“DIÁLOGO IMPROVÁVEL” ENTRE CULTURA E TECNOLOGIA ACONTECEU EM ÉVORA
2026-03-24 22:06:23

Um “diálogo improvável” entre cultura e tecnologia aconteceu em Évora no dia 10 de março, numa sessão marcada pela reflexão sobre a relação entre estes dois temas. A iniciativa foi promovida pela plataforma de conhecimento Sharing Knowledge, em parceria com a Associação Évora 2027 e o CEiiA , Centro de Engenharia e Desenvolvimento. O encontro teve lugar no Palácio de D. Manuel e contou com a participação de Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora 2027; José Rui Felizardo, CEO do CEiiA; Carlos Zorrinho, presidente da Câmara de Évora; e Martim Sousa Tavares, maestro e divulgador cultural, tendo a moderação de Jaime Quesado, da Sharing Knowledge. Jaime Quesado explicou que “o Sharing Knowledge foi constituído há seis anos e é um grupo de partilha onde estão a maior parte dos interlocutores do evento”, adiantando que “a ideia foi fazer uma parceria com o CEIIA e a Associação Évora 2027 para criar esta sessão”. Em declarações aos jornalistas, Maria do Céu Ramos destacou que “esta foi uma iniciativa de alcance de Évora_27 , Capital Europeia da Cultura (CEC)”. Acrescentou que “a CEC centra-se no seu programa próprio, um programa artístico a partir dos projetos que foram aprovados pelo painel europeu, mais os projetos artísticos que virão através das open call e das encomendas que o diretor artístico fará, mas isso não esgota o programa de Évora_27”. Segundo a presidente da Associação Évora 2027, “há iniciativas de relação com todos os setores da sociedade civil que fazem parte da realidade da CEC”, focando que “este foi um desses exemplos, em que debatemos tecnologia e cultura”. Frisou que “propusemos este diálogo improvável, esta relação improvável entre ciência e tecnologia”, realçando “as múltiplas pontes que existem e mais as outras que poderemos construir, pois estes momentos servem também para imaginar e enriquecer o programa da CEC”. Na sua opinião, “muitas vezes, a própria tecnologia resulta já de uma construção cultural, manifestamente tudo o que há de tecnológico foi criado pelo homem, mas essa tecnologia gera outras dimensões culturais”, constatando que “oferecem-nos imensas possibilidades de reflexão e de questionamento, como faz parte de uma CEC”. Também José Rui Felizardo afirmou que “cultura e tecnologia são duas coisas que normalmente as pessoas não abordam em conjunto, no entanto são dois pilares fundamentais de organizações como o CEiiA”. Recordou que “o CEiiA está em Évora, onde estamos a desenvolver o maior projeto aeronáutico desenvolvido em Portugal, o LUS-222, um projeto em que a tecnologia marca aquilo que é um dos principais pilares”. No entanto, o CEO do CEiiA considerou que “para que este tipo de projetos possa vingar há um aspeto fundamental, que é a dimensão cultura”, evidenciando que “quando nós desenvolvemos um produto como o LUS-222 a dimensão criatividade é crítica neste processo”. Na sua perspetiva, “saber engenherizar a criatividade implica que a própria organização saiba interagir com o que está à sua volta e a melhor forma de o fazer é através da cultura e da arte”. O mesmo responsável realçou que “quando nós combinamos cultura e tecnologia é uma iniciativa que se afigura fundamental, não só pela ligação de CEiiA à sociedade, mas também para o próprio CEiiA na forma como pensa e desenvolve os seus produtos”. Por sua vez, Carlos Zorrinho considerou que “o mais importante que posso trazer é a visão de Évora e do município para cruzar tecnologia e cultura numa visão de desenvolvimento”, reforçando que “nós temos uma visão de afirmação de Évora como uma Capital Europeia ao Sul, em que a cultura se cruza com a tecnologia”. De acordo com o presidente da Câmara de Évora, “isso é o vagar”, sublinhando que “o vagar é parar, conseguir olhar para o tempo que vivemos e com as novas tecnologias, com a cultura e identidade que é nossa, transformarmos e fazermos a diferença”. Apontou ainda que “uma cidade com história, a olhar para o futuro, que possa cruzar tecnologia e cultura é Évora”. Já Martim Sousa Tavares, que está a residir em Évora há quase dois anos, participou neste debate “enquanto agente cultural e artista”, dando o seu contributo nesse sentido. O maestro e divulgador cultural comentou que “Évora é uma cidade da qual toda a vida gostei muito e conheço bem em sentido patrimonial e do seu tecido humano e social”, garantindo que “a minha vinda não está relacionada com a CEC, é um projeto de vida”. Em relação a este encontro, salientou ainda que “participei para dar a voz da música neste diálogo entre a cultura e a tecnologia”. Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal Redação