ELETRIFICAÇÃO DAS FROTAS PODE GERAR 246 MIL MILHÕES DE EUROS EM POUPANÇAS ATÉ 2030
2026-03-24 22:06:08

A transição das frotas empresariais europeias para veículos elétricos tem potencial para gerar quase 246 mil milhões de euros em poupanças acumuladas nos custos operacionais até 2030, segundo o relatório “Fleet forward: powering the transition to electric mobility”, elaborado pela EY e pela Eurelectric. O valor equivale a cerca de 49 mil milhões de euros por ano. Atualmente, apenas 6% da frota automóvel das empresas é elétrica. No entanto, a adoção de veículos de zero emissões poderia também evitar até mil milhões de toneladas de CO2 até 2030. Só com combustível, a poupança acumulada poderá situar-se entre 130 mil milhões e 140 mil milhões de euros até 2030. Este cálculo tem por base nos preços médios praticados na União Europeia. O estudo destaca que os veículos elétricos ligeiros de passageiros e comerciais conseguem apresentar custos operacionais por quilómetro inferiores aos equivalentes com motor de combustão interna. Isto acontece sobretudo quando o carregamento acontece em instalações próprias das empresas. Também no transporte de pesados, os camiões elétricos podem alcançar custos operacionais mais baixos em rotas específicas. Desafios à eletrificação Apesar deste potencial, os benefícios operacionais, por si só, não são suficientes para impulsionar uma adoção em larga escala pelas empresas. O relatório identifica quatro obstáculos. Nomeadamente, os preços de aquisição elevados, a incerteza sobre o valor residual, a existência de incentivos públicos inconsistentes e atrasos na ligação à rede elétrica ou na expansão da infraestrutura de carregamento. Para Constantin M. Gall, EY global aerospace, defense & mobility leader, apesar da eletrificação das frotas já garantir vantagens a nível dos custos operacionais em vários segmentos, “o custo total continua condicionado por limitações estruturais próprias de um ecossistema ainda em desenvolvimento e do processo de adaptação em curso. Desvantagens no custo inicial, risco associado ao valor residual, políticas fragmentadas e constrangimentos na rede elétrica continuam a atrasar decisões de investimento em veículos elétricos. A forma como estes obstáculos forem resolvidos determinará a velocidade da transição”. Já José Roque, energy segment lead EY Portugal, refere que “a eletrificação das frotas das empresas deve ser encarada como uma oportunidade estratégica para a Europa reforçar a sua competitividade industrial e energética. Para concretizar esse potencial, é preciso um planeamento integrado entre os sistemas de transporte, energia e infraestruturas digitais para acelerar a mobilidade elétrica, garantindo que a transição acontece de forma coordenada em todo o ecossistema”. Empresas no centro da transição energética Na União Europeia, as empresas adquirem seis em cada dez novos veículos, sendo estes responsáveis por 71% das emissões de CO2 associadas aos automóveis. “O potencial de poupança económica e de redução de emissões é, por isso, enorme. Uma estratégia bem desenhada pode acelerar a procura por veículos elétricos e fortalecer a indústria europeia e a independência energética”, defende Kristian Ruby, secretário-geral da Eurelectric. Neste contexto, o estudo defende uma ação coordenada em todo o ecossistema. Desde os operadores, que devem maximizar o carregamento inteligente (identificado no relatório como um fator-chave para reduzir custos e melhorar as margens operacionais), aos fabricantes, que devem reduzir a diferença de preço inicial e aumentar a transparência da informação sobre as baterias para reforçar a confiança dos consumidores. Além disso, para os decisores políticos, estes têm de garantir previsibilidade fiscal e regulatória, entre outros aspetos. Mercado europeu acelera O ano de 2025 marcou um “ponto de viragem” para a mobilidade elétrica a nível global e na Europa em particular. Efetivamente, as vendas de carros elétricos atingiram cerca de 23,7 milhões de unidades em todo o mundo, representando já um quarto (26%) do mercado automóvel mundial. Na Europa, os automóveis elétricos representam 29% do mercado, acima dos 12% registados nos Estados Unidos, mas ainda abaixo dos 48% na China. Em dezembro, pela primeira vez, os novos registos de veículos elétricos ultrapassaram os de carros a combustão em território europeu (22,6% versus 22,5%). A evolução do enquadramento regulatório europeu também deverá acelerar esta tendência. A proposta de regulamento relativo às normas de emissão de CO2 para os automóveis de passageiros e os veículos comerciais ligeiros, apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025 no âmbito do Pacote Automóvel, prevê metas vinculativas para a adoção de veículos de emissão zero ou emissões reduzidas por grandes empresas a partir de 2030. O objetivo é aproveitar o peso das frotas corporativas para acelerar a descarbonização do transporte rodoviário. A acompanhar esta tendência, a infraestrutura de carregamento continua a expandir-se. A rede pública ultrapassa atualmente 1,2 milhões de pontos de carregamento. Isto representa um aumento de 19% face a 2024 e três vezes mais do que em 2021. No caso específico dos camiões, os pontos de carregamento cresceram 30% no último ano, para 937. O aumento foi de seis vezes desde 2021. Siga-nos em Siga-nos em Siga-nos em