pressmedia logo

RENAULT VAI USAR ROBÔS HUMANÓIDES PARA PRODUZIR CARROS EM MENOS TEMPO

Razão Automóvel Online

2026-03-19 22:08:02

O Grupo Renault quer fabricar carros em 10 horas e os robôs humanoides podem ser a solução. Perceba o que está em causa. Se o novo Twingo provou que o Grupo Renault consegue projetar um automóvel em apenas 100 semanas, há outra revolução a acontecer, desta vez na produção. O objetivo é claro: reduzir o tempo de produção de cada unidade para 10 horas ou menos. Afinal, tempo é dinheiro. Para o conseguir vai fazer uma forte aposta tecnológica: robôs humanóides. Ao abrigo do plano estratégico FutuREady, o grupo francês anunciou que vai integrar 350 robôs humanóides de nova geração nas suas linhas de produção em 2027. Chamam-se Calvin-40 e resultam de uma parceria com a empresa francesa Wandercraft, na qual o construtor detém uma participação minoritária. Ao contrário dos braços robóticos estáticos, estas unidades têm mobilidade e versatilidade para operar em postos de trabalho concebidos para humanos, assumindo tarefas pesadas, repetitivas ou de baixo valor acrescentado. Thierry Charvet, diretor de produção e qualidade do Grupo Renault, descreve a medida como um “verdadeiro avanço”, sublinhando o foco na viabilidade económica. “Não estou interessado em robôs humanóides (pelo conceito), estou interessado em dispositivos de automação eficientes e de baixo custo, mesmo que se pareçam com humanos”, afirmou o responsável. Atualmente, os robôs encontram-se em fase de testes e limitam-se a tarefas simples, dada a sua velocidade e destreza reduzidas quando comparadas com a mão de obra humana. Mas o desempenho promete evoluir graças ao uso de Inteligência Artificial (IA). © Grupo Renault O Calvin-40 tem capacidade para carregar até 40 kg. O robô utiliza câmaras integradas na secção média e um sistema de luzes LED para sinalizar o seu estado de funcionamento. O projeto Calvin é o primeiro de uma linhagem de dispositivos robóticos. O plano de industrialização inclui também o projeto Eve, exoesqueletos pessoais destinados a apoiar os operadores de linha. Esta aposta do Grupo Renault acompanha uma tendência que já assistimos em vários fabricantes, como a Tesla, Mercedes-Benz e BMW, que procuram nos robôs humanóides uma resposta aos desafios de flexibilidade na produção automóvel. Descubra o seu próximo automóvel: Para garantir que a redução dos tempos de produção não prejudica a qualidade final do veículo, está prevista a instalação de mais de mil pontos de controlo supervisionados por IA em todas as etapas críticas do fabrico. Este sistema permitirá uma rastreabilidade sem precedentes de cada componente e uma resposta quase instantânea a qualquer alerta vindo da rede de vendas. “Graças à IA, o Grupo Renault pretende reduzir, para metade, o tempo de inatividade nas suas fábricas e diminuir o consumo de energia em 25%, o que representa uma redução global de 20% nos custos de produção”. Comunicado do Grupo Renault A estratégia do Grupo Renault para a produção abrange também a cadeia de abastecimento, com o intuito de reduzir até 30% dos custos logísticos e reforçar a resiliência operacional. Para isso, vai monitorizar digitalmente, em tempo real, os potenciais riscos em toda a cadeia de valor: desde fornecedores e fábricas até à rede de vendas e aos próprios clientes. Mariana Teles