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MELHOR DO QUE O BMW IX3? CONDUZIMOS O NOVO MERCEDES-BENZ GLC

Razão Automóvel Online

2026-03-23 22:09:08

O GLC é o modelo mais vendido da Mercedes-Benz e passa a ser o porta-estandarte da sua tecnologia elétrica. As expectativas são elevadas O GLC é o modelo mais vendido da Mercedes-Benz e passa agora a ser o porta-estandarte da sua tecnologia elétrica. As expectativas são elevadas. Mercedes-Benz GLC 400 4MATIC Primeiras impressões Data de comercialização: Junho 2026 O novo Mercedes-Benz GLC elétrico não vai ter vida facilitada: não só tem de enfrentar os arquirrivais alemães, como agora há um sueco. Se o novo CLA lançou as bases para o que serão os futuros elétricos da Mercedes-Benz, o novo GLC é o modelo que tem como missão consolidar toda esta aposta. Ou não fosse o carro mais vendido da marca em todo o mundo. É um desafio e tanto. E para a Mercedes-Benz, este é um daqueles modelos que não pode mesmo correr mal, até porque aterra num segmento onde rivais como a BMW, Volvo e Audi estão a dar cartas. Fomos conduzi-lo por estradas nacionais, na região do Algarve, e descobrir todos os segredos daquele que é um dos lançamentos mais importantes da Mercedes-Benz nos últimos anos. Ora vejam: Jogo de luzes O Mercedes-Benz GLC estreia uma imagem totalmente nova, com uma dianteira a que os designers alemães apelidam de “obra de arte iluminada”. Por tratar-se de um elétrico, a grelha é totalmente fechada e, por isso, sem qualquer função prática. Porém, assume fortes responsabilidades estéticas, já que transforma por completo a cara deste modelo. © Mercedes-Benz A grelha do GLC é formada por 942 luzes LED, aos quais se soma o logótipo retroiluminado ao centro. Os grupos óticos dianteiros - em estreia neste GLC - também contribuem para a nova assinatura visual do GLC, mas neste caso, com uma função prática evidente: a Mercedes-Benz garante que têm um alcance de seis campos de futebol, ou seja, cerca de 630 metros. Outra diferença sentida para o GLC da geração anterior é o tamanho, já que este novo modelo cresceu em todos os sentidos: 13 cm em comprimento (4,85 m), 2,3 cm em largura (1,91 m) e meio centímetro em altura (1,64 m), além de 8,4 cm entre-eixos (2,97 m). Digitalização levada ao extremo Se ainda estão a digerir o jogo de luzes exterior, então segurem-se bem , porque assim que abrimos a porta do GLC damos de caras com o maior ecrã que a Mercedes-Benz alguma vez instalou nos seus automóveis: o novo Hyperscreen tem 39,1” e mede 99,3 cm de largura, atravessando todo o tabliê do carro. © Mercedes-Benz O Hyperscreen, que é um opcional de 1550 euros, consegue fundir num só o que habitualmente vemos em três ecrãs distintos: instrumentação, infoentretenimento central e infoentretenimento para o passageiro da frente. Apesar de muito digitalizado, o interior do GLC preserva alguns botões físicos para funções básicas e isso é positivo e torna a condução mais segura. O maior contra talvez esteja relacionado com o volante, que carece de comandos mais diretos para funções tão básicas quanto mudar a faixa de música . O que também está em muito bom plano é a qualidade de todo o habitáculo, bem construído e com materiais cuidados: podem optar entre pele vegan ou verdadeira e entre alumínio escovado e madeira. Outro detalhe que não podemos ignorar é o facto deste SUV equipar um tejadilho panorâmico com regulação de opacidade e que, em alternativa, pode replicar o efeito de um céu estrelado com 162 pontos de luz. Mais espaço do que nunca Nos lugares traseiros percebemos onde foram parar os 8,4 cm que este modelo cresceu entre-eixos: temos espaço de sobra para as pernas e cabeça, ao ponto de podermos dizer, com confiança, que este é o GLC mais espaçoso de sempre. © Mercedes-Benz A frunk dianteira oferece 128 litros de carga adicionais, o suficiente para arrumar os cabos de carregamento. Isso também é verdade para a capacidade de carga, ainda que aqui, não seja tão claro: na versão que testámos, com dois motores elétricos, o GLC tem uma bagageira com 570 litros de capacidade (mais 100 litros do que as versões PHEV, mas menos 30 litros do que as variantes a combustão atuais). Quando juntamos os 128 litros da frunk, a capacidade total ascende quase aos 700 litros, o que faz deste o GLC com a maior capacidade de carga que podem comprar. Até 713 km de autonomia A imagem exterior até pode não ser unânime e o interior pode ser demasiado tecnológico, mas quando olhamos para o pacote técnico que este modelo oferece, é impossível não reconhecer todo o trabalho que a Mercedes-Benz aqui colocou. A NÃO PERDER: A bordo do novo Volvo EX60. A concorrência que se cuide Para começar, temos a nova plataforma MB.EA com 800 V, que permite carregar a velocidades de até 330 kW em corrente contínua (DC) - é possível adicionar até 305 km em apenas 10 minutos -, ainda que o sistema elétrico do GLC também possa funcionar a 400 V e até 100 kW, em postos compatíveis. Já em corrente alternada carrega de série a 11 kW, mas é possível optar por um carregador de bordo de 22 kW, por mais 700 euros. © Mercedes-Benz O GLC 400 4MATIC consegue rebocar até 2,4 toneladas, um valor de referência dentro do segmento. Nesta fase, o Mercedes-Benz GLC elétrico apenas está disponível com uma bateria com 94 kWh de capacidade. Faz com que a versão 400 4MATIC (a única conhecida até ao momento) anuncie uma autonomia de até 666 km em ciclo combinado WLTP, valor que cresce até aos 713 km com o pacote Long Range, que custa 2950 euros. Este pacote opcional não altera a capacidade da bateria, mas inclui jantes de desenho mais aerodinâmico, suspensão pneumática e um eixo traseiro direcional. Suspensões inteligentes Quanto à máquina elétrica , o GLC 400 4MATIC recorre a dois motores elétricos (um em cada eixo) que entregam 360 kW (489 cv) de potência total e 800 Nm de binário máximo. O suficiente para nos deixar acelerar dos 0 aos 100 km/h em 4,3s, apesar das 2,5 toneladas. A velocidade máxima está limitada aos 210 km/h. © Mercedes-Benz O motor elétrico dianteiro pode ser desacoplado para aumentar ainda mais a eficiência de todo o conjunto. Tal como acontece no CLA, há uma caixa de duas velocidades associada ao motor elétrico traseiro, que permite melhorar a resposta das acelerações nos arranques e baixar os consumos a velocidades mais elevadas. Quem andar diariamente na autobahn vai agradecer. Durante este primeiro contacto pela região do Algarve, que misturou estradas secundárias, autoestradas e cidade, consegui fazer consumos entre os 14 kWh/100 km e os 15 kWh/100 km. É um valor muito interessante se considerarmos o porte atlético deste SUV, que em estrada se mostra muito superior à antiga geração. O Mercedes-Benz GLC, mesmo sendo elétrico, continua a ser um estradista, como sempre foi. Mas é mais agradável de conduzir, mais ágil (o eixo traseiro direcional ajuda) e mais confortável do que antes. E ao contrário do que muitas vezes acontece, consegue colocar com eficácia tudo o que os motores elétricos têm para dar sobre o asfalto. É injusto atribuir este resultado a apenas um elemento, até porque depende de vários sistemas e tecnologias para esse rendimento em estrada. Mas se tivesse de escolher um, teria de ser a suspensão pneumática inteligente, que permite antecipar irregularidades na estrada. © Mercedes-Benz O GLC elétrico pode equipar uma suspensão pneumática inteligente que foi pensada para ajudar a absorver solavancos e vibrações gerados por pisos em pior estado. Graças à função Car-to-X, que coloca 16 milhões de carros a falarem entre si, o cérebro do GLC consegue ajustar eletronicamente os amortecedores antes do carro passar por cima de buracos ou irregularidades, ao mesmo tempo que usa os dados do Google Maps para manter o carro o mais baixo possível durante o maior tempo possível. O que permite reduzir o coeficiente aerodinâmico (Cx) para apenas 0,26 - um valor notável para um SUV. Onde também se sente uma grande evolução é na travagem, com o GLC a recorrer agora a um sistema centralizado que decide se utiliza a travagem regenerativa (motores elétricos) ou o sistema de travagem hidráulico. Descubra o seu próximo automóvel: Quanto custa? Com chegada prevista ainda nesta primeira metade do ano, o novo Mercedes-Benz GLC elétrico vai ter preços a começar nos 78 mil euros (já com IVA) para o GLC 400 4MATIC, um valor inferior ao do GLC 400 híbrido plug-in atual. No verão, ficaremos a conhecer os dados técnicos e os preços para a versão de entrada, a GLC 250, com tração traseira, que chegará ao mercado em setembro. Estão ainda previstas mais duas variantes, cujos dados ainda não foram anunciados. © Mercedes-Benz Os consumos anunciados variam entre os 18,8 kWh/100 km e os 14,9 kWh/100 km. Comparando com as versões equivalentes dos concorrentes Audi Q6, BMW iX3 e Volvo EX60, o elétrico da Volvo é o que promete mais por menos. Anuncia mais autonomia, é o mais rápido e o mais barato. Contudo, depois deste primeiro contacto, o GLC elétrico leva nota alta. Está no topo do segmento no que toca à máquina elétrica e à autonomia, é muito competente do ponto de vista dinâmico, confortável e, tudo somado, é um passo em frente na carreira deste modelo. A NÃO PERDER: Elétricos têm um problema e a Mercedes talvez tenha a solução No papel, tem tudo para ser um sucesso. Se olharmos para o segmento dos SUV elétricos, vem substituir o EQC (lançado em 2019), que derivava do GLC com motor de combustão, o que trouxe compromissos em espaço, funcionalidade e eficiência. Não há outra forma de o dizer: estes dois modelos estão tão longe um do outro que nem faz sentido compará-los. Porém, apesar da esperança que deposita nesta nova geração, a Mercedes-Benz já fez saber que o GLC com motor de combustão vai continuar a ser vendido por mais alguns anos. Diogo Teixeira