NÃO HÁ BOMBAS QUE TRAVEM AS BOMBAS : SUPERCARROS VOAM PARA FUGIR À GUERRA - E SEM OLHAR A CUSTOS
2026-03-26 22:06:04

As grandes marcas automóveis de luxo estão a recorrer a soluções logísticas extremas para garantir entregas no Médio Oriente, num momento em que a guerra no Irão ameaça um dos mercados mais lucrativos do setor. A estratégia passa, em alguns casos, por transportar supercarros por avião - uma solução até cinco vezes mais cara do que o transporte marítimo. Segundo o Financial Times , a Ferrari suspendeu a maioria das entregas na região após as restrições impostas pelo Irão ao Estreito de Ormuz, que impedem a entrada de navios transportadores de veículos. Ainda assim, a marca italiana admite realizar “algumas entregas por via aérea” e até redirecionar veículos para clientes fora da região. Supercarros voam para escapar à crise logística O transporte aéreo, já utilizado por clientes ultra-ricos para acelerar entregas de modelos exclusivos, tornou-se agora uma necessidade operacional. Antes do conflito, custava cerca de três vezes mais do que o envio por mar; atualmente, pode chegar a quatro ou cinco vezes esse valor. Os custos logísticos dispararam: o preço médio para transportar carga aérea da Europa para o Médio Oriente subiu cerca de dois terços desde o início da guerra, atingindo aproximadamente 2,96 dólares por quilograma (cerca de 2,73 euros). No caso de veículos de luxo, o valor é significativamente superior, refletindo o peso e as exigências de transporte. Apesar disso, a procura mantém-se. Clientes dispostos a pagar milhões por modelos personalizados continuam a suportar os custos adicionais, sublinhando a importância estratégica da região para marcas de topo. Marcas tentam manter clientes num mercado-chave Outros fabricantes seguem estratégias distintas. A Bentley está a recorrer a stock já existente na região para cumprir encomendas, enquanto a Rolls-Royce Motor Cars afirma estar a fazer “tudo o possível” para responder à procura, embora sem detalhar soluções logísticas. Executivos do setor sublinham que o Médio Oriente, embora não seja o maior mercado em volume - atrás dos EUA e da China - é crucial em termos de rentabilidade. Os clientes da região destacam-se pela procura de veículos altamente personalizados, um segmento que representa uma fatia significativa das receitas de marcas como a Ferrari. Guerra trava novas encomendas e levanta alertas Mais preocupante para o setor é o impacto nas novas encomendas. Embora a maioria dos pedidos existentes se mantenha, alguns fabricantes já reportam uma quebra no interesse de novos clientes. Há também planos de expansão em pausa, incluindo projetos de novos concessionários na Arábia Saudita. Um executivo europeu descreveu o mercado como “muito silencioso”, alertando que, se o conflito se prolongar, os fabricantes poderão ser obrigados a redirecionar veículos para outros mercados, como o Japão - ainda que com menor rentabilidade. Setor enfrenta tempestade perfeita O impacto no Médio Oriente surge num momento particularmente desafiante para a indústria automóvel de luxo. Tarifas mais elevadas nos Estados Unidos e a desaceleração das vendas na China já pressionavam o setor, que via na região do Golfo uma oportunidade para compensar perdas. Agora, com a instabilidade a afetar simultaneamente vários mercados-chave, executivos admitem um cenário raro de fraqueza global. Como resumiu um ex-responsável do setor, há muito que não se via uma situação em que “todos os mercados estão em dificuldades”. Automonitor