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PORSCHE E AUDI PODEM APROXIMAR-SE AINDA MAIS E ESTES SÃO OS MOTIVOS

Razão Automóvel Online

2026-03-25 22:08:59

Aproximação entre a Porsche e a Audi poderá ser menos sobre uma decisão estratégica e mais sobre uma necessidade pragmática. A Porsche e a Audi poderão não ter outra solução sem ser a de unir forças. As duas marcas que mais contribuíam para os lucros do Grupo Volkswagen depararam-se com múltiplas dificuldades em simultâneo, que afetaram negativamente os seus resultados financeiros: queda das vendas na China, tarifas norte-americanas e eletrificação que não traz os retornos esperados. Segundo avança a Automotive News, Michael Leiters, diretor-executivo da Porsche, e Gernot Döllner, diretor-executivo da Audi, ter-se-ão reunido no início do ano para discutir uma potencial aproximação para alavancar ainda mais o potencial comum dos dois construtores. “A Audi é uma parceira fundamental para nós. Queremos aproveitar ainda mais o potencial que temos em comum”, avançou Michael Leiters, diretor-executivo da Porsche. © Porsche Apesar de décadas de colaboração, há registos de momentos mais tensos. Recentemente, no desenvolvimento da plataforma PPE que serve de base ao Macan elétrico e ao Q6 e-tron, houve disputas internas sobre vários tópicos, desde a liderança do projeto à partilha dos custos. Os dois construtores não partem do zero, tendo sido parceiros numa série de projetos, como a partilha da plataforma MLB entre os Q5/Macan e Q7/Cayenne ou a adaptação da plataforma J1 do Porsche Taycan para o Audi e-tron GT. Mais recentemente, os dois construtores desenvolveram em conjunto a Premium Platform Electric (PPE) que é a base do Porsche Macan elétrico e dos Audi Q6 e-tron e A6 e-tron. Chegou a ser avançado por Oliver Blume, o CEO da Porsche na altura, que o desenvolvimento conjunto da PPE cortaria os custos em até 30%. Um ano para esquecer O ano de 2025 ficará registado como muito difícil para ambas as marcas, ainda que por razões distintas. O caso da Porsche é o que preocupa mais. Os lucros caíram 92,7%, como resultado da queda de vendas na China (-26%), do impacto das tarifas norte-americanas e, claro, da aposta na eletrificação, que não trouxe os resultados esperados. Em resposta, Michael Leiters, que assumiu funções a 1 de janeiro, delineou a Estratégia 2035, que inverte o rumo e coloca a exclusividade acima do volume, prometendo um fluxo de caixa mais sólido e margens à altura da reputação histórica da marca. A situação da Audi é diferente, mas requer atenção. Embora as receitas tenham crescido 1,5%, para 65,5 mil milhões de euros, a rentabilidade sofreu com as tensões comerciais globais: o lucro operacional caiu 13,6%, penalizado sobretudo pelas tarifas norte-americanas. Cooperação estratégica é opção ou obrigação? Uma fonte próxima deste processo resumiu bem o estado de espírito interno: “Não têm escolha, os custos precisam de ser reduzidos significativamente.” Para o Grupo Volkswagen, aprofundar a colaboração entre as duas marcas já não é uma questão de estratégia, mas sim uma questão de sobrevivência financeira. A pressão combinada de um mercado chinês em queda, barreiras comerciais internacionais e mudanças abruptas nas preferências dos consumidores, está a tornar a cooperação praticamente inevitável. Isso já está a acontecer na Porsche com a reversão dos planos para os elétricos e uma aposta renovada em modelos com motor de combustão, que vai apoiar-se fortemente nas arquiteturas da Audi. O sucessor do Porsche Macan com motor de combustão - que deverá adotar outro nome -, partilhará com o Audi Q5 grande parte do hardware, de forma similar ao primeiro Macan. O projeto K1, que antecipava um SUV elétrico com três filas de bancos posicionado acima do Cayenne, vai ser reformulado como um SUV com motor de combustão (mantendo as três filas de bancos), derivando do inédito Audi Q9 (será revelado este ano). No caso da Audi, a cooperação estende-se aos modelos elétricos, materializado no Concept C previsto para 2027, que partihará plataforma com os novos 718 Boxster e Cayman elétricos da Porsche Descubra o seu próximo automóvel: Mariana Teles