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PARTIDO SOCIALISTA - CARNEIRO CHAMA INDEPENDENTES PARA O CONGRESSO, ONDE OS CRÍTICOS SE VÃO FAZER OUVIR

Público

2026-03-25 22:09:29

Carneiro chama Carlos Tavares e Costa Silva para pensar programa do PS PS leva independentes ao congresso para renovar ligação com a sociedade e preparar as propostas que o partido levará às próximas eleições legislativas Carlos Tavares, ex-CEO do grupo Stellantis, Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, António Costa Silva, antigo ministro da Economia e do Mar e coordenador da elaboração do Plano de Recuperação e Resiliência, vão participar no Congresso do PS, numa iniciativa que tem como objectivo a construção de um programa eleitoral para o partido. Estes são alguns dos independentes que vão participar nos debates “Oficina do Futuro”, iniciativa que procura refazer a ligação do PS com a sociedade, bem como com esta debater o desenho de novos conteúdos programáticos e encontrar propostas para a governação do país. Os seis debates decorrem paralelamente aos trabalhos do 25.º Congresso do PS, no Pavilhão Multiusos, que começa na sexta-feira, em Viseu. A “Oficina do Futuro” irá prosseguir ao longo do ano, com a organização do mesmo tipo de debates a nível distrital, e deverá terminar num encontro nacional. O método de debater com personalidades de vários sectores profissionais e sociais, como forma de construir propostas para a governação, que venham a integrar um novo programa eleitoral, é um dos eixos em que o secretário-geral, José Luís Carneiro, e a sua direcção apostam para renovar e reabilitar o partido. Embora com um modelo diferente, a iniciativa procura abrir o partido a independentes, do mesmo modo que, em 1995, o antigo líder António Guterres organizou os “Estados Gerais para uma Nova Maioria”. À procura de respostas Os seis debates que vão decorrer durante o congresso terão como temas assuntos prioritários ou estruturantes da visão de sociedade que o PS tem e que quer privilegiar no seu programa. Em discussão estarão questões sobre habitação, saúde, economia e política de rendimentos, cultura, educação e justiça. A participação de Carlos Tavares insere-se no debate sobre “Apostar na modernização e inovação. Criar uma nova economia. Apostar na qualificação. Garantir o aumento dos rendimentos e salários”. Neste debate estarão também Raul Junqueiro, chefe da Unidade de Desenvolvimento de Negócio das Cidades Inteligentes do Grupo DST, Teresa Sá Marques, professora catedrática da Universidade do Porto, Carlos Alves, professor catedrático da Uni-versidade do Porto, ex-administrador da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e presidente do Comité de Análise Económica e de Mercados da autoridade europeia ESMA. E ainda Miguel Cabrita, deputado, antigo secretário de Estado do Emprego e do Trabalho. O antigo ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, e o reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, vão debater como “Integrar a educação, formação e ciência. Igualdade de oportunidades para todos”. Neste debate, estarão presentes também Helena Sardinha Pereira, professora de História do ensino secundário, e Faisal Aboobakard, director do Agrupamento de Escolas da Marateca e Poceirão. No debate “Investir na habitação. Garantir casa digna para todos” participa Helena Roseta, antiga deputada, especialista em habitação e responsável pela preparação da Lei de Bases da Habitação. Mas também Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos e ex-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Assim como José Teixeira, presidente do conselho de administração do Grupo DST, e Avelino Oliveira, presidente da Ordem dos Arquitectos. Já no debate “Reestruturar o SNS. Garantir a saúde para todos” estarão presentes a médica de medicina geral e familiar Sofia Batista, o director-geral da Medsky, Delmar Santos, a enfermeira especialista em enfermagem comunitária, Sara Luz, e a deputada e ex-ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva. Sobre como “Aumentar o investimento na cultura. Apoiar os criadores e a produção cultural” estarão a debater o actor, encenador e programador cultural Guilherme Gomes, o director artístico da Bienal de Dança de Lyon, Tiago Guedes, e o gestor cultural e representante da AMEC na Associação para as Artes Performativas em Portugal, Miguel Honrado. Em debate estará ainda o tema “Reformar a justiça. Rápida e igual para todos. Combater a corrupção”, que conta com a participação de André Dias Pereira, professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Paulo Lacão, advogado e especialista em Direito da Tecnologia e Cibersegurança, Filipe Lobo d Ávila, advogado, ex-deputado e antigo dirigente do CDS e antigo secretário de Estado da Administração Interna. E também o deputado do PS Pedro Delgado Alves. A direcção liderada por José Luís Carneiro quer reabilitar o PS recuperando o modelo dos Estados Gerais de António Guterres Socialistas pressionam Carneiro: “PS tem de saltar de cima do muro do nim ” M iguel Costa Matos diz que não, mas é impossível não ver na moção que o ex-líder da Juventude Socialista leva ao congresso do PS uma crítica à atitude dialogante e de parceiro preferencial do Governo que José Luís Carneiro tem procurado assumir em matérias de soberania. No longo texto, assinado por militantes como Pedro Costa (filho de António Costa), Sofia Pereira (líder da JS), Álvaro Beleza ou os presidentes de federações como Nuno Araújo (Porto) ou Hugo Oliveira (Aveiro), e em que a maior parte tem entre 30 e 40 anos, até o antigo primeiro-ministro é citado para deixar o aviso: “Se pensarmos como a direita pensa, não só acabaremos a governar como a direita, como seguramente deixaremos que esta governe como quer.” Não se trata de uma revolta, vinca Miguel Costa Matos, “é um acrescentar ao que está a ser feito: fazemos um roteiro do que falta fazer, até para receber os eleitores da AD que se desiludiram”. “Quem quer fazer cálculo político fica na sombra; o maior gesto de lealdade que podemos ter é dar os nossos melhores pensamentos e a nossa reflexão ao partido”, argumenta ao PÚBLICO o deputado, admitindo que não se fez a reflexão pedida por vários militantes de peso em Maio. E “desta vez é diferente”, avisa-se; o partido teve um péssimo resultado eleitoral, a social-democracia está desgastada e a extrema-direita continua a crescer, enumera o deputado e coordenador do programa eleitoral de Pedro Nuno Santos. A moção “Socialismo com futuro” defende que o partido p deve “sacudir a imagem em de parceiro parlamentar r do Governo” porque transformar nsformar PS e PSD em parceiros os estruturais “abre espaço aço à extrema-direita para captar o descontentamento” e também porque o PS não deve abdicar da “clareza da sua oposição”. Mais: “O PS tem de saltar de cima do muro do nim ”, reagindo rapidamente e de forma clara. “As pessoas respeitam uma posição moderada, sensata e realista. Não respeitam uma posição indecisa, cheia de ses , mas e outros condicionalismos.”, avisam os 43 subscritores.com um outro remoque: “Esperar pelo desgaste do adversário nunca foi suficiente para quem quer ser alternativa”, sobretudo porque agora o espaço político se divide entre três e não é evidente que a “alternância democrática por si signifique uma vitória do PS”. Se o objectivo do partido é liderar o país, então tem de se afirmar como “alternativa “a de governo e não relegar-se a parceiro parcei de consensos e acordos com o PSD”. “Temos de d ser proactivos, mais ráp e assertivos a rápidos comunicar”, com mas sem “confundir “c o debate político com a ruptura em direcção a uma crise política”. “Se a actual correlação de forças pode deixar o PS num beco sem saída, importa ter a inteligência de não entrar nele. O PS não deve nem endossar nem comprometer a estabilidade política, mas não deve também abdicar da clareza da sua oposição ou da audácia das suas ideias.” Que devem ser debatidas em conversas com militantes, autarcas, vindas de baixo para cima, e longe de estratégias do passado, como a do “esquerdómetro quando essa diferenças não dizem nada às pessoas” Aproveitando que há em Belém um Presidente da República que quer promover consensos, os socialistas devem adaptar a sua estratégia à actual fragmentação político-parlamentar, procurando liderar a agenda, antecipando áreas de convergência possíveis e as linhas vermelhas necessárias. Maria Lopes José Luís Carneiro enfrenta o primeiro congresso enquanto secretário-geral do PS São José Almeida