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TRÊS EMPRESAS NACIONAIS VÃO DESENVOLVER PRIMEIRO SATÉLITE MILITAR EUROPEU DE ÓRBITA MUITO BAIXA

ECO

2026-03-19 22:08:02

Portugal é um dos cinco países que financia o projeto VLEO-DEF, o 1.º satélite militar europeu de órbita muito baixa. Há três entidades nacionais no consórcio de 15,6 milhões. A Agência Europeia de Defesa (AED) fechou um contrato de investigação de 15,65 milhões de euros com um consórcio industrial para o desenvolvimento do primeiro satélite militar europeu de órbita muito baixa. Portugal é um dos cinco países europeus que vai financiar o projeto VLEO-DEF, consórcio no qual estão envolvidas as portuguesas Geosat, Omnidea e o INEGI. “Os satélites de órbita muito baixa (VLEO , Very Low Earth Orbit) são uma nova capacidade de Observação da Terra. Orbitam a Terra aproximadamente 200 km acima da superfície, o que permite melhorar substancialmente a resolução das imagens, comparativamente com satélites a 500 km de altitude”, começa por explicar Francisco Vilhena da Cunha, CEO Geosat, ao ECO/eRadar. “Um operador de satélites, como a Geosat (é um dos cinco operadores estabelecidos de satélites de Observação da Terra e um dos dois com satélites óticos), tem de adquirir, analisar e entregar imagens e informação em tempo real, mas também preparar as próximas gerações de satélites a lançar para o Espaço, em particular para o futuro da Constelação do Atlântico”, continua. Francisco Vilhena da Cunha, CEO da Geosat.Hugo Amaral/ECO “No setor do Espaço, e da observação da Terra em particular, lançar novas capacidades é um processo que ainda requer vários anos e investimentos elevados (dezenas a centenas de milhões de euros). É neste contexto que surge o projeto VLEO para lançar o desenvolvimento a nível europeu de um satélite de órbita muito baixa para observação da Terra. Este projeto vai desenvolver o conceito de operações, a arquitetura do sistema e analisar os principais tradeoffs tecnológicos“, explica o gestor. A Geosat é um das três entidades portuguesas envolvidas neste projeto que junta cinco Estados-Membros da União - além de Portugal, Espanha, França, Luxemburgo e Eslovénia financiam o projeto - e parte de um consórcio de 17 organizações industriais e de investigação. Liderado pela espanhola Sener, o consórcio tem ainda como participantes a Deimos, a Airbus Defence and Space e a Satlantis, do lado espanhol; bem como a Integrasys, Sparc, List, Rafinex, Emtronix, Gradel e a Gomspace (Luxemburgo); a Exotrail e a Thales Alenia Space (França) e, a Skylabs da Eslovénia, detalha a AED em comunicado. O apoio do Ministério da Defesa Nacional foi determinante para a participação nacional no projeto e vem validar a relevância desta iniciativa para o desenvolvimento de novas capacidades para a Defesa. Francisco Vilhena da Cunha CEO da Geosat “A Geosat contribui com a sua experiência no mercado da Defesa, definindo aplicações para fins militares, a arquitetura da missão e do sistema de controlo, e as especificações dos instrumentos. Os desafios impostos às estruturas e à propulsão são extremamente exigentes e é nestas áreas que os outros parceiros nacionais (Omnidea e INEGI) estão a trabalhar“, explica Francisco Vilhena da Cunha, ao ECO/eRadar. “O apoio do Ministério da Defesa Nacional foi determinante para a participação nacional no projeto e vem validar a relevância desta iniciativa para o desenvolvimento de novas capacidades para a Defesa”, reforça o gestor. Relevância do projeto para a defesa da Europa Com duração de 36 meses, o projeto VLEO-DEF irá desenhar o primeiro satélite militar europeu de baixa órbita, entre 250 a 350 km da Terra, permitindo a captura de imagens mais detalhadas, uma vantagem crítica para a recolha de informação, vigilância e missões de reconhecimento. A menor distância também permite uma entrega mais célere aos comandos militares da informação recolhida. Mas não é um projeto sem desafios. A baixa altitude requer maior propulsão para manter o satélite em órbita, materiais específicos e um novo desenho de satélite, tendo como objetivo final a realização de um voo experimental para testar a tecnologia em órbita, refere a AED. Este não é, todavia, o primeiro projeto da AED ao nível de satélites em órbita de baixa altitude. Em 2024, a Agência iniciou o projeto EO2VLEO, com a Áustria e a Holanda, para a construção de uma constelação de satélites capaz de orbitar em baixa órbita (LEO) e muito baixa órbita (VLEO), testando a capacidade de manobrar os satélites para essas duas órbitas. A missão do VLEO-DEF, no entanto, é outra: desenhar um satélite otimizado para operar em baixa órbita e desenvolver as tecnologias necessárias para manter as missões neste ambiente. Ana Marcela