PRIMEIRO ENSAIO - MERCEDES CLA HYBRID
2026-03-24 22:04:29

MFTANRA TAASETúRIA o plano inicial era o novo CLA ser apenas “a pilhas”, mas a Mercedes mudou a estratégia e passou a contar também com motores a gasolina, com um "empurrão" elétrico. Guiámos a versão híbrida Lançada uns meses depois do CLA elétrico, a versão híbrida ligeira (mild hybrid) é de tração dianteira e usa um motor a gasolina de quatro cilindros turboalimentado de 1.5 litros (produzido pelos parceiros da Geely em associação com a Renault, através da joint-venture Horse), o que pode levar bastantes potenciais clientes a torcer o nariz perante a ideia de ter um motor parcialmente chinês num Mercedes), havendo depois em alguns mercados (mais invernosos do que o nosso) as versões com tração integral (4MATIC) que também enviam potência para as rodas posteriores. Quer dizer que, ao contrário de outros híbridos da Mercedes, este não é um plug-in que possa ser carregado externamente, antes usando um sistema elétrico de 48 volts que alimenta um módulo de bateria com uma capacidade de apenas 1,3 kWh. A silhueta dessa terceira geração do CLA segue a receita dos anteriores, com uma carroçaria com perfil arqueado com certo ar de coupé, mesmo tratando-se de um carro de quatro portas. Ao contrário da grelha das versões elétricas, esta não é totalmente fechada, porque o motor a gasolina continua a precisar de ser arrefecido pela passagem do ar que vem do exterior. E, debaixo do capot, em vez de uma pequena bagageira (a chamada “frunk”: neologismo inglês que junta as palavras front e trunk, dianteira e mala), há então esse motor turbo de quatro cilindros e 1.5 litros. Que envia os seus fumos para um tubo de escape (com ponteira dissimulada, que não espreita na traseira). Soluções como as extremidades rebaixadas, as proteções inferiores da carroçaria, o pequeno aileron sob a tampa da bagageira e os puxadores das portas nivelados pela carroçaria contribuem para um coeficiente aerodinâmico de referência (deverá rondar os 0,23-0,24, acima dos 0,21 de referência do CLA elétrico). O que é muito importante para baixar consumos, como mostram os números oficiais dessa versão: 5,7 l/100 km e uma autonomia a rondar os 900 quilómetros. No interior o principal destaque vai para os ecrãs que se estendem a toda a largura do painel de bordo, de pilar a pi-lar, e que compreendem o quadro de instrumentos (10,3”), o yecrã central de infoentretenimento (14”) eum terceiro monitor (14”) para o passageiro dianteiro. Opcionalmente é possível dispor também de um head-up display (informação projetada no para-brisas, com 12,2”). CONVERSAS INTELIGENTES Tanto a luz do painel como a luz ambiente variam de acordo com os modos de condução ou até o estado de alma do condutor, que pode selecionar entre 64 cores. O tejadilho panorâmico (sempre de série, já veremos porquê.) acrescenta luminosidade ao interior e existem dois tipos de bancos dianteiros à escolha, uns mais confortáveis e outros mais desportivos, sendo possível optar por diferentes soluções para o seu revestimento (tecido, pele, pele sintética, etc). A solidez da montagem e de vários materiais (como o alumínio escovado, a madeira, etc) favorecem a qualidade percebida, mas a superfície superior do painel de bordo poderia ser mais convincente (apenas levemente suave ao toque). Nota-se uma redução dos comandos físicos, mas em alguns casos ter-se-á ido longe demais (como no aquecimento dos bancos, que tem de ser feito pelo ecrã central). A decisão de trocar o sistema de patilhas atrás do volante para passagens de caixa por um seletor que se empurra e puxa, muito menos intuitivo, é de reprovação quase consensual (são os mesmos seletores usados na versão elétrica para variar a intensidade da desaceleração regenerativa). Tanto que a própria Mercedes já admitiu que irá voltar ao sistema anterior com a maior brevidade possível. o espaço na segunda fila de bancos é razoável em largura, ainda que um passageiro central fique sempre um pouco apertado e com intrusão na zona dos pés gerada pelo túnel central que não existe na versão elétrica. Em comprimento é também mediano e como a altura é prejudicada pela descida da carroçaria atrás, acaba por não sobrar muito para passageiros acima de 1,80 metros de altura (isto apesar do teto panorâmico ajudar a ganhar uns centímetros). A bagageira é uma das mais pequenas da sua classe , apenas 405 litros (o que no caso do CLA elétrico é disfarçado pelos 100 litros adicionais que podem ser usados debaixo do capot dianteiro). SOB UM MANTO BRANCO EM ESTRADAS ALPINAS Neste primeiro contacto dinâmico, nos Alpes austríacos e cercados por neve por todos os lados, não estavam disponíveis as versões de tração dianteira 180 e 220, mas apenas O CLA 200 4MATIC, de tração às quatro rodas, com 184 cv e 330 Nm. Considerando as temperaturas invernais nas quais decorreu esta experiência dinâmica e as condições da es-trada (cobertas de neve, normal no inverno nos picos da Europa) o facto de a potência do motor ser passada para os dois eixos (com a ajuda de uma transmissão eletrificada de dupla embraiagem de oito velocidades) é uma importante vantagem. Mas ainda que a caixa seja suave no dia-a-dia, não é das mais rápidas nas passagens e tende a manter a mesma mudança mais do que seria desejável (em modo Sport até se percebe, mas não ônos restantes), o que acaba por tornar o motor bastante audível. Percebe-se que o chassis foi afinado para proporcionar equilíbrio entre conforto e estabilidade. Naturalmente que conduzimos com moderação por estarmos sobre piso muito escorregadio. mas os sinais de muita competência dinâmica estão cá. Na direção, suficientemente direta e bastante precisa/comunicativa, como na travagem (pronta e linear, além de muito boa transição entre regenerativa e por frição), sem vestígios do tato esponjoso do pedal da esquerda como aconteceu em algumas aplicações em modelos eletrificados no passado recente na Mercedes. Deixando de lado a questão da origem do motor (cada vez mais O Ocidente vai aceitando a competência tecnológica chinesa), a verdade é que a sua resposta convence logo desde os regimes iniciais, sendo capaz de mover as 1,8 toneladas do CLA 200 4Matic com agilidade. Ainda que não tenhamos guiado a versão de entrada CLA 180 , com apenas 156 cavalos = fica a ideia de que o 200 deve ser consideradocomo o ponto de acesso mais adequado ao mundo CLA, com o seu rendimento aceitável de 184 cavalos (resultantes da combinação de 163 cv a gasolina com 22 kW/30 CV elétricos). 7,9 segundos de o 100 km/h, 228 km/ de velocidade máxima e acelerações intermédias ajudadas pelo “empurrão” elétrico tornam esta versão adequada para a maioria dos potenciais utilizadores e respetivas famílias. No caso do CLA 220 que se vende em Portugal, (a par do 180) esses registos melhoram para 7,2 s e 240 km/h. Se bem que permitindo performances interessantes, o pouco refinado ruído do motor convence menos. Em cargas de acelerador mais altas o motor “ entra” demasiado no habitáculo com uma sonoridade que pode ferir tímpanos mais sensíveis e/ou mal-habituados pelo que se costuma ouvir dentro de um modelo da marca alemã que continua a ser sinónimo de premium em todo o mundo. é certo que um motor de 1.5 litros é bom para a economia de combustível (até porque este trabalha num ciclo ,Miller pensado para ser mais eficiente) em cargas parciais e este motor nem é mais ruidoso do que as unidades de três cilindros e 1.5 litros da BMW. Mas não deixa de poder ser um motivo para a não concretização da compra de um cliente que exige superior refinamento acústico para se prontificar a pagar um valor na vizinhança dos 50 000 euros... Além do som, a coordenação entre as fontes de energia (gasolina e elétrica) deixa, por vezes, a desejar porque a transição por vezes tem pequenas hesitações. O sistema de propulsão aciona primeiro o motor elétrico e só depois utiliza o impulso do conjunto de engrenagens para ligar o motor de combustão. Isto significa que, em vez de disparar para a frente, o carro move-se suavemente antes de o motor de combustão arrancar, só que este precisa de tempo para subir de rotações o suficiente para superar o atraso do turbo. O ideal seria o oposto ou, quando muito, arrancar com o motor de combustão e o elétrico em simultâneo. O condutor pode resolver a questão se selecionar o programa Sport nos modos de condução, o que fará com que o motor a gasolina esteja sempre ligado, ganhando em rapidez de resposta o que perde em economia de consumo. Mas, ao contrário do que acontece com a generalidade dos sistemas de propulsão mild hybrid (que montam o pequeno motor elétrico entre o motor de gasolina e a caixa de velocidades) aqui o motor elétrico está dentro da caixa, o que permite que exista tração elétrica, mesmo que limitada: em distâncias curtas (até porque a bateria é muito pequena), desde que a potência requerida seja até 30 cavalos e a uma velocidade não superior a 100 km/h. Os consumos urbanos agradecem e o sistema permite recuperar (até 25 kW) energia na desaceleração. O A APURADA AERODINàMICA E 0 AVANçADO SISTEMA HiBRIDO PERMITEM CONSUMOS REAIS POUCO ACIMA DOS 6 LITROS/100 KM NO CLA 200 MAIS E MENOS os ecrãs estendem-se a toda a largura do painel, com grafismo e funções sofisticados. A qualidade dos materiais é aceitável, mas faltam comandos físicos e os da caixa são menos intuitivos de usar. A segunda fila é acanhada, tal como a bagageira AO CONTRARIO DO QUE ê NORMAL, ESTE HiBRIDO SUAVE PODE FAZER PEQUENAS DISTANCIAS EM MODO DE CONDUçAO ELêTRICA MERCEDES CLA 200 4MATIC PREçO 51 200 EUR (CLA 220) CARROçARIA/TRAçAO: 4 PORTAS, 4x4 SISTEMA HiBRIDO: 1.5 TFSI + MOTOR ELêTRICO TRANSMISSAO: 8 VEL. (EDCT), DUPLA EMBRAIAGEM POTêNCIA COMBINADA: 184 CV BINARIO COMBINADO: 330 NM MOTOR GASOLINA: 163 CV/250 NM MOTOR ELêTRICO: 22 KW-30 CV/200 NM TIPO DE BATERIA: lóES DE LiTIO CAPACIDADE: 1,3 KWH AUTONOMIA ELêTRICA: VARIAVEL AUTONOMIA TOTAL: 900 KM ACELERAçAO 0-100 KM/H: 7,9S VELOCIDADE MAXIMA: 228 KM/H VEL. MAX, ELêTRICA: 100 KM/H PESO: 1770 KG CONSUMO: 5,2-5,7 L/100 KM EMISSóES CO,: 119 A 130 G/KM COMP. LARG. ALT. 4,72 :/ 1,86 / 1,45 M DISTANCIA ENTRE EIXOS: 2,79 M BAGAGEIRA: 405 L 8 COMPORTAMENTO / AUTONOMIA ESPAçO 2a FILA / SELETOR DA CAIXA DBS: EM PORTUGAL ESTAO DISPONiVEIS APENAS VERSóES DE TRAçAO DIANTEIRA, CLA 180 (156 CV/280 NM) E CLA 220 (211 cv/380 NM], A VENDA COM PREçOS DESDE 48 150 EUROS E DESDE 51 200 EUROS, RESPE TIVAMENTE PRESS-INFORM; JOAQUIM OLIVEIRA