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MOBILIDADE ELÉTRICA QUASE TRIPLICA NUM ANO

Revista ACP

2026-03-24 22:05:25

Estudo do Observatório ACP sobre "Mobilidade Elétrica em Portugal" mostra que o mercado dos veículos eletrificados está está a ganhar escala e maturidade O ano de 2026 surge, assim, como um momento de viragem: a eletrificação deixa de ser um nicho para se afri mar como uma tendência no horizonte próximo da mobilidade automóvel. Assim, 9% dos condutores portugueses possuem um automóvel 100% elétrico, quase o triplo face aos 3,5% registados em 2025. Este crescimento refel te uma mudança consistente na forma como os consumidores encaram a mobilidade, com a eletrificação a ganhar espaço nas decisões de compra, impulsionada por razões ambientais, económicas e tecnológicas. Parque automóvel em mudança A par do crescimento dos elétricos, o parque automóvel português revela sinais de uma renovação gradual. Se por um lado cerca de 38% dos automóveis em circulação têm mais de 15 anos (menos cinco pontos percentuais do que no ano anterior), por outro lado aumentam as viaturas mais recentes, com menos de quatro anos. Também ao nível das motorizações se notam mudanças relevantes. Os veículos a gasolina voltaram a ganhar terreno, com um aumento de 11%, enquanto os automóveis a diesel continuam a perder expressão no conjunto do parque automóvel, registando uma quebra de 18%. Metade admite trocar de automóvel Tal como a adoção dos elétricos, a intenção de substituir o automóvel aumentou de forma expressiva. Atualmente, 49% dos condutores admitem trocar de carro nos próximos um a cinco anos, um valor que representa mais 25% face a 2025. Entre as opções consideradas, os veículos eletrificados (híbridos, híbridos plug-in e elétricos) já representam cerca de metade das preferências. Em paralelo, cresce também a predisposição para optar por um automóvel 100% elétrico: 55% dos condutores consideram provável escolher esta solução na próxima compra. Motivações e barreiras à compra Segundo os dados do estudo do Observatório ACP os custos de utilização mais baixos e a expectativa de evolução tecnológica estão entre os principais fatores que impulsionam o interesse pelos veículos elétricos. Ainda assim, subsistem obstáculos relevantes. O preço inicial elevado continua a ser a principal barreira, a que se juntam dúvidas relacionadas com a autonomia, o tempo de carregamento e a perceção de que ainda existem poucas oficinas especializadas. Mercado de usados ganha força Também o mercado de veículos elétricos usados começa a ganhar expressão. Atualmente, 37% dos condutores consideram provável adquirir um elétrico em segunda mão , um aumento de 19 pontos percentuais em relação a 2025. O preço mais acessível surge como o principal fator de interesse, embora persistam algumas reservas, sobretudo relacionadas com a durabilidade das baterias e com o valor residual de determinados modelos no mercado de usados. Quem não tem já conhece Entre os condutores que ainda não utilizam veículos elétricos, a familiaridade com esta tecnologia tem vindo a aumentar. Cerca de 59% afri mam ter amigos ou familiares que possuem um automóvel eletrifci ado, o que contribui para reduzir dúvidas e despertar a curiosidade em conhecer esta alternativa. Também nas preferências aspiracionais se registam mudanças: a marca chinesa BYD ultrapassou a Tesla como “marca de sonho” entre os veículos elétricos, sobretudo entre os condutores mais jovens. Começa igualmente a consolidar-se o perfil do utilizador de veículos eletrificados. Cerca de 82% dos proprietários possuem o seu automóvel há menos de cinco anos. Tesla e BMW continuam entre as marcas mais presentes, embora a BYD esteja a crescer rapidamente. No que diz respeito à autonomia, 62% dos veículos apresentam atualmente valores entre 150 e 400 quilómetros. Carregamento mais acessível e digital O estudo do Observatório ACP mostra também que o carregamento tornou-se mais regular e acessível. A grande maioria dos utilizadores (86%) carrega o automóvel em casa, enquanto 91% recorrem igualmente a postos públicos. Os custos mantêm-se relativamente estáveis: até cerca de sete euros por carregamento doméstico e aproximadamente 50 euros por mês em carregamentos realizados na rede pública. Ao mesmo tempo, a digitalização ganha terreno: 39% dos utilizadores recorrem a aplicações móveis para localizar postos de carregamento ou efetuar pagamentos. Apesar dos progressos registados, a infraestrutura de carregamento continua a apresentar algumas assimetrias regionais, com maiores dificuldades em zonas rurais e na região do Alentejo. Nos condomínios, a instalação de carregadores também enfrenta limitações. Cerca de 25% dos condutores referem obstáculos à instalação e a perceção de difci uldade em carregar o automóvel em casa aumentou para 43%. O ano da viragem? No seu conjunto, os dados sugerem que 2026 poderá representar um momento de viragem na mobilidade elétrica em Portugal. Os consumidores mostram-se hoje mais informados disponíveis para considerar a compra de veículos eletrificados.Ainda assim, o preço de aquisição, a expansão da infraestrutura de carregamento e a evolução da autonomia continuam a ser fatores decisivos para acelerar a adoção em larga escala.