PORTO - INVESTIGAÇÃO MILIONÁRIA, DOS OCEANOS AO ESPAÇO
2026-03-23 22:09:09

Investigação com selo “ made in Porto” envolve milhões e vai dos oceanos até ao espaço Universidade do Porto e CEiiA integram consórcios com projetos de relevância internacional bernardo.monteiro@jn.pt CI?NCIA o mapeamento e observação do mar e do planeta Terra são fundamentais para melhor conhecere e aproveitar os recursos naturais. Nesse sentido, estão ser desenvolvidos dois projetos com a marca de investigação “made in Porto” que significarão um investimento total de 19 milhões de euros. O trabalho desenvolvido em instituições da região, em consórcio com outras entidades, ganha relevância e explora cada vez mais territórios. O Atlântida II reúne uma equipa de especialistas das universidades do Porto, Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, cujo objetivofinal é implementar o Observatório Costeiro do Atlântico Norte. Adicionalmente, o projeto tem como missão promover "a exploração sustentável do oceano", significando um investimento de três milhões de euros. Noutra frente, um consórcio liderado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), sediado no concelho de Matosinhos, adquiriu dois satélites de observação da Terra, aumentando assim o leque de recursos existentes para esta função, com um custo aproximado de 16 milhões de euros. Esta compra pretende reforçar o projeto denominado Constelação do Atlântico, que permitirá revisitar, em média, qualquer ponto na superficie terrestre em meónos de três horas. ATLANTIDA II Monitorizar para criar Observatório Costeiro "o Atlântida II tem como grande objetivo consolidar e expandir as iniciativas de monitorização cos-teira da Região Norte de Portugal". A explicação é de Catarina Magalhães, uma das responsáveis do projeto, que dá seguimento ao programa com o mesmo nome. A missão é idêntica, mas como o financiamento disponí- vel tinha um prazo de três anos, foi necessário promover um recomeço do empreendimento. A necessidade de continuação deste estudo está relacionada com a variação dos ecossistemas naturais ao longo do ano. Só tendo "dados a uma escala alargada, interanual e que se prolongue óno tempo, é possível distinguir os impactos causados, POr exemplo, pela poluição ou pelas alterações climáticas das variações que são naturais", assinala a especialista. Os três milhões de euros serão financiados pelo Programa Regional Norte 2030, ao longo dos próximos três anos, permitindo avaliar e prever a evolução da orla costeira. Catarina Magalhães acredita que a investigação e compilação de dados sobre o oceano que banha a nossa costa norte será fundamental para implementar a etapa final do projeto, que passa POr criar o Observatório Costeiro do Atlânzonnnlerde tico Norte. Atividades como o mapeamento da biodiversidade nos ecossistemas, a monitorização costeirao e oceânica ou a criação de estratégias eficazes depois da mitigação de riscos costeiros serão as bases para a fase final do processo, que, de acordo com a investigadora, terá "muitos desafios". "Gestão de dados, integração dos stakeholders e passagem de informação às autarquias, que consequentemente chegará à população, SáO OS principais desafios. Quanto ao investimento de três milhões de euros, será aplicado na aquisição de dados, na formação dos investigadores e na divulgação", concluiu Catarina Magalhães. CONSTELAçáO DO ATLáNTICO Das catástrofes à defesa e segurança Do mar para o espaço, o projeto Constelação do Atlântico, liderado pelo CEiiA , Centro de Engenharia e Desenvolvimento e pela Força Aérea Portuguesa, vai adicionar dois satélites ao seu leque de ferramentas de observação da Terra. A operação envolverá um custo aproximado de 16 milhões de euros e tem como objetivo "posicionar Portugal para o fornecimento global de serviços de observação e de dados para os setores da defesa, segurança e sustentabilidade”. Entre outras aplicações, o oinvestimento neste programa pretende contribuir para a “prevenção e gestão de catástrofes, estimação de reservas de carbono, planeamento urbano e reconhecimento e serviços de informações”, conforme explica o CEiiA. Será ainda importante para "capacitar a indústria nacional no domínio do espaço, mediante transferência de conhecimento e desenvolvimento e operação de satélites de elevada complexidade". A Constelação do Atlântico, que foi lançada em 2019, permitirá revisitar, em menos de três horas, qualquer zona no território terrestre. Atualmente, a dimensão nacional do projeto é composta por 11 satélites (oito óticos e três de radar), podendo este leque aumentar até 16 equipamentos. Além das duas entidades mencionadas, CEiiA e Força Aérea Portuguesa, também integram o consórcio o CTI Aeroespacial, a N30 e a Geosat. Trata-se de uma iniciativa ibérica, apoiada POr ambos os países desde a 32.a Cimeira Luso-Espanhola em 2021. Segundo os promotores, a Constelação do Atlântico tem umaimportãncia vital na Agenda New Space Portugal, uma iniciativa estratégica, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, focada em transformar e industrializar o setor espacial português. 1 Equipa que trabalha no projeto Atlântida II 2 Monitorização dos oceanos é uma das vertentes do projeto SABER MATS Outras atividades Nas fases finais do Atlântida IL, serão pIomovidas formações, de modo a conseguir passar as informações obtidas à população. Para ajudar neste capítulo, há ainda iniciati vas de limpeza de praias organizadas POI varias instituições ligadas ao tema. Concurso O conCuISO público para "dotar o projeto da Constelação do Atlântico co as melhores condições téc nicas e económicas” teve 34 propostas internacionais. Deimos Engineering, OHB Sweden, Open Cosmos e Iceye foram algumas das empresas candidatas: Bernardo R. Monteiro