal como anunciado em dezembro ejaneiro, recebemos também aproximadamente 700 milhões de dólares em novo financiamento de capital, reforçando ainda mais o nosso balanço e reduzindo a participação acionista total da Geely e da Volvo”, acrescenta. A Polestar posiciona-se num nicho de mercado de carros elétricos de alto desempenho. Questionado sobre se pretende ficar por aqui ou alargar o mercado, Michael Lohscheller refere apenas que “a Polestar continuará a oferecer automóveis premium de alto desempenho”. “Hoje servimos 25% dos segmentos do mercado de veículos elétricos e, com os nossos quatro próximos modelos, aumentaremos esta quota para 55%, entrando em segmentos de maior volume e com maiores margens de lucro”, frisa. “Embora a entrada em novos segmentos torne a nossa marca premium mais acessível, teremos mais automóveis nas ruas, o que nos ajudará a consolidar a nossa marca. Ao mesmo tempo, mantemos os nossos valores de marca claramente definidos, independentemente do segmento”, diz ainda. A Polestar destaca-se na Europa por ter nascido dedicada à produção de carros elétricos O acesso a tecnologia de ponta” é uma das vantagens de colaborar com a chinesa Geely Michael Lohscheller é o presidente executivo da sueca Polestar FOTOD D.R. VÍTOR ANDRADE